segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Depois a pessoa tenta entrar no site da Protecção Civil e a resposta é paradigmática...



Tenho estas perguntas entaladas desde Junho:

Quem foram as pessoas nomeadas para a Autoridade Nacional de Protecção Civil?
Por que razão foram essas as pessoas escolhidas?
Quem as nomeou?


É que qualquer um gere - melhor ou pior -em condições normais. O que eu gostaria mesmo de saber é quem é que o Estado escolheu para nos gerir a nós, à nossa vida, em caso de catástrofe.


sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Caramba, afinal a solução era tão óbvia...


Título: A Senhora num estado de nervos

Acrílico s/ tela
Dim: 120x123 cm



O que vês da tua janela, Palmier?

Primeiro não via  nada, que estava aqui no computador, com uma série de coisas para fazer, mas, de repente, ouvi um grito enorme, assustador, um grito de harakiri: aiahhhaaaaaaaa que me fez dar um salto na cadeira e meia volta instantânea para ver o que se passava lá fora. E lá fora estava um oriental agarrado ao braço da sua oriental, abanando-a com um ar desesperado. Caramba, pus-me em pé, abri a janela e quando ía dar um assobio daqueles quadrados, que ensurdecem qualquer um num raio de cem  metros, mete-se um autocarro pelo meio, que fica ali parado sem me deixar ver nada, eu com os dedos prontos mas sem poder assobiar, que ninguém havia de perceber o que raio estava eu a fazer, e a pensar que aquilo devia ser uma cena para o "e se fosse consigo", e lá ía aparecer à minha janela, extremamente passiva e sem fazer nada, e depois o autocarro passou e ele estava só em modo leão enfurecido, a andar de um lado para o outro, já não havia perigo iminente, mas eu mantive-me ali, firme e hirta, para ele ver que eu o estava a ver, depois ele foi-se embora muito depressa, aplicando a conhecida técnica das crianças no centro comercial, mas ela não foi atrás, e então ele voltou, falaram um com o outro mas ela não arredava dali, e ele então foi dar cabeçadas contra a montra de um banco, não contente despejou uma garrafa de água pela cabeça abaixo, e nisto estavam ali dois polícias, e eu a fazer sinal aos polícias e os polícias sem quererem saber, depois ele desapareceu outra vez, e depois voltou, agora estão ali os dois, já passaram várias fases, ele de pé a olhar fixamente para ela, ela sentada a olhar noutra direcção, ela de braços cruzados desafiadora a falar-lhe de cima para baixo, os dois a conversar de pé, os dois a conversar sentados, agora os dois sentados lado a lado, a chorar. 

E eu com tantas coisas para fazer, presa há mais de uma hora nesta novela da vida real.

* e depois, quando voltei a olhar, ela estava sozinha, olhos presos no infinito, e eu pensei, pronto, desta é que ele se foi de vez, e passaram-se mais uns minutos e nada, e quando eu estava quase a desistir da minha vigia, eis que ele regressa, armado com dois pastéis de nata, ela ainda se faz difícil, mas o poder do pastel de nata é muito grande, ela não resiste, pega no seu, dá uma dentadinha, ele dá-lhe um beijinho na cara, ela faz-lhe uma festinha e, quando acabam o seu docinho tipicamente português, vão-se embora os dois, abraçados.

E se isto não é um verdadeiro conto de fadas turístico, a épica história da "chinesinha carrancuda e o pastel de nata mágico", uma história digna de constar em todos os Lisbon City Guides, eat a pastel and feel the power of the magical bell, schnell, schnell, eat the pastel or your girlfriend will send you to hell, então não percebo nada disto.


quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Muito lindo, muito lindo, mas das coisas que eu estava histérica para ver... nada!

Até parece que me podia mudar já amanhã, não era? Pois...



O meu atelier, onde vou ser uma bué grande artista:


O lavatório... no chão, à espera que uma boa alma se decida a pô-lo no sítio...


E a cozinha! Eu julgava mesmo que hoje ía estar montada, até estava com aquelas dores de barriga de ansiedade enquanto subia as escadas...


E pronto. A cozinha estava de facto na obra... só que assim:


E lá fora, que continua em estado caos.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Palmier, a artista interactiva, vem pedir a opinião do leitor

O leitor prefere a versão : uma simples fúria totalmente enfurecida com nada em particular e com tudo em geral...


Ou uma fúria... absurdamente direccionada?





quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Olha, então o Nobel da literatura saiu hoje, no feriado?!

Raios... é sempre um dia tão Blogo-divertido, em que podemos passar a manhã a fazer a apostas e a dizer coisas, e a Academia faz-nos uma desfeita destas?! 

(mantém-se a minha cruel realidade: nunca li um Nobel antes de o ser)

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

A Grande Obra - fim de Outubro dizem eles...

Agora andamos nas pinturas - aquela coisa que não muda nada, porque na realidade já estava tudo branquinho - para, depois, voltarem a entrar os carpinteiros. E então lá estive a falar com o engenheiro responsável sobre uma série de detalhes, e depois juntou-se o carpinteiro para definir uma série de outras coisas, ah, e tal, a cozinha vem para a semana, diz ele, já vem toda feita, é só montar. As estantes nem quero pensar nelas, que aquilo vai ter de ser tudo feito à mão... o quê, pára tudo!, as estantes ainda nem estão começadas?!, hiperventilo eu. Ah, não, as estantes são a última coisa, e ainda devem demorar umas duas semanas a ser feitas, Paulo, está a ouvir isto?! ainda nem estão começadas e este senhor está a dizer que demoram duas semanas, portanto vamos fazer contas a três...alô, hoje é dia quatro de Outubro! Dlim, dlim, dlim, não sei se está a ver o mesmo que eu! E ele olha para mim cabisbaixo e diz-me muito infeliz, com os braços estendidos e as palmas das mãos viradas para fora, que anda ao contrário do país inteiro, que enquanto todas as outras pessoas desejam permanentemente que chegue o fim do mês, ele é o único português que os teme . É impossível não gostar dele.



Bem, uma vez que nunca mais fica pronta, ao menos que haja quem vá dando uso às instalações...


terça-feira, 3 de outubro de 2017

Brincar em (in)segurança

Às oito da manhã já estava a stressar no carro, que não sei o que raio se passa com o transito caótico desta cidade, que no último mês começo sempre a manhã a rugir aos deuses para conseguir passar aquele pacato quarteirão que, de um momento para o outro, se tornou demoníaco, depois lá passei o sinal in extremis, mas já com os minutos à justa para o resto do percurso até à escola, um percurso que me demorava menos de dez minutos e que agora passou para meia hora, mas lá tive sorte e conseguimos chegar a tempo, e no minuto que deixo os meus filhos respiro fundo e entro em modo zen, faço reset e recomeço a manhã do zero naquele bocadinho em que vejo o rio lá de cima, e hoje o rio estava chão, devia estar na mudança de maré e, sem vento, era uma massa de água gigante e totalmente imóvel, a reflectir a o céu, e fiquei a pensar como é que se podia descrever aquele rio que estava tão bonito, e então lembrei-me do mercúrio dos termómetros e de como era bom partir um termómetro quando era pequena, para poder brincar com as bolinhas de mercúrio que guardava religiosamente dentro de uma caixinha de plástico das ourivesarias, separava as bolinhas com um pauzinho e depois ficava a vê-las a correr por ali fora, para se juntarem todas numa bola grande e gorda de metal líquido. Parece que o mercúrio não é nada bom para brincar, mas era assim que, em tempos remotos, nós, os idosos, brincávamos. Também brincava com detector de mentiras do meu pai, uma coisa super idade média, com uns dínamos de metal e uns fios eléctricos que se colavam aos dedos e que davam uns choques eléctricos medonhos, e depois lembrei-me daquele dia em que a minha tia Lili me mostrou um revólver miniatura que tinha lá perdido numa gaveta, um revólver mesmo pequenino, que era tão giro e apetitoso, mas a minha mãe, muito avançada, disse logo que não gostava nada de armas, mesmo que fossem de brincar, e a minha tia Lili, sempre muito teimosa, quis mostrar à força que aquilo não fazia mal nenhum e vá de dar um tiro no seu próprio dedo. Vou abster-me de descrever o que aconteceu a seguir porque, afinal, o brinquedo não era de brincar. Tudo coisas super seguras, homologadas pelo Ministério do Divertimento do Século Passado. Depois o rio de mercúrio desapareceu e cheguei ao meu trabalho.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Vai dar (praticamente) ao mesmo

É que agora fiquei muito preocupada com estas coisas da moda, e então decidi que, também eu, me deveria inteirar das tendências e trazer-vos todas as novidades, isto porque vocês, já se sabe, são pessoas capazes de gastar um dinheirão para andarem para aí todas mal vestidas. Assim sendo, passemos imediatamente ao que importa:




Bonito par de Porquinhos da Índia





quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Atenção, pessoas, venham cá, rápido!

Tenho a comunicar-vos que temos cá uma delas, uma das nossas arqui-inimigas, uma comentadora-defensora, que, já se sabe, elas não perdoam e andam por aí, sempre vigilantes, verdadeiros ciclopes, perscrutando minuciosamente a selva blogosférica em busca de alguém que não siga os cânones da estação. Vá, venham até mim, tragam as vossas lupas e analisemos esta espécime raro, que saiu do seu habitat natural e se aventurou por estas longínquas paragens do inimigo. Este vai ser um episódio  do National Bloggraphic dedicado ao lado mais violento da vida selvagem blogosférica, em que nós, o exército das sereiopótamas, o conhecido exército das sereias-hipópotamas, temos a grande oportunidade de mostrar que somos da facção anti-calças e daquilo que somos capazes para defender as nossas convicções! Venham Sereipótamas! Vamo-nos a elas! En garde! Atacaaaaaaaaaar! 

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

E tu, Palmier, porque és mais tolerante com os bloggers que aprecias?

Porque, no fundo, os bloggers, os tais que escrevem os blogs de que gostamos, funcionam como os amigos imaginários das crianças - na sua versão adulto -, os amigos invisíveis com quem falamos, rimos e ocasionalmente nos zangamos - coisa de pouca dura, evidentemente- , que estimulam a nossa imaginação e que levamos no bolso para todo o lado.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Bem sei que não se interessam nada pelos meus problemas das pinturas

Mas não quero saber, talvez se falar sobre ele o consiga exorcizar, logo se vê, mas estou a ser atacada por um problema de perfeição. Caramba, nas primeiras pinturas ficava apenas maravilhada por ser capaz de fazer qualquer coisa e agora parece que nunca estou satisfeita, que podia fazer um bocadinho melhor e mais um bocadinho e ainda mais um bocadinho e outro bocadinho, sem saber parar no momento certo. E depois as pessoas dizem-me, em jeito de elogio - sobretudo com aquela pintura do meu pai-, ah, está tal e qual, parece uma fotografia, e eu encolho um bocadinho por dentro, que tudo o que não quero é pintar fotografias, que a velhaca da perfeição dá cabo da espontaneidade das pinceladas. Mas a coisa está, neste momento, incontrolável.

Devia haver um comprimido para este mal... 

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

E então, quando eu já estava prontíssima para arrancar para o Lidl, iuuuuuuúuuuuuuu, Lidl aqui vou eu

Recebo um telefonema da escola, ah e tal, é melhor vir buscar o seu filho, que ele magoou-se e não consegue mexer a mão, e a pessoa fica logo em barata tonta, onde está a carteira, as chaves do carro, adeus, adeus, já não devo voltar hoje, arranca por ali fora, coração nas mãos, chega à escola em cinco minutos, sobe as escadas de três em três degraus, entra por ali dentro e lá está ele, cabisbaixo, mão direita no colo, então o que aconteceu? ah, não interessa..., bem, então vamos lá, vamos ao hospital para fazer um rx, mas diz lá, como é que te magoaste? e então ele lá explica que dois colegas se zangaram, começaram a lutar e ele foi separá-los. Mas quando os foi separar um deles deu-lhe um estalo e ele vá de retribuir com um murro, um murro que, lá está, só magoou o esmurrante e não o esmurrado. Com a história esclarecida, e uma lição, como vês não se resolvem as coisas ao murro, lá chegámos ao hospital. Triagem, consulta, rx, ortopedista, e de todas as vezes lhe perguntaram o que lhe tinha acontecido, e de todas as vezes o meu lindo filho, o meu bebé - com a sua mummy assobiando para o ar em pano de fundo, estou aqui por acaso, que não o conheço de lado nenhum -resolveu abreviar a história e respondeu sempre e só:

- Então, desentendi-me com uma pessoa e dei-lhe um murro.

Assim, à papo-seco, sem mais nada, sem uma explicação, mesmo à homem das cavernas, do estilo, não se metam comigo que este é o meu método. 

Felizmente era só uma contusão.