sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Algum dia havia de acontecer...

Depois a pessoa tem as fotografias todas desorganizadas, umas num computador, outras noutro, outras que só estão no telefone, deixa cá arrumar isto, uma para aqui, outra para ali, olha, esta está só no telefone, tenho de a passar para o computador, mas não me apetece ir buscar o cabinho, vá de enviar por e-mail, de mim para mim, mas que raio?, o e-mail não chega?, vá de reenviar, e o e-mail não chega, que estranho...?!, vou tentar uma última vez...!, nada! olha quero lá saber disto, que já estou farta de arrumações.

Hoje pergunta-me aqui um colega de trabalho, que tem um endereço de e-mail que está guardado na minha lista de contactos imediatamente antes do meu, com a minha imagem aberta em grande, em enorme, em gigante, no ecrã do computador,  a minha imagem com uma dúzia de bananas na cabeça, por que razão lhe enviei esta curiosa fotografia repetidamente.






quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Nos blogs, como nos negócios, às vezes há surpresas

Vamos imaginar que há um blog que detém o monopólio de um determinado nicho de mercado, uma espécie de elefante dos blogs, aquele que se deixa andar, pesadão, um pé depois do outro, dá dois passinhos, tudo muito devagar, depois deita-se cansado, estica o pescoço, vai comendo uma ervinha aqui, outra ali, sem grande empenho, no fundo já sabe que não tem concorrente à altura, acomoda-se, não se esforça, é assim uma espécie de Caixa Geral dos Blogs, que vive daquela ideia maravilhosa da caderneta, a caderneta com que conquistou as suas velhas leitoras, aquelas que já levam para cima de setenta anos a ler blogs, as que estão de pantufinhas, tapadas com uma mantinha e com um TransAct nas costas, que, lá está, este tempo é muito mau para as cruzes. No fundo as velhas leitoras sabem sempre com o que podem contar, sabem que o Senhor Moreira, que não sendo de grandes conversas, está sempre pronto a aconselhar a constituição de um depósito a prazo com juros de 0,012%, não é muito, mas é um valor seguro, pois com certeza, e, hoje em dia, já se sabe, o melhor é não arriscar. Depois, um dia, quando já nada o fazia prever, quando a Caixa Geral dos Blogs até já tinha posto de parte a ideia da concorrência e estava deitada à sombra da bananeira com as suas velhas leitoras a abanarem folhas de lisonja verdejante, eis que lá longe, junto à linha do horizonte e envolto nas brumas, parece estar um novo blog. De princípio ainda se pensou que era apenas uma miragem, uma ilusão de óptica, que não passava de mais um devaneio inconsequente. Só quando a Caixa Geral dos Blogs se pôs repentinamente de pé com as suas grandes orelhas a perscrutar o ar e acusou o toque, é que sim, aí todos tiveram a certeza que havia ali concorrência à altura.



quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

...?

Eis que toca o telefone. Do outro lado uma mãe, uma mãe que vem solicitar uma visita à empresa, no âmbito do trabalho escolar da sua filha. Se era possível a visita, se podiam tirar fotografias, fazer umas perguntas. Claro que sim, diga à sua filha para nos ligar a marcar o dia em que pretende cá vir, que nós teremos cá uma pessoa para a receber e, nessa altura, a sua filha pode fazer as perguntas que quiser e esclarecer todas as dúvidas...
- Ah, não, nós é que vamos fazer as perguntas, que a minha filha só tem três anos... (e, perante o meu silêncio, acrescentou) mas a escola gosta muito de envolver os pais. 

E depois a pessoa até afasta o telefone do ouvido e fica a olhar para ele, para ter a certeza que não está com alucinações auditivas.



Não te preocupes, isso daqui a setenta anos é capaz de te passar!

Diz-me a minha filha (enquanto olhava, hesitante, para o conteúdo do seu guarda-fatos):

- Não sei o que se passa comigo, mãe...?!
- Então...?
- não sei... eu quero vestir uma roupa, depois quero outra, depois afinal não gosto, e, olha, é uma grande confusão.


Foi então que parei tudo o que estava a fazer, encaminhei-a gentilmente para o escritório, fechei a porta, sentámo-nos frente a frente, respirei fundo e, muito séria, olhos nos olhos, comecei então a explicar-lhe:

- Filha, o problema das mulheres... (...)

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

É que agora parece que não há dia em que o sacana do Estado, qual cobrador do fraque, não nos entre pela porta dentro – e o mais extraordinário é que nunca tem razão.


Por todas as letras publicitárias colocadas na cobertura ou na fachada de um edifício que dê para a via pública, paga-se uma taxa. Pelo nome de uma loja, restaurante, de uma empresa, um néon, uma bandeirola, tudo paga taxa. Ora, no ano passado essa taxa era cobrada pela Câmara Municipal, que, para apurar o seu valor, pediu aos vários agentes económicos que preenchessem um impresso indicando a área dos seus dizeres em metros quadrados. Este ano essa competência passou para as Juntas de Freguesia. Hoje apareceram aqui os fiscais da Junta de Freguesia, muito bem equipados com os seus caderninhos e fitas métricas e, pelo que percebi, já tinham estado a fiscalizar outras empresas. Era, portanto, suposto que soubessem bem o que estavam a fazer. Mas não, os fiscais insistiam que a nossa declaração estava incorrecta, que os nossos dizeres tinham bué de metros e que, portanto, tínhamos de apresentar uma correcção à declaração, que estávamos a dever uma dinheirama à Junta de Freguesia, que a declaração que tínhamos feito não tinha nada a ver com a dimensão real dos nossos dizeres e que éramos, basicamente, uns caloteiros.


Foi muito difícil explicar-lhes a diferença entre metros lineares e metros quadrados. 




Eu bem sei que vocês aproveitam todas as oportunidades para vilipendiar o meu belíssimo cabelo (de tal forma que o pobre coitado sofre de um grande problema de auto-estima, o que me obriga a ter de o levar duas vezes por semana às consultas de psicanálise)




Pois fiquem sabendo que já dá para fazer um rabo-de-cavalo!




segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Porque também eu sou extremamente moderna e capto as tendências num estalar de dedos!


(pronto, agora sim, posso ir trabalhar!)


Pronto, já vi tudo.

Já não há mais nada a dizer sobre os Oscares.



E estas?

Foram à Zara e trouxeram vestidos iguais, que estavam com uma promoção catita, a 19,99 €? 



Olha, também vou falar dos vestidos!

Oh pah! Amei! É de longe a minha favorita! 



Estava ali a lavar o pirex do almoço, que aquilo estava mesmo com a sujidade incrustada, quando a Maria Alzira se assomou à porta da cozinha e me disse "bá, bamos lá, que já estamos atrasadas para apanhar a camineta das 19h48 para os Oscares", e eu, olha, vim mesmo assim, com as luvas de lavar a loiça.



sábado, 21 de fevereiro de 2015

E porque nunca foste particularmente feminista, Palmier?

Porque cresci absolutamente convicta que a generalidade das mulheres são mais capazes que a generalidade dos homens. E, como tal, vamos inevitavelmente tomar conta disto tudo. É apenas uma questão de tempo.



quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

OMG! OMG! É finalmente a consagração internacional!

Oh mãe, oh mãe, olha nós no Instagram!





Ok, não somos nós... mas para este efeito somos todos Canis, não é verdade?


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Olha, afinal ainda há mais uma!

Tendo em conta que este foi o Carnaval Frida Kahlo, Canis fez de tudo para corresponder às expectativas.


O meu aplauso de pé para a minha própria fotografia! 




domingo, 15 de fevereiro de 2015

Ainda estou a processar o que se passou ontem ao almoço

Antes de virmos para o Algarve, e para despachar, fui com os meus filhos almoçar ao McDonald's de Belém. Tudo muito bem. Na verdade, e peço desde já perdão aos amantes dos hambúrgueres spa-concept-trendy-luxury-gourmet, até que gosto do cheese burguer do McDonald's.
Pois que lá fomos para a fila, trouxemos os nossos tabuleiros, dois Happy Meals e o dito cheese burguer, vá de dar a volta ao  local, as mesas todas ocupadas por pessoas que estão simplesmente a marcar mesa. Um clássico. Fomos lá para fora, para a esplanada, sentámo-nos, vá de organizar os tabuleiros, com um pombo nojento a passear-se em cima da mesa do lado, isto é para ti, isto para ti, oh mãe, que impressão, o pombo só tem uma pata!, deixa, não olhes, isto para mim, oh mãe e o ketchup? Olha esqueceram-se, mas agora comes assim que temos de nos despachar, lá dou uma dentada no hambúrguer, oh mãe e a palhinha? está aqui, dou outra dentada, faltam os guardanapos!, lá me levanto, resignada, para ir buscar o raio dos guardanapos e já agora aproveito e trago o ketchup, vou ao balcão, aceno lá de trás, da fila, à menina da caixa, olhe, esqueceu-se do ketchup, ai desculpe, está aqui, pego no ketchup e volto a sair para a esplanada. E quando saio para a esplanada... quando saio para a esplanada... deparo-me com o seguinte cenário:

As pessoas da esplanada todas levantadas, todas em volta da nossa mesa, tudo a esbracejar, nem conseguia ver os meus filhos no meio daquela confusão, coração a gelar, o que raio se está a passar, furo por ali fora em autómato, vejo a minha filha toda encolhida na cadeira, o meu filho a abanar a caixa do Happy Meal selvaticamente e dezenas de pombos, e volto a frisar, dezenas de pombos em cima da mesa a atacarem o meu almoço, a devorarem as minhas batatas, a bicarem o hambúrguer, pombos assassinos sem uma ponta de medo, e eu a enxotá-los e eles nada, não desistiam, e eu a bater os braços, parecia mesmo um abutre assustador, eu, pelo menos, estava com muito medo de mim própria, e eles nada, e eu a dar saltos em volta da mesa, a dar gritos histéricos, xooooo, xooooo, e eles nada, cada vez vinham mais pombos, pombos destemidos, pombos por todo o lado, os miúdos a esconderem as suas Happy Meals, e eu a achar que de happy não tinham nada, até que lá consegui pegar nas minhas ex-batatas e, num golpe de génio, atirei-as para longe, os pombos lá foram atrás das batatas voadoras, vorazes, de seguida atirei o hambúrguer, os poucos que tinham ficado para trás arreganharam os bicos ao hambúrguer, como hienas esfomeadas, e eu, quando finalmente me vi livre do perigo, sentei-me ofegante, com as pernas a tremer, as pessoas todas a olhar para mim, com olhares solidários e lágrimas de pena, uma espoliada sem-almoço, a dar aos braços, tipo espantalho, enquanto os meus filhos acabavam de comer a unhappy meal, tal e qual a Melanie Daniels de Belém Bay. Julgo até que, a páginas tantas, vi o Hitchcock a passar sorrateiramente lá atrás.