Eis que chegados ao restaurante fizemos o nosso pedido. Maman pediu um peixe indiferenciado e bastante em conta*, sendo que o empregado nos informou que não tinha tal peixe. Nisto, o chefe de mesas, que se encontrava mais atrás, avançou a passos largos na nossa direcção, corrigindo a informação dada pelo empregado de mesa.
Afinal, ainda havia uma posta do tal peixe indiferenciado e bastante em conta. Era, aparentemente, a posta do rabo (do peixe, claro).
Mal prestou tal esclarecimento, o chefe de mesas iniciou, de imediato, o percurso inverso, voltando, assim, para o local onde se encontrava antes. Acontece que, ao mesmo tempo que se afastava, o empregado de mesa explicava-lhe, com volume crescente na voz (na mesma proporção da distância que se criava entre ambos):
- Mas estes SENHORES NÃO...
E, no momento em que o empregado de mesa concluía a sua explicação, fez-se um silêncio momentâneo, pelo que as palavras (gritadas) que ecoaram pelo restaurante foram as seguintes:
-... COMEM RABO!?
E foi assim que todos os clientes, perfeitamente coordenados entre si (como se fizessem parte de um reputado esquema de natação sincronizada), giraram as suas cabeças para perceber quem... quem... é que se dirigia a um restaurante para COMER RABO!?
E, ali ficámos nós, pequeninos, pequeninos, a escorregar pelas cadeiras abaixo, procurando refúgio debaixo da mesa mas, ainda assim, na mira de toda aquela gente, que nos lançava olhares de desprezo. De repugnância, mesmo...
Claro que, tendo em conta a humilhação sofrida, ingerimos a a nossa refeição sorumbáticos e a uma velocidade estonteante.
Ao sair, ainda ouvimos murmúrios que, julgo poder reproduzir com alguma segurança. Aquelas pessoas apontavam e diziam:
- São aqueles... são os come-rabos...
E pronto... queria apenas obter a vossa compaixão... é que é bastante triste ser publicamente apelidada de come-rabos (ainda para mais quando todos sabemos que este ano não há rabos de jeito no Algarve).
* Tio Pipoco, na verdade era cherne. Mas gosto de fingir que me alimento de peixes bastante básicos (sardinhas e assim...) para as pessoas se identificarem comigo. É boa ideia, não e?