quarta-feira, 17 de maio de 2017

A Grande Obra

Habemus janelas!


E testes de colocação de soalho!



e base de duche!



que vai ser encaixada ali, naquele cantinho!


E caixilhos da fachada tardoz!


e, caramba, está a ficar mesmo bonito!

sexta-feira, 12 de maio de 2017

O problema?

O problema é que não consigo reduzir a realidade. E já tentei. Mas desisto. Ficam sempre umas miniaturas ridículas. Ora, como não consigo reduzir a realidade, para pintar uma pessoa em pé preciso de uma tela com pelo menos um metro e oitenta de altura, para lá encaixar uma criatura com um metro e sessenta, e mesmo assim fico sempre com a sensação que é uma criatura demasiado pequena, depois as telas não me cabem no carro e, as que lá consigo enfiar não têm destino, porque não as posso pendurar na parede - derivado daquela falta de gosto da minha família - por isso vão ficando encostadas pela casa e ocupam imenso espaço, para além do aspecto caótico da coisa, que me perturba a paz.

O pior...? O pior é que só tenho ideias megalómanas...  

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Outros Tempos - O penteado

Já a Tia Violante tinha um séquito de criadas, praticamente uma PME, tal era o afã que se vivia naquela casa. Acontece que a Tia Violante, uma adepta fervorosa do brio, do garbo e da altivez, andava desgostosa com as melenas das raparigas, aliás, desgostosa é dizer pouco, a Tia Violante andava em pol-vo-ro-sa com aquelas gaforinas. Logo de manhã as raparigas entravam-lhe pelo quarto com aqueles chignons horripilantes, farripas de cabelos a sair por todos os lados, as travessas a cair, enfim, para os elevados padrões estéticos da Tia Violante, aquilo era um espectáculo feérico, uma tortura, uma situação que a deixava com os nervos em franja e os nós dos dedos brancos de fúria debaixo dos lençóis rendados. 
A Tia Violante tentou de tudo, as toucas, as redes, as grinaldas, os ganchos e as travessas, as bandoletes e as fitinhas, mas nada funcionava, os cabelos estavam vivos, eléctricos, eram cabelos ladinos, determinados a atormentá-la. Para além disso, as raparigas não tinham qualquer espécie de pundonor, parece que faziam de propósito, não se esforçavam por melhorar os dias da tia Violante, nem as noites, ah, as noites, as noites eram o pior, a Tia Violante deitava-se no seu grande leito encimado por um grande crucifixo e nem se conseguia concentrar nas suas orações, o temor dos cabelos desgrenhados era mais forte, parecia que as raparigas estavam ali à sua frente, a mofar dela, pagodeando das suas fundadas inquietações, abanando as suas cabeleiras esgadelhadas, aquilo eram pesadelos que a assolavam pela madrugada fora, visões tenebrosas, um tormento como nunca ninguém deve ter vivido, nem antes, nem depois da Tia Violante. E então, um dia, depois de um longo calvário e muito sofrimento, a Tia Violante, cansada de tolerar aqueles penteados rústicos que se passeavam na sua mui nobre casa, os penteados que a faziam viver permanentemente no fio da navalha e com o coração em sobressalto, tomou uma grave decisão. Sentou-se graciosamente na pontinha da cadeira da  grande secretária junto à janela, os cortinados abertos de par em par para deixar entrar a luz e, munida de pincéis e crayons coloridos, e inspirada directamente pelo bom Deus, desenhou o penteado ideal para a criadagem. E  a obra de arte, que sobreviveu a várias gerações, para que nenhum descendente tivesse de passar pelo mesmo martírio que a Tia Violante passou, consistia numa grande franja que era penteada para o lado com três ondas bem marcadas a ferro quente, três ondas ritmadas, uma, duas, três, apanhada atrás da orelha com um grande gancho de mola. Na nuca, e para evitar aqueles chignon desastrosos, a tia Violante idealizou uma permanente bem apertadinha, na verdade, uma carapinha, que garantia que os cabelos, depois de amarrados, não saíssem do sítio. E assim foi, uma vez desenhado o penteado, a Tia Violante pegou no seu staff impecavelmente fardado e, pela manhã muito cedo, para evitar encontros com as senhoras das suas relações, subiu a Calçada para as depositar nas mãos do seu cabeleireiro onde, qual artista da renascença, ia dando as devidas instruções para a correcta execução da sua obra de arte. Foi assim que, em casa da Tia Violante, se institucionalizou o famosos penteado, usado pela fiel Augusta até ao seu último suspiro. 
A Tia Violante nunca chegou a compreender por que razão, a partir daquele glorioso dia, se tornou tão difícil encontrar raparigas dispostas a trabalhar numa casa tão boa...

terça-feira, 9 de maio de 2017

E se fossem vocês a decidir...?

Na semana passada estivemos a fazer entrevistas para o preenchimento de quatro postos de trabalho não qualificado. Trabalho manual, repetitivo, que não necessita de raciocínios particularmente elaborados mas sim de concentração, rapidez e jeito. Estas quatro pessoas novas vão juntar-se a um grupo de cerca de trinta e cinco outros funcionários, pelo que, a capacidade de integração também é um factor a ter em conta Das vinte pessoas chamadas apareceram treze (não foi nada mau) e, das treze, quatro pareceram-nos boas ( o que foi excelente). A última a ser entrevistada ficou ali no limiar. Uma rapariga com vinte e um anos, com um discurso pouco fluido, envergonhada, mas com um sorriso amoroso, que seguramente se integraria sem dificuldade, que talvez fosse "adoptada como mascote", uma vez que a média de idade do grupo é bastante superior. Por comparação com as outras quatro ficou um bom degrau abaixo. Acontece que, quando a acompanhei à saída, a mãe, que a esperava, ficou ali indecisa, sem saber bem o que fazer, mas acabou por pedir para falar connosco. Explicou então que a filha tem um atraso mental (não sei se é assim que se diz, se é politicamente correcto, mas foram estas as palavras utilizadas pela mãe), mas que, se devidamente orientada, se esforça até ao limite para cumprir as tarefas que lhe são propostas, que é voluntária no CAD (Centro de Apoio à Deficiência) que frequentou, só para não estar em casa sem fazer nada, e para, por favor, lhe darmos uma oportunidade - e depois emocionou-se, claro, e eu também, caramba, fiquei ali com um nó horroroso na garganta - que não há ninguém disposto a dar oportunidades aos menos dotados, que temia pelo futuro da filha, que não podíamos imaginar a felicidade que lhe demos só por termos ligado a marcar a entrevista, o entusiasmo em que ficou, que não falou de mais nada nos últimos dias, que se lhe dermos a oportunidade não nos vamos arrepender. 

Os postos de trabalho são quatro, para a escolher vamos ter de preterir uma das outras (que, se esta conversa não tivesse existido, seriam as escolhidas), mas depois de saber toda a envolvente...


sexta-feira, 5 de maio de 2017

Não sei se é bom ou mau, mas pelo menos é tranquilo

A verdade é que, hoje em dia, quando alguma pessoa me desilude de verdade - daquelas desilusões que aqui há uns anos me consumiam semanas de angústia e inquietação, tempos infinitos a repisar palavras e acções -, limito-me a encolher os ombros e a pensar "olha, mais uma", enquanto pego na vassoura com uma naturalidade imperturbável, varro a poeira do desencanto lá para o quartinho das desilusões e fecho a porta atrás de mim com toda a suavidade. Acho que perdi a capacidade de me indignar.


quarta-feira, 3 de maio de 2017

Minina, quéqui ocê tá fazendo?

Olha a couve lá, se julgando poderosa, mangando da gentje fora da geladeira, sendo entediante intencionadamente, olha lá a turma das couve, tudo pirua pensando que é brocoli, ali em cima da mesa fazendo as coisas que elas faiz, em vez dje estar pagodeando pra mim rir. Vai, me agarra que ela tá pidjindo e eu vou gastar todas minhas energia ferrando nela.




segunda-feira, 1 de maio de 2017

E para acabar o dia de hoje

Be, em "Querido, apapagueiei os macaquitos!"


E ainda...

A Maria Eu, transpondo os limites da arte para a realidade!

Eis que as participações continuam a chegar!

Calíope com a sua versão "faz arte com o que tiveres mais à mão".

A Joana F. que me enviou um email cheio de papagaios de papel ultra esvoaçantes.



Já Luísa, optou por mostrar à blogosfera

A versão rural da Senhora dos Papagaios.

E a Pirata-Poeta mais famosa de todos os tempos

Levada pelas forças invisíveis deste movimento universal, lançou ao mundo das letras a história da epopeia épica da Senhora dos Papagaios.


E durante a noite, enquanto dormíamos

A senhora dos Papagaios foi levada pelo Manel Mau-Tempo para o sofisticado mundo da faina marítima.

(e agora eu também quero polvos nas minhas pinturas!!!)