Depois de anos a avisar as pessoas para não serem fiadoras de ninguém (e de as ver com os ordenados penhorados a pagar as casas, os carros e os sofás dos outros), hoje, quando acordei, percebi que todos os meus conselhos foram em vão. Na verdade, somos todos fiadores. Portugal é constituído por 10 milhões de fiadores. Fiadores de um Estado que se endividou sem poder, que gastou sem se preocupar, e que agora que chegou a hora de pagar, diz que lamenta mas não tem como o fazer. Assim sendo, vem-nos pedir a nós, fiadores, que honremos a dívida, sem nos dar o benefício da excussão prévia e sem termos qualquer direito de regresso à posteriori. Nós... que não acelerámos no carro, que não nos refastelámos na casa, que não nos rebolámos no sofá... que ficámos de fora, a olhar lá para dentro através da janela, a ver o desvario que para ali ia. Que nos perguntávamos de onde vinha tanta opulência.
E, agora, a solução é simples, descontam-nos a dívida no vencimento. A única diferença é a forma. Em vez de descontarem por via da penhora, descontam por via do IRS.
sábado, 6 de outubro de 2012
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Moeda de troca
Filho hoje portou-se mal. Passou o dia a embirrar, a responder torto e armado em carapau de corrida. De castigo, não o deixei ir brincar a casa de um amigo.
Agora, está a fazer os trabalhos de casa e, de mansinho, perguntou:
- Se fizer bem os trabalhos, a seguir, posso ir?
Disse-lhe que não, que se tinha portado muito mal.
- E se eu te der o meu dinheiro todo?
Expliquei-lhe que não era uma questão de dinheiro e que o dinheiro não resolve tudo.
Respondeu-me, indignado com a minha recusa:
- Mas o dinheiro, nesta altura de crise, vale muito!
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
O quê?!
Então agora usam-se osgas e vocês não me dizem nada?! Houve colares de osgas à venda na H&M e vocês não me avisaram?! Desde que sofri o meu revés que deixaram de me convidar para acontecimentos importantes, é isso?! Logo agora que eu preciso de recuperar a minha credibilidade no blogo-mercado!? Pois... estou a ver...
Mas, não julguem que eu me fico! Se há blogo-pessoas que têm colares com uma (Uma! Ahahahahahahahahahhahahahahahahahahahahaha) osga, eu... eu cá arranjo logo um colar com uma... dúzia!
Querem-me mal... eu sei muito bem...
Isto é coisa que se faça a uma pessoa que se encontra profundamente deprimida?! A uma pessoa que foi publicamente vilipendiada?! A uma pessoa que pondera terminar com a sua própria vida de modo extremamente violento… esvoaçando qual traça airosa da ponte sobre o Tejo?!
Já não basta uma pessoa tomar consciência da total ausência de estilo de que padece, agora, também se verá obrigada a, muito em breve, tomar consciência da total ausência de formas do seu corpo!?
Não… a mim não me enganam! Isto é um complô contra a minha pessoa! Levarei o bolo para a minha Louboutin, que hoje é dia do animal… Vai ficar gorda que nem um texugo e com os níveis de colesterol descontrolados … mas olha…. antes ela, do que eu que, afinal, é para isso que os animais de estimação servem!
A mim, não me apanham nesta teia de acontecimentos nefastos… que eu, bem… eu sou extremamente esperta… e rápida… características que me permitem, qual tartaruga Ninja, esquivar-me a estes potentes ataques …
Pessoas, pessoas... temos uma situação gravíssima em mãos!
Atentem bem no meu drama pessoal!
Ontem, enquanto descascava cebolas para o jantar e pensava nos sábios conselhos de Pipoco, o Escanção, comecei a hesitar no vinho que deveria abrir para acompanhar a refeição. Assim sendo, decidi recorrer directamente ao mestre que, com toda a certeza, estaria disposto a ajudar uma donzela em aflição. Tomada essa decisão, despi o avental, corri ao meu amplo closet e escolhi uma roupa especial para me fotografar a segurar as duas garrafas de vinho que me faziam hesitar (podem confirmar a veracidade desta informação AQUI).
Tal como esperava, Pipoco, o Escanção, respondeu a tempo e horas, permitindo assim que não passasse fome por pura incapacidade (inerente às mulheres) de tomar uma decisão.
Sendo certo que Pipoco, o Escanção, me resolveu um problema, mais certo ainda é que, Pipoco, o fashionista, me criou outro bastante mais grave. Reparem nos termos da sua resposta:
E, agora pessoas, entramos no cerne do problema! Ora eu, criatura extremamente letrada, não vesti aquela camisola ao acaso. Não! Eu, seguindo o conselho de uma profissional do ramo (e, reparem, não é uma profissional qualquer, "é uma pessoa que que, com as formações adequadas, muito em breve, terá tudo para ser uma das pessoas mais influentes no país sobre este assunto" sic), estava a dar asas a um dos meus estilos. O estilo criativo. E, atentem, o estilo criativo é exactamente aquele "em que a mulher passa a vida a tentar actualizar o seu guarda-roupa, acrescentando-lhe algo de novo e diferente, não tendo qualquer problema em começar a usar uma peça que ainda ninguém usa (mesmo que todos fiquem a olhar para ela como se fosse maluquinha)". Ora eu estava confiante que me encontrava extremamente estilosa e criativa, e agora... bem, agora, sinto-me extremamente insegura porque começo a duvidar das credenciais da minha guru da moda... É que, lá está... as coisas são como são e se, Pipoco, o Fashionista, aponta uma falha à minha indumentária e decreta a sua sentença: "Falta de estilo!", diz ele, a pessoa treme por ser condenada a anos de degredo e de não mais se poder apresentar publicamente, sem sofrer os danos do enxovalho público das suas duras palavras...
E agora, pessoas, estou aqui de roupão, catatónica, a balançar o meu corpo para trás e para a frente e a mirar as peças que me levaram à ruína...
Talvez devesse atear uma fogueira...
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Por exemplo...
Se, depois das 15h00, ficarem a saber que não mais terão poderio económico para adquirir bijutaria da boa (daquelas cheias de Swarovskis, indispensáveis para a existência de vida no planeta terra), não desanimem! Ataquem nos embrasses para cortinados de casa da vovó...
Conselhos desta vossa amiga, sempre atenta e ao dispor.
Oh Vítor Gaspar...
Estou pronta para te ouvir... Já tenho tudo organizado e, hoje à tarde, já regresso a casa neste autocarro...
Again...
No seguimento DESTE maravilhoso hit matinal, eis que hoje tivemos novo episódio!
Filhos acordaram enlouquecidos e cheios de energia. Em vez de agirem como robots bem comportados, como se espera das crianças numa qualquer manhã de um dia de semana, resolveram encetar corridas várias pela casa. Ora eu, vendo o tempo a passar, e já com os nervos extremamente prejudicados, depois de vários avisos, volto a ouvir passos de corrida a ecoar pelo chão de madeira do corredor -tum-tum-tum-tum-tum-tum. É, portanto, esse o momento em que resolvo intervir de forma radical e guincho da cozinha:
- Já disse que não quero mais correrias nesta casa!
Foi, também, nesse exacto momento, que vislumbrei empregada a fazer uma travagem brusca e a dizer-me baixinho e com o terror estampado no rosto:
- Desculpe...
E, continuou o seu caminho em câmara lenta...
terça-feira, 2 de outubro de 2012
O prazer da zanga matinal
Gosto de me zangar logo pela manhã. É bom e alivia os níveis de stress. Hoje já consegui descompor duas pessoas e fiquei bastante agradada. Passarei a utilizar esta técnica mais vezes. Uma foi logo antes do pequeno-almoço e até senti um apetite redobrado (o que se calhar nem é assim tão bom… mas pronto). Mas, gostei de fazer ameaças. De deixar uns avisos maléficos no ar e de ver os resultados. A pessoa maltratada apresentou-se à minha frente nem chegou a uma hora das sevícias orais a que a sujeitei, com ar de hamster arrependido, a deitar, a rebolar e a andar na roda à velocidade do meu chicote. Todas as dificuldades alegadas uma hora antes, se esfumaram como uma nuvem de Verão. Puf. Pediu muitas desculpas e eu, magnânima perdoei e disse:
- Vá lá, vá lá… para a próxima pense duas vezes… é que as coisas estão difíceis, sabe… e, se nós não estivermos contentes com os nossos fornecedores, sabe o que acontece, não sabe?
E pronto, gosto de utilizar as actuais circunstâncias para pôr os profissionais a reflectir. De dar uso à crise. De acenar com a crise. De atirar a crise ao ar e de a apanhar com destreza. De mostrar que ela está mesmo aqui, sentada na cadeira ao meu lado. Que é minha colega de trabalho. Que a trato por tu. Olha… Já que a temos, que nos sirva para alguma coisa…
De seguida e já embalada pela experiência, atendi uma senhora de um banco que queria poupar uns euros em papel à instituição bancária que a contratou e teve a lata de fingir que me estava a oferecer uma coisa maravilhosa e grátis, em substituição dos extractos em papel: O Net-Banking (a que, qualquer pessoa normal, já aderiu há, pelo menos, 10 anos)!
Reparem, na real lata dos criativos do marketing dos bancos! Em vez de dizerem que o banco é amigo da Natureza, que não quer praticar o dói-dói às árvores e que, por isso, deixa de enviar os extractos em papel… não! Dizem, como se fossemos uns participantes de um concurso televisivo, que acabámos de ganhar uma coisa que já temos, o Net-Banking… como se isso fosse uma maravilhosa Bota Botilde… sem referir, claro, que acabámos de perder o extracto em papel…
É evidente que tive de chamar a senhora à razão… ainda para mais porque ela me disse que a chamada estava a ser gravada e, assim, eu tive a certeza que as minhas palavras iam ficar registadas para a posteridade…
Sim... escusam de me dizer... estou ciente que, daqui a muitos anos, ainda se farão doutoramentos em markting com esta gravação...
A arrumar o carro
Termino a minha manobra de estacionamento e, quando estou a sair do carro, vejo um outro veículo a estacionar à frente do meu. De repente, apercebo-me que, ao volante do carro vem o arrumador que presta os seus serviços neste quarteirão. Está com um ar atarefado de empresário (ignorante, claro!), peocupado com os reflexos que o seu atraso pode ter nos seus próprios negócios. Surpreendida pela situação, fiquei uns segundos paradona e estupidificada a olhar. Claro que acordei para a realidade assim que o arrumador abriu energicamente a janela e, ao iniciar a sua manobra, me disse:
- Ajude aí, pah!
E eu, bem-mandada que sou, ajudei.
- Pode, pode, pode…. Pare! Pare! Pare!
Enquanto ia dando as instruções (ainda ponderei o uso do “destroçe”) senti-me transportada para o interior de um desenho do Escher, em que o peixe se funde com o pato… ficando eu sem saber qual de nós era o peixe e qual era o pato...
Ainda assim, no fim, estendi a minha mão à espera da moeda…
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
A maternidade faz-nos mais fortes... verdadeiras rochas... assassinas profissionais...
Tempos houve em que eu era uma pessoa normal e praticamente desmaiava com a visão de um piolho. Hoje em dia, lido com eles de forma natural e despreocupada. Passo o pente na cabeça de filho e, dos seus lindos e sedosos cabelos de criança, saltam três piolhos (três)! E eu, que dantes chamava uma equipa de desinfestação para desinfectar o lavatório, a casa-de-banho, o quarto, a casa, o prédio, a rua, o quarteirão, a cidade, admiro-os e digo:
- Olha... são pequeninos!
E, crack, esmago-os com a unha do polegar. Depois, ouvindo o estalido, acrescento com um sorriso:
- Estavam bem vivinhos!
De seguida, olho para o espelho e vislumbro uma linda macaquinha!
A uma primeira vista...
Poderíamos não perceber o aspecto debilitado e esmorecido do senhor, bem como o ar de Bambi encandeado desta linda senhora...
Mas, depois, quando nos deparamos com estas maravilhosas e reluzentes calças, manufacturadas com os mais ricos metais preciosos, tudo fica explicado...
Vejam, vejam...
Como o meu poder de atracção leva a que algumas pessoas percam toda a razoabilidade e trepem as paredes do prédio para poderem ter um breve vislumbre da minha pessoa...
Melhor maneira de começar o dia
Perder o carro. Ir para a garagem e perceber que não o deixei lá. Não fazer a mais pálida ideia de onde o deixei. Fazer um sprint pelos quarteirões das redondezas (as vossas maratonas são absolutamente ridículas ao pé da minha velocidade Obikwelu). Fazer tudo isto trabalhando, também, os músculos dos braços, já que filha preferiu fazer este percurso de manutenção ao colo. Encontrar o carro, sentar-me, respirar fundo e pensar por que raio estou tão bem vestida... na realidade um fato de treino Quechua teria sido muito mais adequado...
Subscrever:
Mensagens (Atom)















