E ao quinto dia de sueste - sinto-o agora mesmo a passar-me pela cara, virada que estou, como um barco, com a proa ao vento, o mar cansou-se da agitação dos últimos dias, das ondas grandes e desordenadas, da rebentação cheia de areia, de nos dar chicotadas nas pernas quando aproveitamos o intervalo entre duas ondas para corrermos sobre as conchas partidas que nos magoam os pés, até ao mergulho in extremis - mas dizia eu que ao quinto dia de sueste, o vento que dura três dias mas que desta vez veio para ficar, o que nos entra pelas casas protegidas a Norte, traiçoeiro, trazendo consigo o barulho da rebentação e depositando-o na nossa almofada que toda a noite ruge como um búzio, ao quinto dia de sueste o mar, exausto e indiferente às leis dos ventos e das marés, descansou.