Não sou patroa, apenas mera empregada, mas tenho em meu poder o recrutamento de novos colaboradores para a empresa.
E a 2ª pergunta que faço numa entrevista é se a pessoa é casada e tem filhos.
Porque esse é o perfil da pessoa que não me interessa. Não quero uma senhora que tira baixa de Apoio à Família porque o marido está doente. Não quero um Homem que tira a tarde de todas as sextas feiras de final de aulas par ir assistir à festinha da escola da criancinha. Não quero uma pessoa que impreterivelmente se levanta da cadeira todos os dias às 18h para ir buscar o filho à escola.
Aqui fica-se até tarde (20h ou 20h30 são horas perfeitamente normais para se sair do escritório). Aqui fazem-se viagens ao estrangeiro. Aqui existem reuniões a horas impróprias, desde ao jantar até ao brunch de sábado. Aqui recebem-se chamadas às 3h da manhã.
Portanto, não. Não quero uma pessoa que está constantemente com a cabeça "lá fora", seja porque a criancinha está com febre, porque não sabe o que vai fazer para o jantar ou porque começou a chover e o equipamento de futebol do Duartezinho está estendido, oh-meu-Deus-e-agora-que-ele- tem-jogo-amanhã-de-manhã.
Segundo os critérios de algumas pessoas aqui, discrimino. Até pode ser, mas aquilo que eu quero é uma pessoa adequada ao trabalho. Da mesma maneira que se tivesse que recrutar um segurança de uma discoteca, preferiria sempre um Homem a uma Mulher e alguém encorpado a um lingrinhas. Discriminação ou ter noção do que é apropriado às funções que temos para preencher ?!
Cara Mulher, Trabalhadora, 24 anos,
Fiquei tão chocada com este seu comentário que demorei quase um dia a pensar na resposta que lhe daria. Ou melhor, a escolher a resposta que lhe daria, porque passaram-me muitas pela cabeça... quase todas extremamente desagradáveis. Posto isto, a única coisa que tenho a dizer é:
Fiquei tão chocada com este seu comentário que demorei quase um dia a pensar na resposta que lhe daria. Ou melhor, a escolher a resposta que lhe daria, porque passaram-me muitas pela cabeça... quase todas extremamente desagradáveis. Posto isto, a única coisa que tenho a dizer é:
Espero que tenha consciência que, de acordo com a ausência de princípios dessa sua espécie de empresa, quando a cara Mulher, Trabalhadora, 24 anos, ficar grávida, as mesmas pessoas que lhe delegaram esse POOOOOODER (que deslumbramento essa coisa do POOOOOODER, não é?) de recrutar, vão ser as mesmas que o vão usar (ao POOOOOODER; aí já não tão deslumbrante, evidentemente) para a pôr na rua. Desejo-lhe a maior das sortes para essa altura...




















