sábado, 31 de agosto de 2013

The burglary

E entretanto, algures na zona saloia, a casa de Maman foi assaltada.
Depois de desarrumarem e remexerem, decidiram-se por um agradável conjunto de pequenos electrodomésticos, grandes electrodomésticos, metais preciosos e... uma caixa de bolachas de chocolate!
Por isso, já sabem... se virem um meliante ornado de anéis, pulseiras e colares, com uma televisão debaixo de um braço, uma máquina de café debaixo do outro, um leitor de DVDs à cabeça e com a boca suja de chocolate... nada de ficarem com ele! É que esse, é o nosso gatuno!


Não gosto

Não gosto de ficar para trás, de ver os outros partir, mesmo que só por uns dias, mesmo que eu vá de seguida. Não gosto do Algarve com esta luz de Setembro, mais branca, longe do amarelo de Agosto, o mar picado e escuro, a neblina de manhã. Não gosto dos carros com o porta-bagagem aberto, das malas prontas, da casa vazia, da praia deserta, da falta de conversas. Não gosto deste dia que, talvez, de todos no ano, é o que mais me angustia. Não gosto de ficar de espanador na mão a arrumar o Algarve, a fechar-lhe a porta, a apagar-lhe as luzes.



quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Autárquicas 2013

Distrito de Portalegre, freguesias de Caia e Urra...

Ahahahahhahahhahahhahahahahahaahhahahahahahahahahhahahahahahaha



Não é por nada...

À esquerda, temos pequena Cutxi saída do cabeleireiro e a caminho das suas férias; 
à direita, temos pequena Cutxi ao dia de hoje...

 Pessoas, pessoas... acho que me aconteceu exactamente a mesma coisa... eu estou I-G-U-A-L-Z-I-N-H-A!

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Olha Sexinho!

Parece que, por aqui, o "bate, escova e, no nosso caso, varre", é à Quarta-feira!

Eu sei que vocês gostavam mais que eu sorteasse uma mala Prada, modelo vintage...

Acontece que as autárquicas estão aí à porta, e os outros blogs, numa clara tentativa de subir nas sondagens, já deram início às hostilidades, organizando um modesto giveaway de pequenos electrodomésticos...
Ora, como devem calcular, Palmier não quer ficar atrás na corrida à cadeira do poder e, numa manobra política pensada ao pormenor, num volte-face absolutamente inesperado, num absoluto golpe de génio, contactou o maior especialista nesta matéria e, seguindo os preciosos conselhos de Valentim Loureiro, está, neste momento, a sortear um extraordinário forno micro-ondas! Para o ganharem, basta pegarem no boletim de votos e colocarem a cruzinha logo ali, à frente do nome Palmier Encoberto, muito bem arrumado entre o de António Costa e o de Fernando Seara! Vá... toca a exercer o dever cívico! E em menos de nada, enquanto vocês descongelam o vosso lombo de porco (três minutos, função descongelação), eu estarei a tomar posse na Câmara Municipal de Lisboa!
E a seguir... bem... a seguir é o passo natural... a Prrrrresidência da República!a

terça-feira, 27 de agosto de 2013

E agora, não sei que título hei-de dar a esta fotografia...

Não sei se será um "Hoje deu-me para isto", se um "Ah, o Algarve em Agosto...", se um "Sempre quis saber qual era a sensação de estar overdressed!"...

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Publicidade enganosa?!

Como assim?!
Os tempos são de crise! Temos de inovar, de ser empreendedores! Cada um deita mãos às armas de que dispõe!

sábado, 24 de agosto de 2013

Estão a ver como vale a pena refilar!

Não fosse a minha reclamação contra a falta de produtividade das fashionistas e ainda não sabia que tinha de sair de casa com estes bonitos slippers! Agora já só me falta comprar o traje de luces, as bandarilhas e o capote!

 Ehhhhh toiro lindo!




Eu gostava de saber...

O que raio andam as fashionistas a fazer!?
É que, depois de um mês de abstinência consumista, a pessoa aproveita um dia de vento para se dirigir a uma superfície comercial decidida que está a fazer mover a economia, a pessoa deambula pelas lojas e depara-se com as novas colecções, a pessoa já não aguenta mais o seu look hippie-beach-super-hiper-mega-chic-cesta-de-verga-boho-kaftan-havaiana-paez, a pessoa quer avançar para as novas tendências, a pessoa está predisposta ao esbanjamento, sente-se perdulária mesmo, e, de repente, verifica que hoje, dia 24 de Agosto, ainda não foi informada de quais vão ser os must-have da estação! E isto, pessoas, é falta de respeito pelo consumidor! E esta falta de profissionalismo mais não é que o espelho do estado da nação! Como, pergunto eu, como é que o país pode andar para a frente, se cada um de nós não cumpre a sua parte?! Quando é que nos vão dizer quais são os must-have da estação, hein?! No Natal? Quando já estivermos completamente demodés?! É isso que querem para Portugal, é? Um país de gente mal vestida, uma gente completamente anacrónica, ao estilo Outono/Inverno 2012/2013?!
Fashionistas, é?.... pfffff... assim, também eu!



Sim, assumo, estou viciada no jogo.

Porquê?! Porque é que eu vi a aplicação, com o aviso explícito que era viciante e, ainda assim, ou exactamente por causa disso, fui a correr jogar?! Porquê senhores, por que razão me fui colocar nesta situação degradante de ter de dizer aos meus filhos que aquele jogo é só meu, de ter de suplicar, praticamente de joelhos, para não jogarem, para deixarem as vidas todas para mim?

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Eu sei que a minha vida anda algo repetitiva...

Mas pessoas, pessoas... isto não é um cão, não é um cleptomaníaco, nem mesmo um Carlos da Maia... isto é um POLTERGEIST!
(e, ontem, isto era uma despensa arrumada com ordem, rigor e disciplina...)

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Meu cinturinha de alcagóita,

Assim começavam as cartas de uma doente para o seu médico psiquiatra, o meu pai. A partir desse momento, tudo era possível. O meu pai ou, se preferirem, o cinturinha de alcagóita lia-as e respondia. Não sei bem como conseguia responder... é que nada daquilo fazia sentido. O conteúdo das cartas era mais ou menos como Os Novos Maias da autoria do Gonçalo M. Tavares.  E, pensando bem, também me apetece continuar "Os Maias" neste novo estilo, o estilo absolutamente livre e insano. Hoje, Canis, em vez de Canis, chama-se Carlos da Maia. 

Uma personagem de ficção está no centro de um compartimento real em frente da bancada de uma cozinha. O compartimento tem apenas uma janela de 60 centímetros por 60 centímetros que dá para o inexplicável. A personagem, apesar de ser de ficção, move-se de um lado para o outro. O compartimento está de nível com o chão e, como tal, de nível com a irrealidade. Estamos no ano ficcional de 2013.

Carlos da Maia move-se de um lado para o outro, o nariz, igual ao da avózinha do Capuchinho Vermelho já depois de ter engolido o lobo, fareja o ar, fá-lo com precisão, as abas das narinas movem-se de cada vez que inspira, eleva-se nas duas patas, ali, à sua frente, em cima da bancada da cozinha uma tigela com quatro ovos cozidos sorri-lhe, sedutora. Carlos da Maia abocanha um ovo cozido com casca, depois dois, depois três e, não contente, termina com um quarto. Quatro ovos cozidos com casca.

Duas personagens de ficção entram na cozinha, reparam em Carlos da Maia que está deitado no centro exacto do compartimento com um aspecto ligeiramente embuchado. Pertencem à Comissão dos Jantares de Família.

Andam de um lado para o outro entre tachos e panelas. Para confeccionar o jantar passam por cima de Carlos da Maia que não faz o menor esforço para desobstruir o compartimento. Carlos da Maia mais não faz que estar ali, esparramado e com soluços. Tudo se processa com normalidade, o peixe é cozido, as cenouras, as batatas, o feijão verde. No fim, quando começam a dispor os alimentos nas travessas, as personagens de ficção apercebem-se que faltam os ovos, quatro ovos cozidos com casca. Olham para Carlos da Maia que deitado, finge não se aperceber das palavras trocadas.
- Não. Não acredito que o Carlos da Maia tenha comido quatro ovos cozidos com casca.
- Eu sei lá. Capaz disso é ele!

Duas personagens de ficção depois de vasculharem tudo quanto é canto, abandonam o compartimento e dirigem-se ao jardim, o Jardim da Irrealidade. As duas personagens de ficção procuram quatro ovos cozidos com casca nos canteiros e na relva. As duas personagens de ficção não encontram qualquer vestígio dos quatro ovos cozidos com casca e regressam, estupefactas, ao compartimento cujo centro continua ocupado por Carlos da Maia.

As personagens de ficção apalpam a barriga de Carlos da Maia em busca dos seus quatro ovos cozidos com casca e, enquanto procedem a esta operação, trocam comentários:
- Agora é que vão ser elas! Como é que vamos explicar que nós, enquanto representantes máximas da Comissão dos Jantares Familiares, perdemos os nossos quatro ovos cozidos com casca?
- Pois bem, cara colega, estamos feitas ao bife.
- Ao bife não, que o jantar é peixe.
- Tem vossa excelência toda a razão.

Agora, Carlos da Maia ou, se preferirem, o cinturinha de alcagóita, está ali, no centro exacto do sofá... enquanto a Comissão de Jantares de Família tenta perceber como, como senhores?!, é que Carlos da Maia foi capaz de deglutir quatro ovos cozido com casca... 


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

À falta de um tanque da roupa...

Pequena Cutxi, exibindo toda a tecnologia que a rodeia, optou por tomar o seu banho directamente na máquina de lavar.

E depois de reler "Os Maias"

Também eu me pus a ler aquilo... e, aquilo... é terrivelmente mau. À medida que ia avançando nas páginas, dei por mim a aumentar a distância do livro, a pegar-lhe com as pontas dos dedos, foi como passar de uma pintura do Vermeer, límpida, escorreita, perfeita, sem uma pincelada a mais nem a menos, para um emaranhado de tintas de um graffiti pichado numa parede.
É que nem é preciso referir a bizarria do telemóvel, basta perguntar a que título, a que título senhores?!, se martela uma cena improvável com uma terrina de canja, se alude ao púbis de Carlos da Maia, à intimidade com o concierge à porta de um hotel, a uma suposta mulher de um jardineiro que entra no quarto sem bater, um Carlos da Maia, sem qualquer sentido de honra, a mentir num tribunal, praticamente transformado num Dâmaso Salcede?!
A sério pessoas... logo eu, que raramente me ofendo, estava capaz de desafiar o José Luís Peixoto para um duelo...

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Outros tempos

Tocava a campainha e instalava-se a confusão, de imediato se sentia o movimento, alguém atravessava o corredor e perguntava se era a da frente, a de trás ou a do consultório. É que, em sendo a de trás, era gente da casa, que entrava pelo portão e que sabia o caminho; em sendo a do consultório eram doentes a quem se devia abrir a porta da sala de espera onde ficariam sentadinhos e amontoados, com a mala sobre o colo, até à hora que senhor doutor decidisse comparecer. É que, nessa altura, não havia livros de reclamações e as pessoas, que prestavam a devida vénia aos lentes da medicina, ficavam tão agradecias por aquelas horas de espera, que traziam pela trela galinhas e perus que faziam fila no jardim, ansiosos por saltar para a panela do senhor doutor. Por último e em sendo a campainha da frente, as hipóteses multiplicavam-se, da mesma forma que se multiplicavam as formas de receber quem estava do lado de fora. É que, naqueles tempos, havia uma hierarquia rigorosa no que às visitas dizia respeito. Em sendo coisa sem importância, a pessoa era recebida de pé, no hall lá de baixo, para que não se demorasse mais que o necessário, a porta ficava entreaberta, como que convidando insistentemente a uma saída célere; um degrau acima, as honras deviam ser feitas nesse mesmo hall, mas a visita devia ser acomodada num canapé de palhinha que, ao que julgo saber, serviu apenas para receber o engenheiro Matoso, figura pequena e pouco apreciada, que namorava a alta e loira sobrinha dos meus avós e que não se decidia quanto ao aguardado enlace. Tanta indecisão incomodava os princípios católicos, apostólicos, romanos da minha avó que, amiúde, se sentava no canapé com o engenheiro Matoso contando-lhe a subtil história de uma senhora sua amiga que tinha uma sobrinha em idade casadoira e cujo noivo não se decidia. E essa história, que servia para averiguar das intenções do engenheiro Matoso, desenrolava-se na exacta medida do namoro da sobrinha Maria Amélia. Infelizmente tamanha pressão assustou o engenheiro Matoso que rapidamente repensou os seus sentimentos deixando a sobrinha Maria Amélia não só solteira como presa numa cápsula de tempo, envergando o mesmo penteado -uma poupa com um travessão ao alto - e as mesmas calças à boca-de-sino, ad eternum. Um nível acima, estavam as visitas que podiam subir as escadas, mas não podiam entrar em casa, eram visitas recebidas já com alguma pompa mas que não eram dignas de cruzar a porta guarda-vento que separava a escada da casa propriamente dita. A essas visitas, estava destinada a sala amarela, que devia o seu nome a um malfadado papel de parede que foi colado todos os dias durante uma semana, e que escorregou da parede todas as noites durante essa mesma semana, uma sala que tinha uma presa de elefante no chão, uma Juan Carlisse que, à época, se entendia conferir um certo exotismo a uma casa,  na parede um par de fotografias dos dois infantes enquanto jovens bebés finamente emoldurados em talha dourada. Os sofás, relíquias de família, rangiam de tal forma, que os visitantes não se podiam mexer com receio que o mobiliário, atacado pelo bicho da madeira, se desfizesse sob o seu peso a qualquer momento. Ainda assim os visitantes iam dali bem impressionados já que, apesar de não poderem penetrar no reduto familiar, aquela era a sala mais santa da casa, a sala onde ocorreu "O" milagre. É certo que o milagre não foi ainda reconhecido pelo Vaticano, mas foi deveras importante; no fundo estamos a falar do nosso próprio milagre, "O" milagre de família. O milagre deu-se pelo tremor de terra algures nos anos sessenta, em que a Nossa Senhora ao cair do armarinho onde estava carinhosamente acomodada, aterrou graciosamente e em pé no meio da sala. A minha avó contava muitas vezes que, logo a seguir ao abalo, abriu a porta e deparou-se com a Nossa Senhora ali, caída, no meio da sala, de pé e de mãos postas, tendo sido poupada a todos os males excepto o da decapitação. E, ao ver que aquela imagem, a que não fora esse pequeno detalhe de lhe faltar a cabeça, estaria praticamente intacta, teve a certeza que estava perante um milagre e isso, claro, tinha muito valor. Para os mais íntimos, tínhamos o cantinho da televisão, o cantinho onde eram conduzidos, por exemplo, a Sra. D. Francisca e o Senhor Coronel, pessoas que se apresentavam todas as santas noites para o cafezinho, a Sra. D. Francisca, Xica para os íntimos, sofria horrivelmente de Parkinson, o que dava um encanto especial aos seus brincos de brilhantes que, com os tremeliques, lançavam faíscas de luz que davam um glamour especial ao cantinho da televisão, ambiente que dificilmente seria alcançado de outra forma. Aliás, numa das mil e uma noites que lá foram a casa resolveram sair mais cedo e, ao passarem pela casa-de-banho a que eu inadvertidamente me esquecera de fechar a porta, em vez de seguirem em frente e fingirem que eu era transparente, sentiaram-se tão próximos, tão íntimos da casa que pararam e me disseram "boa noite", e eu, sentada na retrete, humilhada até à medula, com as perninhas que não chegavam ao chão a-dar-a-dar, retribui educadamente as boas noites à Sra. D. Xica e ao Senhor Coronel. Claro está que a partir dessa noite, nunca mais mais me esqueci de fechar a porta da casa-de-banho... à chave de preferência. Por fim, e para as visitas gloriosas, tínhamos a sala azul, assim baptizada em honra dos tapetes que eram acompanhados de uns fulgurante cortinados da mesma cor, uma tapeçaria duma caçada na parede de topo, uns lustres de vidrinhos e um sofá de veludo amarelo-dourado. As visitas da sala azul, apesar de serem certamente umas visitas muito boas, não ficaram, infelizmente, na minha memória. Na minha memória, ficou apenas o sofá de veludo amarelo-dourado que picava as pernas como serapilheira.