Deixo-vos com o making-of:
sexta-feira, 10 de abril de 2015
quinta-feira, 9 de abril de 2015
Se calhar já nos víamos livres deste flamingo deprimente e arranjávamos para aqui uma coisa como deve ser, hum?
Que me dizem?
(e este é o momento em que vocês se levantam das cadeiras gritando sins de antecipação, dão as mãos nervosas aos vossos colegas de trabalho e com os olhos rasos de lágrimas, fixando-se uns aos outros sem se verem, gritam aos céus, em êxtase, "vem aí header!". Aguardo, portanto, uma verdadeira vaga de fundo, uma vaga de fundo suplicante, desesperada e insistente, uma turba de gente correndo pelas ruas em delírio e anunciando aos quatro ventos a boa nova. Uma coisa a nível mundial)
quarta-feira, 8 de abril de 2015
Só para terminar a questão da minha suprema humilhação blogosférica
Querem então fazer-me crer que, bem vistas as coisas, Kiko, o rato que aparentava ser urso, não passa, afinal, de um rato com a mania?!
terça-feira, 7 de abril de 2015
Vocês só podem estar a gozar!
Um rato... pfffffff
Tarda nada estão a dizer que não sabem se o urso Kiko é azul às riscas pretas, se verde aos quadrados encarnados!
Chegou!
Completamente estafado, coitadinho! Que a minha Maman, um bocado insensível, convenhamos, afinal não lhe comprou bilhete de caixinha... mandou-mo mesmo assim, em económica...
O ursinho aventureiro
Só depois de sessenta quilómetros demos conta que o tínhamos deixado para trás, lágrimas grandes e grossas, lágrimas a correrem dos olhos da minha filha, lágrimas que lhe pingavam para o colo a uma velocidade estonteante, uma torrente de lágrimas de todas as cores e feitios, de tal forma que, por momentos, cheguei a ter receio que o carro se transformasse num aquário e que nos afogássemos todos ali dentro, um drama de faca e alguidar, mas sem o alguidar, que ao menos podia servir para amparar as lágrimas e as deitar pela janela fora, o ursinho, coitadinho, o ursinho que, nos últimos sete anos, quase oito, nunca passou uma noite sozinho, o ursinho que um dia já foi cor-de-rosa e que, ainda por cima, agora é cinzento, o ursinho esquecido, triste, só e abandonado. Parámos na bomba de gasolina para abrir as portas e deixar sair a onda de lágrimas coloridas e, de seguida, já a salvo daquele maremoto súbito, tomar decisões: andar sessenta quilómetros para trás e outros sessenta para a frente, acrescentar cento e vinte quilómetros à viagem, para o resgatar às garras da solidão, sim? não? ou telefonar à avó, para saber se estaria bem, se já tinha dado pela nossa falta, se estava choroso ou se, pelo contrário estava bem e aguentava mais um dia ou dois daquele tormento? Telefonámos e a minha mãe foi à procura do ursinho, estava no quarto dela, sentado de perna cruzada em cima da cómoda, aquela cómoda alta com tampo de pedra, a fumar cigarros e a beber Coca-Cola Zero, e a minha mãe olhou bem para ele, de todos os ângulos e, aparentemente, e tirando os soluços e a linha do bigode, que já está um bocadinho descosida, a linha que o distingue de todos os ursinhos iguais a ele mas que nunca o poderiam substituir, a linha que o transforma num ursinho sorridente, estava bem. Depois de duros minutos de indecisão, acabámos por acordar que a minha mãe dormiria com ele na primeira noite, para que não estranhasse tanto, e que, no dia seguinte, logo que acordasse, lhe lavaria os dentes, o pentearia e havia de lhe vestir a sua melhor roupa de passeio, levando-o de seguida aos correios, para vir embrulhado numa caixinha, registada, uma caixinha com um buraquinho por onde pudesse espreitar e apreciar a viagem, de volta à sua dona. E assim se fez.
Agora estou aqui à espera do carteiro, ansiosa para saber os todos os detalhes da viagem do ursinho aventureiro.
Agora estou aqui à espera do carteiro, ansiosa para saber os todos os detalhes da viagem do ursinho aventureiro.
segunda-feira, 6 de abril de 2015
E então, Palmier, tudo bem?
Olhem... mais ou menos. Duas horas. Duas horas foi o tempo que duraram os berloques do meu sapato direito. Agora estou aqui no trabalho, a pé descalço. O sapato está na secção da manutenção.
domingo, 5 de abril de 2015
Não sei bem explicar
Odeio perfumes, cheiros intensos, é mesmo uma coisa física, deixam-me mal disposta, agoniada, mesmo os mais frescos, passado pouco tempo, enjoam-me, arrepiam-me, quero fugir deles e eles ali, impregnados, sem darem tréguas. No entanto, são os cheiros que conseguem despertar em mim memórias mais antigas, como este que acabei de sentir ali, na Avenida, um cheiro abafado a maresia, que, numa milésima de segundo, me levou de volta àquele dia em que saímos de de barco, e que era preciso levar bidões de gasóleo, para encher o depósito, e depois pedir aos pescadores para nos levarem nuns barquinhos a nós, aos bidões e ao farnel, até ao barco, que nessa altura não havia marina e o barco estava ancorado no porto, a meio da ribeira de Bensafrim e depois fomos por ali fora, até que, ao fim do dia, acabámos na Ria de Alvor, já com o farnel depenado e o sol a baixar no horizonte, e aquele veleiro enorme, que ali esteve encalhado durante anos e anos, o veleiro de um belga ou francês, não me lembro bem, um velhote ermita, com umas barbas enormes e brancas, umas barbas todas embaraçadas pela água do mar, que aproveitou aquela maré cheia em particular para voltar a navegar. E nesse dia, enquanto eu comia um ovo cozido com uma mão, e uma fatia de pão seco com a outra, embuchada até não poder mais, que já não havia água para beber, o velhote puxava os cabos numas roldanas com artroses, que guinchavam aflitas, e a madeira do barco desabituada do movimento, estalava por todos os lados, e nós fomos atrás dele, em procissão, enquanto o veleiro fantasma saía finalmente da ria, e, no momento em que ele içou a vela grande, e se fez ao mar a sério, nós ficámos parados a vê-lo ir e batemos palmas durante muito tempo, até desaparecer lá longe, no mar alto. E nesse dia, o cheiro era este, o da maresia abafada.
sábado, 4 de abril de 2015
E às vezes, cada vez mais, tenho esta sensação
Que as pessoas, todas as pessoas, são como o universo, cada uma o seu próprio universo, que se expandem para o mais longe possível do ponto de partida, até que, a certo ponto, se dá uma inversão (e agora não me interessam nada as teorias que dizem que o universo, afinal, está numa expansão acelerada) e começam a retrair, trazendo tudo o que aprenderam, até ao ponto de início.
Os livros
A propósito deste post do Xilre, dei-me conta que sou uma terrorista, percebi agora por que razão, quando entro na Fnac, os livros se encolhem uns atrás dos outros, a murmurar, assustados, "é ela, é ela, passem a palavra". É que não me limito a deixá-los abertos, de bruços, nos braços dos sofás, deixo-os também em cima das mesas, levo-os onde calha, nas condições mais terríveis, dentro da mala de viagem, entalados entre o secador de cabelo e sufocados pelas camisas, para a praia, onde ficam muitas vezes sujeitos às intempéries, desidratados pelo sol e soterrados pela a areia, dobro-lhes os cantos das páginas, em cima para marcar a página onde vou e em baixo para assinalar passagens que, por alguma razão, me interessam, parto-lhes as lombadas, para que se abram como deve ser, e chego mesmo a sublinhá-los. E no fim, quando o acabo de os ler e os ponho finalmente na prateleira, os livros hão-de dizer uns para os outros, olhar ainda aterrorizado, "passei pelas mãos de Palmier e sobrevivi" e os outros hão-de concordar, e hão de aninhar-se todos uns contra os outros para se rearrumarem na estante, partilhando daquele sentimento comum de quem viveu para contar a história.
(É talvez por isso que detesto ler livros emprestados, livros que tenho de tratar como se fossem de porcelana, livros que vivem intactos, como se nunca ninguém tivesse passado por eles)
(É talvez por isso que detesto ler livros emprestados, livros que tenho de tratar como se fossem de porcelana, livros que vivem intactos, como se nunca ninguém tivesse passado por eles)
sexta-feira, 3 de abril de 2015
Workshop gratuito de fotografia
Nunca publicar uma fotografia tirada com o telemóvel sem que a mesma tenha sido convenientemente verificada antes e à sombra.
Estava aqui a pensar...
Que para ter umas calças de ganga, daquelas que se usam agora, todas rasgadas, basta-me pedir ao meu filho que use as minhas calças durante dois dias.
Tinham tudo para ser felizes
Mas depois veio o pintor, que dedica tanto tempo a pintar as paredes como aquele que dedica a atirar a bola, pintor residente, como todos os que vêm trabalhar para esta casa, que vêm para um simples biscate e ficam ad eternum, e Canis desenvolveu uma amizade muito especial com ele, e ele atira-lhe a bola com uma força viril, para muito longe, e Canis corre, veloz, para a trazer de volta, e o pintor pega-o ao colo e atira-o para a piscina e ele nada de volta, fresco e airoso. E, com isto, Canis relegou para segundo plano os seus deveres conjugais, sai de manhã cedo para se reunir ao seu pintor e só volta noite cerrada, e pequena Cutxi ressente-se do desprezo a que é votada e vinga-se. Mal ele entra em casa atira-se-lhe ao pescoço, a ladrar raivosa, impede-o de se deitar no seu sofá favorito e come-lhe a comida toda, e Canis, que tem consciência do que anda a fazer, encolhe-se a um canto, de olhos baixos, enquanto vê a sua ração desaparecer, pepita a pepita, do seu prato de metal.
quinta-feira, 2 de abril de 2015
Fomos ao Continente
Escolhemos a caixa com menos gente, uma caixa onde só se podia pagar com cartão electrónico, estava cheia de sede e enquanto punha as compras no tapete rolante pedi à menina se podia abrir a garrafa de água antes de a pagar e a menina disse-me que sim, que ali, no Continente, não se deixava morrer ninguém à sede, e eu fiquei contente por saber que assim era, que podia ir em segurança ao Continente, que ali nunca ninguém há-de morrer à sede. Atrás de nós, para pagar, estava um homem pequeno, um metro e sessenta, fato de treino preto, com umas calças demasiado compridas e uns ténis brancos, daqueles com uma sola fininha, que fazem os pés parecer ainda mais pequenos do que são, um homem gorducho, com uma barriguinha, um cabelo assim pegajoso e uma argolinha na orelha. Na verdade não dei logo pelo homem atrás de mim. Só reparei nele quando atendeu o telefone. Ou melhor, só dei por ele quando começou a responder a quem com ele falava. Primeiro foram uns "eh pahhh" desgarrados, uns "eh pahhhs" que se foram intensificando e eu a mandar calar os meus filhos, que queria ouvir a conversa, e eles a perguntarem "o que é?, o que foi?" e eu a fazer-lhes olhares, e a dizer "schhhh!" e a fazer sinalefos com a cabeça, a apontar para o homem, e às tantas estava a fila toda a assistir, e o homem dizia lá para o outro lado "já te disse que estou aqui no hiper", "eh pahhhhh, eh pahhhh, eh pahhhh", "já te disse que vim ao Contnénte", que ele dizia mesmo assim "Contnénte", e depois o homem olhava para o telefone, zangado, e fazia menção de o atirar para longe, e eu pensava que ela, do lado de lá, tinha desligado, mas não, ele voltava à conversa, "eh pahhhhh, eh pahhhhh, estás sempre desconfiada!" e então, num repente, atirou o telefone, que tinha carinhosamente acondicionado numa capinha tigresse, contra o tapete rolante, para junto do saco com limões e das acendalhas, mas atirou-o com cuidado, só para marcar posição, para nos mostrar a todos que era mesmo capaz de o fazer, infelizmente o telefone saltou da capinha e a tampa de trás abriu-se, e o homem, claramente arrependido, pegou no seu querido telefone e com olhos tristes e aflitos tratou de voltar a encaixar todas as peças, para de imediato voltar à conversa, que esteve suspensa durante o massacre do telemóvel, "eh pahhhh, eh pahhhh" "porrrrrrrrrra, porrrrrrrra", aquele porra que carrega nos erres, "só me telefonas para discutir". E eu ainda estive tentada a gritar lá para o outro lado que ela estivesse descansada, que ali no Continente ninguém queria o homem baixinho, com o fato de treino preto e pés pequenos, mas achei que era capaz de dar mau resultado, de piorar a situação lá para o lado dele.
A sério que há pessoas que andam um mês a experimentar um anti-manchas?!
Eu cá trato do assunto de forma rápida e eficaz!
Com uma aplicação a minha pele ficou muito mais uniforme, luminosa, as manchas foram aclaradas e assim, no geral, fiquei com muito melhor aspecto.
quarta-feira, 1 de abril de 2015
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