quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

O casaco 2018



Foi logo em Agosto que despachei o assunto, um casaco sedoso, daqueles que apetece fazer festinhas como a um cão, lindo, fofinho e, claro, branco, branco como a neve, imaculado e puro. Enfim, era o casaco perfeito e teve de ser meu logo ali, a meio do Verão. Trouxe-o num porta-fatos, claro está, para estar bem protegido das poeiras cósmicas até à chegada do frio, altura em que sairia à rua e deslumbraria os transeuntes com a sua alvura. Depois o frio chegou mas nunca era dia de tirar o casaco do seu reduto, ah e tal, é bom demais para ir trabalhar, está frio demais para ele, está quente demais para ele, e havia sempre uma desculpa para recorrer aos meus casacos clássicos e intemporais bastante conhecidos de todos nós. Até que um destes dias disse para mim própria resoluta: não, não pode ser! Isto é uma estupidez, por este andar nunca hei-de vestir "O" casaco. É já hoje que vou quebrar este enguiço!

E assim fiz.



(ainda estou a recuperar do horror de dia que passei… sempre a ver onde me sentava, onde tocava, onde me encostava, com medo das migalhas, com medo que a fruta saltasse da fruteira, com medo do chocolate da colega do lado, a despir o casaco mesmo com frio para o dobrar muito direitinho longe de toda a gente, todo o dia em tensão, apavorada, no temor de o sujar. Depois cheguei a casa, respirei fundo e arrumei-o novamente no porta-fatos. Onde ficará num repouso eterno...)




terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Lamento arruinar-vos o dia de trabalho...

Mas ontem, ao jantar, o meu filho e eu tivemos a seguinte conversa:

- Mãe, lembras-te daquele jogo que às vezes jogávamos naquele computador do Algarve, aquele que tinha um ecrã que parecia um caixote?
- O Prince?...
- Sim, esse! Agora há uma nova versão na app store.




(pronto, é verdade que não tem aquela coisa do factor tempo, que só tínhamos 60 minutos para concluir os 12 níveis e sempre que morríamos três vezes voltávamos ao nível 1, é certo que o Prince já não se esborracha no chão (com aquele som plop) quando cai de muito alto, e também é verdade que já não fica caído numa poça de sanguinho politicamente incorrecto sempre que é fatiado pelas lâminas mas, ainda assim, serve perfeitamente o propósito) 

terça-feira, 27 de novembro de 2018

E no outro canto da bancada está a pessoa sozinha com a sua própria filha e uma simples mochila


E então lá fui a mais uma daquelas situações da minha filha andar de patins em concurso com outras meninas e, caramba, apesar de já não ser a primeira vez, não deixo de ficar boquiaberta com o ambiente, que aquelas coisa dos fatos sexy e cheios de brilhos dá pano para mangas às imaginações fervilhantes das mães, mas já nem entro por aí que, afinal, isso dos brilhos ainda acaba por ser o menos, o pior é mesmo a entourage de cada menina, os porta-fatos a serem transportados ao alto, como se contivessem o sudário de Nosso Senhor Jesus Cristo, dá licença, dá licença, dá licença, abram alas, abram alas, e lá vai o porta-fatos fuchsia com rebordo dourado a passar, seguido dos malões de rodas (para levar o que devia ser um maillot de prova) cheios de sabe-se lá o quê, os batons bermêlhos por todo o lado, os olhos esfumados com sombra preta, os apanhados próprios para noivas, os collants de renda, as transparências, as meninas com tshirts com o nome bordado a strass nas costas (Mariana, Kátia, Larissa…) e depois, bem… depois… até eu, que lá estava, tive dificuldade em acreditar …  as famílias!, famílias inteiras com tshirts iguais, mas nas costas acrescentam ao nome da menina : “Mãe da Mariana”, “Tia da Mariana”, “Avó da Mariana”, “Madrinha da Mariana”, todo um staff a reluzir por ali fora, a pentear, a maquilhar, a passar os fatos a vapor, a dar um pontinho nas mangas, a bater palmas frenéticas, a entoar cânticos…



quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Uma pessoa quer estar à vontade para escolher o seu próprio "abat-jour selva" sem ser alvo de olhares recriminatórios

Mas, depois, é confrontada com lojas de tecidos e fábricas de tapetes que escorraçam a pobre pessoa porque só vendem a profissionais.


Mas será que agora é mesmo obrigatório ter uma decoradora?


segunda-feira, 19 de novembro de 2018

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Palmier arranca a época de sugestões de presente de Natal - que comece a estação das festas!

Aparafusadora eléctrica.


a-pa-ra-fu-sa-do-ra e-léc-tri-ca!


Toda a gente devia ter a sua própria aparafusadora eléctrica.

Uma como deve ser. Não é preciso de ser uma mega, mas tem de ser uma bastante razoável, uma que aparafuse e desaparafuse. E uma caixinha de ponteiras de diferentes tamanhos e formatos, phillips, sextavada e em estrela. Pensem bem nisto que vos digo, no sucesso que vão fazer quando levarem a vossa aparafusadora para os jantares de amigos, almoços de família e festas de empresa para quando for preciso substituir a perna de uma mesa, arranjar a torneira da cozinha ou montar aquele bloco de gavetas do chefe! Não percam tempo, daqui até ao Natal é um pulinho e, claro, precisamos todos da aparafusadora mais cool do momento. A vossa nova aparafusadora será tudo o que precisam para brilhar neste Natal! 

Desde que tenho a minha aparafusadora eléctrica, sou uma nova criatura, até já sou conhecida como o James Bond da bricolage! 

(julgo que depois deste incrível testemunho de uma especialista no assunto, sei que, também vocês, irão aderir ao novo must-have deste Outono/Inverno. Vão rápido antes que esgote!)


terça-feira, 6 de novembro de 2018

Ainda estou vivinha

Foi então que no Domingo, ainda submersa em caixotes, percebi que tinha de ir em SOS comprar um colchão, para nos ser entregue, no máximo dos máximos, até esta sexta-feira, e naquele SOS só me sobrava o Colombo, local que evito a todo o custo uma vez que, dada a sua dimensão, quando atinjo o meu limite de tempo para Centro Comercial, um limite que pode aparecer a qualquer momento e sem aviso prévio, o momento em que a pessoa diz "não aguento estar aqui nem mais um segundo", ainda demoro um século a chegar até ao carro. Mas bem, uma vez que não havia alternativa, fiz uma meditação e convenci-me a mim própria que tinha de ser. Comuniquei então à minha família que não nos restava outra hipótese se não a de ir ao Colombo. E bom, já que temos mesmo de ir, o melhor é irmos já da parte da manhã, que sempre tem menos gente, compramos o colchão, comemos qualquer coisa rápida e voltamos para casa para continuar a desencaixotar.

E então a minha filha ficou ali paradona, a olhar para mim, até que se decidiu a acrescentar:

- Mas oh mãe... não é melhor irmos almoçar primeiro e comprar o colchão depois?
- Errrr... ainda é um bocado cedo para almoçar... mas porquê?
- Então, é que aquilo é uma grande confusão para depois andarmos ali no meio das pessoas com um colchão atrás...


(ainda me estou a rir a imaginar-nos a arrastar um colchão de cama de casal pelo Colombo, a subir a escada rolante, a levá-lo a almoçar, olhe, por favor, dê aí um jeitinho para o nosso colchão passar, obrigada, obrigada, nós e o nosso amigo colchão, sempre juntinhos para todo o lado)


segunda-feira, 29 de outubro de 2018

O Sultão (assim baptizado pelo senhor das mudanças) já vai a caminho



O pior da mudança?

Não é ter caixotes por todo o lado e sentir que estou a perder o controlo dos conteúdos e sem saber o que é que está onde, não é ficar a achar que as coisas ficam todas mal na casa nova porque estou habituada a vê-la vazia, não é estar a dormir num colchão no chão porque já levaram a cama para ser estofada, não é sentir que não estou nem num lado nem no outro, não é o olhar aterrorizado de pequena Cutxi a pensar que estamos a ser vítimas de um furto total e absoluto, nem é ter de explicar repetidamente aos meus filhos que não podem ser eles a levar todas as suas próprias coisas porque as acham todas demasiado importantes para serem transportadas por outrem.

O pior da mudança é o cheiro do papel que os senhores usam para embrulhar as coisas.


Blargh!


quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Há quem queira muito uma carteira Chanel, um Patek Philippe, um Ferrari...

Eu cá só queria mesmo um contentor do lixo...

(Contentor do lixo que é suposto ser fornecido pela Câmara Municipal, para onde quase nunca se consegue telefonar e, quando se consegue, a chamada cai quando é passada para o tal  departamento do Lixo, claramente um departamento ultra-secreto a que muito poucos têm acesso, e depois há o site da CML que nos diz apenas que sim senhor, que é responsabilidade da autarquia assegurar a entrega de contentores de utilização individual e colectiva, mas, claro, não há qualquer contacto do departamento sigiloso, ou qualquer campo para fazer o pedido. Foi então que, depois de aturada busca, fui parar ao site "na minha rua", onde o único campo vagamente parecido é o de "contentores de resíduos danificados", porque, para novo, não há nada. Preenchi o tal dos danificados e aqui estou eu, sem qualquer caixote novo e a rezar para não me virem pedir uma indemnização por ter danificado um caixote que nunca tive...)

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Sinceramente, quando uma pessoa precisa de alguma coisa vai-se a ver e não há nada

É que isto há blogs com listas para tudo, listas de como organizar a mala para a maternidade, como fazer a viagem perfeita, como organizar um casamento, como planear a lua de mel mais romântica, como fazer um safari em África, como viajar para Honolulu com uma chinchila, como embarcar no Expresso do Oriente com um peixe assado no forno... e aquilo que verdadeiramente importa... nada! Alguém me diz onde anda a lista de "como organizar uma mudança", hã? Onde está ela?

Caramba, a coisa está iminente e a pessoa está aqui em negação. Ok, já pensei (pensei! ainda não fiz... mas hei-de fazer! Até porque sexta-feira é daqui a uma eternidade, não é?) que tenho de fazer uma mala como se fôssemos de viagem, necessaire incluído, tenho de pôr toalhas e roupa de cama na casa nova, para poder fazer as camas quando elas lá chegarem, tenho de separar os livros e cadernos da escola para não ficarem perdidos no meio dos caixotes... e mais?! hã?! Alguém me diz o que raio tenho de fazer mais?!

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

A única coisa que já estava arrumadinha…


E então ontem fui à casa nova deixar uns candeeiros para os senhores pendurarem hoje (tranquilos, tudo coisas muito básicas, nada saído directamente da selva amazónica) e estranhei que no meu atelier o cavalete (já tenho um cavalete! Yay! Sou praticamente uma artista) estivesse fora de sítio, mas não liguei, e depois, quando fui à cozinha buscar uma faca para abrir as caixas dos candeeiros estranhei ainda mais que as coisas que tinha em cima da bancada estivessem todas dentro do lava-loiça, comecei a ficar bastante enervada, peguei no telefone para ligar ao empreiteiro para lhe perguntar se eles estavam malucos, a desarrumar tudo, e enquanto o telefone chamava fui andando até à sala e de repente olho para a estante e numa fracção de segundo achei que tínhamos sido assaltados por ladrões extremamente cultos e dados à leitura, mas o que é isto?!, faltam-me livros! E depois olho melhor, aproximo-me e não, não faltam, estão cá todos, só que estão todos atirados à molhada, todos fora de sítio, todos baralhados numa confusão absoluta, a cabeça a trabalhar em seco, sem perceber o que raio se estava ali a passar, e depois o empreiteiro atendeu, mas nesse momento já sabia que não era com ele que tinha de falar, porque nesse exacto momento lembrei-me que os arquitectos tinham lá estado a tirar fotografias para o portefólio, e, como toda a gente sabe, a arquitectura não inclui qualquer sinal de vida...

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Grande giveaway aqui no blog e o prémio vai ser Pequena Cutxi!


Eu sei que as crianças dos blogs são todas muito precoces, que começam a escrever aos nove meses, que fazem contas de multiplicar com um ano e de dividir com dois. Pequena Cutxi também prometia, deixou a fraldinha na idade certa mas depois disso as coisas descambaram, na verdade só aprendeu a beber água no bidé com cinco anos de idade e depois de ter observado a destreza de Canis durante todos esses anos, e então, quando uma pessoa já estava resignada a ter um cão com algumas limitações, eis que, aos sete anos, pequena Cutxi surpreende tudo e todos e aprendeu a falar. E esse, pessoas, é agora o grande problema da minha vida. Ninguém quer ter um cão que fala. Um cão é aquele ser silencioso que nos olha com olhinhos de mel e adoração, não é um ser infernal que nos persegue dia em noite a proferir UuuuuUuuuuUUUUuuuUuuuuuuuuu enquanto levanta as patas dianteiras do chão porque quer, e quer mesmo, que se lhe dê uma bolacha. E não pára enquanto alguém não lha der. Não é o ser que se senta à nossa frente enquanto estamos no sofá a fazer UuuuuUUUuUUUUUUuuuuuuuUUUUU porque quer festas.E não pára enquanto não as fizermos. Não é o ser que fica sentado perante uma porta fechada a fazer UUUUUuuuuuuuuUUUUUUUUUUuuuuuuuuu porque quer que alguém a abra. E não pára enquanto alguém não a abrir. Não, isto não é um cão! E é por isso pessoas, por já não aguentar tanto UUUuuuuuuUUUUUUUUUUuuuuuuuuu na minha vida, que a vou imediatamente sortear aqui no blog!

Quem a quer?

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

O fim de uma saga (que mais um bocadinho e metia facas, tiros e sangue)

E eis que, quase dois meses e meio depois do prazo inicial, consigo finalmente resgatar a criatura de quatro rodas das mãos dos seus verdugos.


Yeah para mim!


sábado, 6 de outubro de 2018

Porque o risco é demasiado elevado

Talvez o mais irónico disto tudo seja que os tais homens que, em teoria, poderiam ter “todas as mulheres “, estejam agora condenados a não ter nenhuma.