E então, numa
obra que fizemos aqui no meu trabalho, chegámos ao fim e pedimos o ramal de electricidade
à EDP, já na Grande Obra a coisa não tinha sido pacífica, foi preciso esperar e
desesperar, falar com A, B, C e D, pedir, suplicar, requerer. Basicamente foi
preciso implorar por electricidade no centro de Lisboa. Um ano depois do pedido
inicial lá tivemos direito ao ramal. Pensei que tinha sido pouca sorte, que a
culpa fosse de alguma forma do empreiteiro mas, afinal, bem vistas as coisas,
parece que correu impecavelmente. Vejo isso agora, quase dois anos depois de
termos pedido um novo ramal para essa tal obra aqui do trabalho. Pedimos, voltámos
a pedir, e voltámos a pedir, por favor senhores da EDP, vendam-nos
electricidade. Nada. Entretanto a cave do edifício - totalmente renovado –
inundou, estragando chão, rodapés, portas… isto tudo porque não havia
electricidade para activar as bombas de extracção de água. Já para não falar do
prejuízo que é ter um edifício pronto há meses e meses sem o poder utilizar
porque não tem energia eléctrica. E nós a pedir à EDP, por favor, senhores, por
favor, por Deus, pela Nossa Senhora de Fátima e pelos três Pastorinhos, vendam-nos um bocadinho de electricidade… nada. Depois de ano
e meio nisto, recebemos uma carta a dizer que a obra estava concluída e que podíamos
pedir o contador. E então a pessoa olha para a carta e pergunta-se… concluída?!
Mas ninguém deu por nada, não houve qualquer obra, ninguém abriu qualquer vala,
não nos disseram nada… lá falámos para a EDP, hei, senhores, é engano, não há
cá ramal nenhum, com certeza, minha Senhora, vamos tomar nota e um técnico irá
entrar em contacto com urgência. E assim se passaram mais um par de meses. Em
desespero e já que nada resultava, decidimos pedir o dito contador, na
esperança que disparasse um alarme qualquer lá na EDP. E assim foi. Claro que a
EDP mandou cá um senhor, que chegou com o contador, cofiou a barba e comunicou-nos
que não o podia colocar porque – tal como desconfiávamos – não havia ramal. Tirou
fotografias, escreveu relatórios e disse-nos que ía passar a informação, para
ver se nos vinham finalmente fazer o ramal. Tivemos um bonito momento de esperança.
Uma semana depois recebemos um telefonema para reagendar a colocação do
contador. Como assim, do contador?! Mas então vocês não têm a informação que
nos falta o ramal?! O Ramal?! Nem pensar, nós temos aqui indicação que a obra
está concluída e que o ramal está pronto.
Depois
recebemos esta carta da EDP, que é digna de ser vista por muitos olhos.
Quantos mais, melhor (e que continua a pressupor que o ramal está feito... SÓ QUE NÃO):