domingo, 31 de março de 2013

Por que sei que sentem falta que, também eu, vos deixe aqui umas receitas de chef Michelin

Hoje decidi brindar-vos com uma receita maravilhosa
 "Palmier em Forno de Lenha"

Por que é que o campo das outras é melhor que o meu?

É que não consigo perceber... fiz uma blogo-ronda e deparei-me com crianças vestidas de pequenas czarinas a passear pelo campo. Saias tufadas e merceditas no meio da erva alta. Imagens belas e românticas de como deveria ser uma verdadeira interacção do Homem com a Natureza.
Já nós... fomos totalmente armadilhados. Calças, meias por cima das calças, botas por cima das meias e voltámos... tcharan!... com carraças! Não. Não estou a falar de pequena Cutxi, estou mesmo a falar de filhos! Ontem deparei-me com duas (DUAS!) carraças. Uma por cada filho. A sério pessoas... entrei em transe. Esquadrinhei cada milímetro quadrado do corpo de ambos. Mudei a roupa toda, fechei a usada hermeticamente, peguei numa caçadeira e sentei-me hirta e vigilante numa cadeira de madeira desconfortável para não correr o risco de adormecer e ser atacada por uma carraça mais aventureira. Quando filhos foram para a cama, disse-lhes para me chamarem no caso de sentirem alguma comichão. Levaram à letra. Chamaram-me durante toda a noite. Toda! Eu já não acreditava... sabia que não era nada, mas era mais forte que eu... mãeeeeeeee, tenho uma comichão no braço, mãeeeeeeee, tenho uma comichão no pé, mãeeeeeeeee tenho uma comichão no pescoço, na barriga, na cabeça, na perna, no ombro... a sério pessoas... não preguei olho. Por um lado tinha de vigiar o potencial ataque de um exército de carraças, por outro tinha de verificar as comichões...
A sério... foi com um verdadeiro alívio que abandonei a Natureza. Agora que já aqui estou na cidade (nunca o cheiro a escapes me soube tão bem) e com fundados receios de ter uma praga de carraças em casa, guardei as malas na arrecadação para posterior desinfecção.
E, depois de toda esta azáfama, depois de chegar totalmente arrasada do meu fim-de-semana de relax campestre, sentei-me aqui no sofá (sempre com um olho alerta para qualquer ponto escuro em movimento que possa entrar no meu campo de visão) a sentir a injustiça e a perguntar-me: 
- Porquê?! Por que é que o campo delas é muito melhor que o meu?

Ah... que Primavera tão agradável...

:))

sexta-feira, 29 de março de 2013

Hoje deu-me para isto!

Estive quase para vestir um vestido da Sfera mas, depois, decidi-me antes por esta bonita camisola que tinha colocado ao acaso na mala e que, surprise(!), encolheu de tal maneira que estaria maravilhosa caso eu tivesse doze anos. Como nunca trago roupa a mais, tenho finalmente a desculpa perfeita para andar a mostrar o umbigo! Yeahhhh!
P.S. Só é pena não haver testemunhas...

O que vês da tua janela, Palmier?

Afinal, pensando melhor, talvez não me importe assim tanto de estar isolada do mundo...

Tio Pipoco, sei que vai ficar solidário com o sofrimento alheio...

Consorte: Sabes que música é esta?
Moi (mesmo satisfeita com a minha própria sapiência. Desta vez tenho certezas. Desta é que vai ser! Ah-ah! Desta não me escapa! Vou mesmo acertar! ):
- É a música do 2001, Odisseia no Espaço!
Consorte, fecha os olhos, deita as mãos à cabeça, reabre-os lentamente enquanto abana a cabeça da esquerda para a direita e baixando os braços num gesto de derrota, profere num murmúrio acompanhado de um esgar de dor:
- Also Sprach Zarathustra...

quarta-feira, 27 de março de 2013

Desculpem lá mas hoje deu-me para a prodigalidade de posts…

Mas… oh pah… estou mesmo nervosa com o fim-de-semana que se avizinha…
É que ontem, quando falei com a senhora do local para onde vamos, ela perguntou-me se eu estava mesmo disposta a desligar-me do mundo. Que ali à volta não havia nada. Nada! N-A-D-A! Que íamos ficar sozinhos! Sozinhos! S-O-Z-I-N-H-O-S! Que não ia lá estar mais ninguém! Ninguém! N-I-N-G-U-É-M! Que a casa está equipada com sistema de som para iPod e que não precisamos de nos preocupar com o barulho porque ninguém (NINGUÉM) nos ouve. Vamos ser só nós e a Natureza. Não há vivalma num raio de... imensos quilómetros.
E agora estou com second thoughts! É que eu não sou uma criatura contemplativa e dedicada à introspecção… eu estava tranquila porque tinha pensado cá para mim que hehehehehehehe (sou tão esperta!) a mim não me enganam! Eu cá levo o iPad e ninguém me desliga do mundo! Só que... glup... acabei de perceber que o iPad está com a internet avariada... a sério... já tentei tudo e aquilo diz "sem rede". Liguei imediatamente a consorte e pedi-lhe para me arranjar uma pen de internet e ele, diz-me calmamente (perceberam bem! C-A-L-M-A-M-E-N-T-E!), para eu não me preocupar, que ele me empresta a dele. Mas eu sei muito bem como é que as coisas são... ele vai tentar dar-me restos de internet e eu não quero restos de internet. Eu quero a internet toda! Vamos zangar-nos por causa da internet. Tenho a certeza. É bem possível que nos venhamos a envolver numa luta corpo a corpo por causa da internet. O homicídio pela posse da internet está em cima da mesa! Acho que vai ser terrível… estou a imaginar assim uma espécie de The Shining na barragem... tudo muito romântico e perfeito para começar, passarinhos e um excesso de natureza por todo o lado e, de repente, eu sou apanhada totalmete de surpresa e como se tivesse levado uma paulada na nuca percebo que estou desligada do mundo (e eu não quero estar desligada do mundo, ok?). Nesse preciso momento a coisa vai começar a descambar. É certo e sabido! Já estou a ver-me a entabular o seguinte diálogo: "dá-me a internet! Não dou! Dás sim! Não dou! Des'larga a internet, já disse! Não des'largo!, Ai des'largas, des'largas...", e às tantas, eu transformo-me no Jack Nicholson e desato a perseguir consorte com um pé a arrastar, perdida por entre o labirinto de giestas e o facalhão do pão em riste na minha mão direita...
Eh pah... a sério... eu acho que isto vai ser um bocado perigoso para consorte... alguém devia avisá-lo antes que seja tarde de mais...

Então Palmier... qual é o cúmulo da humilhação?

Não sabem? Não sabem mesmo?! Então eu explico... 
O cúmulo da humilhação é deparar-me com headers perfeitos por todo o lado e eu... hã?!...
Eu cá nem sequer consigo centrar o raio da fotografia que me aparece ali em cima… p
fffff...

Como é que elas fazem?! E, por que razão elas conseguem e eu não?!

Depois de ter passado um dia inteiro à procura de um local (que não estivesse lotado) para passarmos o próximo fim-de-semana, consegui, já noite cerrada, encontrar um que ameaçava, mediante request, aceitar pequena Cutxi, a nossa Diva blogosférica. Peguei no telefone nervosa e com as mãozinhas a tremer para confirmar se sim, se pequena Cutxi reunia os requisitos necessários para se apresentar numa unidade hoteleira. Quando me atenderam do outro lado expliquei de imediato a situação, avançando mesmo entre dentes e como quem não quer a coisa, que se tratava de pequena Cutxi, a blogo-cadela. 

Expectativa: Reacção eufórica, gritos de satisfação, uma estadia grátis para a família mediante publicação no blog de fotografias publicitárias de pequena Cutxi sob o título "este fim-de-semana deu-me para isto" ou, na pior das hipóteses, um desconto inigualável.
  
Realidade: Ah bem… então vão ser mais dez euros por dia.

(claro que tive de continuar a minha busca até encontrar outro local cujos proprietários demonstrassem todo o seu amor a Pequena Cutxi...)

terça-feira, 26 de março de 2013

Digam-me a verdade!

Vocês gostam mesmo disto?! Mas não me mintam, tá!

Agora, por causa do comentário da Matilde no post abaixo…

Lembrei-me de uma história que era contada com muito orgulho pelo meu avô, nos serões em família. Cá vai:
O meu avô tinha o consultório no rés-do-chão da casa onde vivia. Um belo dia o meu pai, com uns oito anos, acordou e decidiu que, também ele, seria cirurgião! Assim, e na ânsia de exercitar os seus dotes, arrastou o seu pobre irmão (mais novo) para a sala de operações. Aí trancados, o meu pai obrigou-o a deitar-se na marquesa, calçou as luvas, desinfectou o local da intervenção cirúrgica, sacou do bisturi e vá de operá-lo para lhe extrair o apêndice. Tendo em conta a falta de anestesista à altura, é por demais evidente que a coisa correu mal. O paciente, com um corte de quatro centímetros na barriga, saltou tresloucado e aos gritos da mesa de operações e correu escada acima para se refugiar em local seguro.
Papi, receoso, camuflou-se no jardim para deixar passar as primeiras ondas de choque. Quando achou que a situação estava mais calma, subiu, pé ante pé, para avaliar os estragos. Deparou-se com o meu avô a fazer um curativo na barriga ensanguentada do irmão. Aproximou-se de cabeça baixa, pronto a ser severamente punido e eis que … foi extremamente elogiado! É que a incisão era simplesmente perfeita! Havia sido feita no local exacto do apêndice! Papi estava de parabéns, tinha verdadeira mão de cirurgião!   

É só para vos avisar...

Se precisarem de Manteiga de Pipoca, eu também tenho, ok?

segunda-feira, 25 de março de 2013

Excelentes investimentos para as vossas carteiras!

Peço-vos perdão por não ter respondido aos vossos comentários dos últimos dias, mas a verdade é que, como sempre, estive a pensar no vosso bem estar psíquico. Assim, e porque sei que estavam desesperadas para aplicar nas vossas unhas cores alegres e festivas, para condizer com a quente e soalheira Primavera que estamos a viver, deixo-vos com a minha nova colecção de vernizes. Palavras para quê...
Enjoy!

sábado, 23 de março de 2013

A prova... ou daí, talvez não...

Cánis estava muito contente com o seu boneco novo...
Mas, de repente...


Estou aqui a ver o telejornal...

E vejo a euforia. Palpável, corpórea, electrizante. 
Por um lado, as ratazanas estão acossadas, aflitas,  congeminam, falam umas com as outras com os seus narizinhos cinzentos e as suas patinhas cor-de-rosa a tocar-se, aguardam ansiosas a decisão do Conclave da Constituição. A decisão que paira qual machadinho sobre as ratazanas. Mas essa, é uma decisão que demora muito tempo. É uma decisão muito difícil, exige muito estudo, muita inteligência, uúuúuúuú, exige rezas, a intervenção divina e a aparição do espírito santo a folhear, sereno, uma Constituição da República. Enquanto isso, os aranhiços começaram a crescer, a aquartelar, a rodear as ratazanas, já mandaram vir o general Big Nose do exílio, aparecem todos a andar muito depressa para fingir que estão muito ocupados, que estão a tratar de assuntos muito importantes, ininteligíveis para nós, os humanos. Falam todos, falam muito, dizem palavras, muitas palavras. Estão em todo o lado para provar que têm o dom da ubiquidade. O Seguranhiço ganhou vivacidade, parece agora um aranhiço numa leguminosa selvagem, daquelas arrumadinhas no supermercado na secção dos frescos, cheio de orvalho da madrugada. Aparece e desaparece como um Luís de Matos. Ora está em Campomaior, ora no Porto, em Viseu, em Lisboa.
- É magia! Gritamos nós aqui da Idade Média a assistir ao espectáculo.
E as ratazanas, com os seus dentinhos aguçados, roem as teia aos aranhiços, franzem os focinhos e  balançam as caudas sobranceiras, mas os aranhiços estão mesmo ali, à janela, atentos, a espreitar, com olhinhos vermelhos e cintilantes, a tecer afanosamente as suas teias, armadilhas mortais, à espera da primeira oportunidade para entrar por ali a dentro e tomar posse do que era deles. 

Enquanto isso, o país definha... mas, na verdade, isso é o que menos interessa...

sexta-feira, 22 de março de 2013

Apelo

Pessoas do meu coração, na impossibilidade de transformar o meu singelo-consorte num blogo-consorte, arrastei o meu próprio filho para este antro. Sim... estou pronta a sacrificar a sanidade mental da criança para atingir os meus blogo-objectivos. Sermos mundialmente conhecidos como a blogo-parelha "mãe e filho". Mas, reparem, fiz a coisa de tal forma bem que a criança está louca! blogo-possuída! Quer ter comentários, seguidores, está catatónica a olhar para o ecrã à espera que caiam e-mails e admiradores dos blogo-céus. Assim sendo e porque estou totalmente desesperada, ia pedir-lhes para serem solidários mas, a verdade, é que este não é um caso de solidariedade... é um caso de caridade, de caridadezinha... please... estou de joelhos, agarrada às vossas pernas, a suplicar... visitem, comentam, sigam, falem com ele pois, caso contrário, não conseguirei fazer mais nada na vida senão responder às suas blogo-dúvidas... nem mesmo descascar uma batata!

Querido consorte, reparo agora que é quase hora de almoço e ainda não te lembraste...

Eu sei que o acontecimento é antigo, praticamente do paleolítico, que tu andas para aí derreado de saudades a arrastar a tua mala de cartão... mas, ainda assim, parece-me muito pouco romântico... É que, se estivesses aqui comigo, hoje recebia-te assim... sexy!

quinta-feira, 21 de março de 2013

Tal como prometido... cá estou eu!

A McNamara do Algarve!

Estou deitada na cama a ouvir as ondas

Está suestada e o mar está bravo.
Amanhã, é dia de pegar na tábua!

Desespero

Ganhei um novo seguidor no blog. Mas não é um seguidor qualquer. Não... é um seguidor fervoroso, um seguidor frenético, devotado, zeloso, veemente, activo, um seguidor que disseca todos os vossos comentários, um por um, um seguidor que exige explicações sobre tudo o que aqui é dito. Um seguidor que nem sempre vos percebe mas que exulta de contentamento de cada vez que há uma nova mensagem, um seguidor que grita de satisfação de cada vez que o e-mail dá sinal, que se passeia com o computador, nervoso, à espera de novidades. É o meu primeiro blog-stalker.
Olá filho... tudo bem? 
Beijinhos da mãe!

Isto sim, é uma notícia espectacular!

Já está cá! Cáááááááá! O que eu esperei por este momento! O "Colar Oceânico", uma maravilhosa peça de joalharia elaborada por Palmier Encoberto em parceria com o Atelier Maria Varina. Vinde, vinde! Comprai, comprai!

Já vos disse que também adoro peixe crú?

Inteirinho, com olhos, escamas, guelras e tudo!

quarta-feira, 20 de março de 2013

É desta que vou apresentar uma reclamação à Olá!

Para quando o gelado com sabor a Palmier, hein?!

Conscious Cutxi

Em vez de andarem para aí a gastar um dinheirão em protectores solares, vejam como Pequena Cutxi, numa atitude conscienciosa e sustentável, protege a sua pele dos nefastos raios solares...

segunda-feira, 18 de março de 2013

Colecção Conscienciosa by Palmier Encoberto

Numa parceria inédita com o Mini-Mercado da D. Alzira, deixo-vos uma discreta gola tufada em verde-alface, só para aguçar a vossa curiosidade. A colecção, que é a mais sustentável da linha Palmier Encoberto, é linda e feita à minha medida. Tenho a certeza que vão querer tudo ou, pelo menos, as coisas que vos servirem já que, como bem sabem, eu sou muito mais magra que qualquer uma de vocês!

Eu sei que vai ser difícil...

Mas, vamos imaginar uma casa em descanso. Maman dormindo profundamente no seu quarto, moi même descontraída na caminha, filho enrolado no seu edredon, filha agarrada à sua relíquia de dormir, o ursinho de sempre, de seu nome "O Bebé", Pequena Cutxi a dormir na sua almofada na sala, Cánis,  o Rústico, a dormir a sono solto no exterior. Cenário idílico este. Uma família em repouso absoluto. De repente, pum, pum, pum e uma voz desconhecida diz coisas imperceptíveis lá fora! Filho grita aterrorizado! "Que barulho é este?!". Eu, já a levantar-me, explico que estão a bater à porta. Afluímos todos à sala, onde nos cruzamos com Maman, desorientada. Cánis, lá fora, atira-se à porta da rua, ladrando. Quem é? Pergunto eu. É para entregar uma encomenda, dizem. Abro a porta da rua e Cánis expressa toda a sua alegria matinal entrando de rompante pela casa. Enquanto eu falo com os senhores da transportadora, os cães ladram em estereofonia na sala. Maman abre a porta do jardim para os cães irem gastar a excitação lá para fora. Nesse preciso instante, Cánis rouba das mãos de filha, o Bebé, o precioso ursinho de dormir que filha tem desde que nasceu e sem o qual não adormece e corre para o jardim. Eu, observando a situação, fico estática durante uma fracção de segundo e imaginando o ursinho retalhado e desfeito aos dentes de Cánis, prevejo imediatamente noites terríveis e insones com filha chorando de saudades do seu amigo. Assim sendo, grito em aflição, em frente aos senhores da transportadora que se mantinham na rua:
- O BEBÉ! O CÃO LEVOU O BEBÉ NA BOCA!
Filhos, descalços, gritam que não podem ir lá para fora de meias, Maman dispara como uma seta em perseguição de Cánis. Eu, sem conseguir controlar o pânico, grito mais uma vez:
- AGARRA-O! TIRA-LHE O BEBÉ DA BOCA! 
Neste momento percebo o olhar aterrorizado dos senhores da transportadora que imaginam um bebé recém nascido a ser raptado por um animal feroz mas, sem tempo para explicações, continuo a observar, ansiosa, Maman a correr pelo jardim. Acontece que Maman, ainda estremunhada, levanta voo e aterra estendida ao comprido e de cara na relva. Filhos, habituados que estão a cair, gritam a rir: "ah ah ah.. a avó caiu!", eu, não querendo largar a porta aberta à mercê de desconhecidos, grito de volta: "Oh meninos!? Se calhar a avó magoou-se! Esqueçam o Bebé e vão já ajudar a avó!". Mas eles continuavam de meias e o cão continuava a correr com o bebé na boca e Maman estava estendida na relva... e eu resolvi, finalmente, intervir, fechando a porta na cara (branca como cal) dos senhores da transportadora...
E pronto, ficaram a saber... é assim que se acorda na mansão Palmier...

Quanto a vocês, não sei...


sábado, 16 de março de 2013

E o que vês agora da tua janela, Palmier?

Não vou tecer quaisquer comentários, ok?

Então Palmier, apanhaste muita chuva na viagem?

Não. Apanhei cocós. Percebi hoje o que é ser alvo de um bombardeamento de Drones. Vim o caminho todo horrorizada, corriam-me lágrimas de aflição. Só pensava: "E se o tio Pipoco me ultrapassa e me vê com o vidro do carro neste estado?! Como?! Como é que eu vou explicar tamanha sujidade?!" Tive de vir muito depressa e aos esses, ocupando as três faixas da auto-estrada e impedindo assim a passagem a todos os automóveis...

Medidas de segurança

Não julguem que, quando sou abandonada por consorte, fico mais vulnerável e vocês podem finalmente assaltar-me a casa para me roubarem os meus itens fashionistas... não... eu tomo medidas de segurança suplementares para impedir a vossa entrada. Eu fecho as portas à chave, fecho as portadas todas, ligo o alarme, deixo as luzes da sala acesas toda a noite e, depois, aplico a minha arma secreta, a minha bomba de neutrões, a minha arma de destruição maciça! Sim... aplico um calço na porta do corredor!

Ás vezes lembro-me destas coisas

O meu pai é alto, tem barba, óculos redondos e fuma cachimbo. No Verão usa um Panamá branco. Uma vez, quando eu tinha uns 6 anos, cortou a barba e veio visitar-me. Não consegui olhar para ele nem uma só vez durante o fim-de-semana inteiro. Depois a barba cresceu e voltou a ser novamente o meu pai. Um dia fomos à praia da D. Ana, ou Donana como sempre lhe chamei, e estavam ondas. Estávamos à beira mar e o meu pai estava de pé e era mesmo, mesmo alto. Eu cabia debaixo das pernas dele e agarrava-me ora a uma, ora a outra para não ser levada pelas ondas. A areia da praia da Donana é grossa e não se agarrava às pernas e isso era bom, mas não dava para fazer bolinhos e isso era mau. Noutros dias íamos à Meia-Praia e o meu pai ficava a ler, deitado de barriga para baixo, a abanar a perna e eu ia para a beira mar fazer castelos. Ás vezes brincava um bocadinho comigo. Falava-me do povo da areia que era microscópico e defendia o meu castelo contra o mar que o queria destruir. O meu pai deixava-me comer quatro Cornetos. Eu bem sabia que aquilo era um exagero mas eu ia pedindo e ele ia-me dando. Também me deixava ficar dentro de água até ficar roxa. Nunca me mandava para a toalha e aquilo parecia-me mal. Afinal eu tinha frio. Um dia resolvi trazer da praia um frasco de Delial cheio de carochas pretas. As carochas roeram o frasco e fugiram. Criei um ecosistema de carochas em volta da casa do meu pai. Ainda hoje há lá carochas pretas da praia. Ás vezes levava-me com ele para as consultas e eu ficava sentada na secretária ao lado dele a assinar as receitas. O meu trabalho era falsificar-lhe a assinatura e ele verificava se eu era ou não uma boa falsificadora. Nunca nenhuma foi recusada na farmácia pelo que presumo que tivesse alguma habilidade. Eram consultas estranhas, aquelas. Para além do nevoeiro provocado pelo fumo do cachimbo e dos doentes mentalmente instáveis, estavam presentes enfermeiras e havia pessoas que entravam e saiam como se ali nada se passasse. Mas parece que ninguém se importava muito. Os doentes variavam do maníaco ao catatónico. Lembro-me de uma velhota com a boca pintada de encarnado e com o baton todo esborratado que, excitadíssima, queimou o vestido de nylon umas quatro ou cinco vezes, com um cigarro que sugava como se o mundo fosse acabar naquele preciso momento, aqueles cigarros que ficam com um borrão gigante triangular e todos encarquilhados e fininhos tal é o desespero com que são fumados. O meu pai tinha um cão itinerante que aparecia para comer e as conversas que mantinham alternavam entre o francês e o latim. Ás vezes íamos passear a pé até à Albardeira Alta, levávamos uns frascos, uma lupa e uma pinça para apanhar insectos. De vez em quando tínhamos sorte e apanhávamos um camaleão. Depois voltávamos, o meu pai recolhia aos seus aposentos e eu ficava sozinha à espera que ele acordasse. Aproveitava para, às escondidas, comer um pacote inteiro de Belinhas acompanhadas de Tonosol, um multivitamínico para abrir o apetite. As Belinhas eram redondas e em forma de estrela e o Tonosol era para tomar uma colher por dia, mas era tão bom que eu bebia o frasco inteiro sentada em cima da máquina de lavar loiça. Á noite contava-me histórias. Mas havia uma de que eu não gostava. Era aquela sobre uma tia dele, uma velha tia cientista que descobria uma poção para rejuvenescer e que tinha resolvido experimentar em si própria. Tomou uma dose excessiva e transformou-se num bebé. Depois, ele tinha sido obrigado a tomar conta da sua velha tia bebé que, afinal, era eu própria. E eu não queria ser a velha tia do meu pai. 

sexta-feira, 15 de março de 2013

Produzir arte com dinheiro


Ora vamos lá a ver. Já aqui escrevi sobre esse assunto mas, antes que se torne recorrente, vou voltar a falar dele. Vocês têm de parar de se centrar no facto de eu ser uma pessoa extremamente abastada e bem-sucedida. Isto tem de acabar imediatamente! Sim, eu tiro fotografias maravilhosas onde ostento a minha riqueza! E então?! Vocês são distraídos ou quê?! São de compreensão lenta? Isto é arte, perceberam? A-R-T-E! ! Eu comprei os meus bens com o fruto da minha arte e, como tal, posso exibir os meus haveres para criar mais arte. No fundo é um remoinho de arte que nos projecta para o céu como um géiser de inspiração. E vocês, aí sentados nos vossos sofás remendados e com nódoas, a fazer zapping em pequenos aparelhos televisivos e a queixar-se da troika e do governo são, na verdade, uns invejosos. Irrita-vos que a vida me corra tão bem! Reparem, às vezes, também me apetecia atirar-me para o meu sofá de pele genuína de antílope, mas... não! Deito mãos à obra! Faço-me ao trabalho! Agora, por exemplo, tenho em mãos um projecto para uma instalação artística com notas de quinhentos euros e até fiquei na dúvida se vos podia mostrar. A ideia inicial era revestir a Pequena Cutxi a notas de quinhentos mas, depois, achei o resultado um bocado pindérico e estou a ponderar revestir, antes, um elefante. Assim uma espécie de Joana Vasconcelos mas em bom. Mas, depois, questiono-me… será que vale a pena?! Será que eles entendem a profundidade?! Será que percebem que estou desde as sete da manhã até de madrugada a fazer coisas artísticas!? Para oferecer cultura ao mundo!? Ao universo?! É que vêm logo os revoltados do costume falar-me em dinheiro… dinheiro… quando, na realidade isto se trata de economia! Eu estou a mover a economia com a minha arte! Isto é uma questão de balança comercial e de sobrevivência do país! Por isso, deixem lá de me apontar o dedo pois, caso contrário, um dia, em vez de vos proporcionar uma maravilhosa obra de arte fotográfica da minha autoria, entrego-vos apenas os maços de notas… só para ver se, com um material tão fraquinho, têm capacidade para produzir uma arte tão boa como a minha... e isso pode ser um bocado chato para vocês...

Ainda por causa daquilo das fotografias exibicionistas….

Esta é bastante despojada, não é?
 
É que, agora, até estou baralhada...

quinta-feira, 14 de março de 2013

Como eu não tenho um baby-blog...

(composição de filho na prova do final do segundo período - 4º ano)


O Espanta Pardais e a Maria Primavera chegaram à estrada larga. Maria Primavera levou o Espanta Pardais a conhecer a cidade. Passaram por restaurantes, supermercados, mercados, lojas de brinquedos, centros comerciais, lojas de informática, esquadras de polícia, quartéis dos bombeiros, fábricas, juntas de freguesia, tribunais, hotéis, lares de idosos, jardim zoológico, praias, hospitais, escolas, oceanários, pavilhões, teatros, cinemas, pastelarias, ourivesarias, relojoarias, etc. Depois, o Espanta Pardais e a Maria Primavera foram para casa. Maria Primavera mostrou-lhe a sua casa. O tempo passava, passava e o Espanta Pardais não se ia embora, mas, um dia, Maria Primavera tinha de se ir embora e disse:
- Espanta Pardais, tenho que partir na minha viagem pelo mundo! Tenho de dar a Primavera aos outros locais.   
O Espanta Pardais, triste, deixou-a ir mas, de repente, gritou:
- Não! Eu também vou!
Então lá foram eles. Passaram por todo o lado e passado um ano voltaram. O Espanta Pardais durante a viagem percebeu que estava apaixonado pela Maria Primavera. Não hesitou e disse:
- Maria Primavera, queres casar comigo?
Maria Primavera, também apaixonada, não pôde rejeitar o pedido e aceitou. Casaram e viveram muito felizes, os anos passaram e o Espanta Pardais não se ia embora, era só uma coisa, era amor!!!

Cheguei ao local de trabalho

Bebi o meu café, liguei o computador e sentei-me, pronta a descansar.  Toca o telefone.
Segurança: Doutora… não quer ir arrumar o carro um bocadinho melhor?
Moi: Mas está aí a polícia?
Segurança: Errrrr…. não. Mas parece-me (note-se que ele não tinha certezas) que o carro está um bocadinho afastado do passeio.
Moi: Ah (Uiiiii... então é esse o grande dramaaaaa…)… obrigada… já lá vou…
Desliguei a pensar “fogooooooo… que paciência...  os homens são mesmo uns mariquinhas com esta coisa dos carros…”. Vou à janela verificar. Deparo-me com um estranho engarrafamento e o meu carro primorosamente estacionado…  no meio da estrada…

(note-se que me coibi de tirar fotografia para vocês não me acusarem de exibicionismo automóvel. Estão a perceber porque não me devem dizer essas coisas? É que eu sou muito sensível e vou na vossa conversa. E a verdade é que isto tinha sido muito mais divertido com imagem... e agora estou triste comigo própria...)

quarta-feira, 13 de março de 2013

Habemus dúvidas

I
Filho: Porque é que o Papa nunca mais aparece?
Moi: Devem estar a vesti-lo...
Filho: O quê?! Então ele não se sabe vestir sozinho?!

II
Moi para filhos: O Papa vai proferir a benção Urbi et Orbi...
Porteira, aqui pespegada: O quê?! Será que ele vai ficar com esse nome?!

III
Serei pouco católica?
Já passámos para o Nickelodeon. Filha, entretanto, não quer comer a sopa. Ameacei mudar para o canal do Papa...

Outra dúvida

Deverei fazer um cutxi-blog no Sapo? É que tenho algum receio que estejam cansados de aqui ler posts sobre as agruras monótonas de uma mãe de um cão de alcatifa....

Por aqui, também sai fumo negro...

Quem não tem um blogo-bebé, caça com um blogo-cão!