sábado, 27 de setembro de 2014

Se fizesse um post em tempo real

Era bem capaz de escrever sobre esta trovoada que deve pairar por cima do mar e da qual só oiço os trovões. Estalam lá longe e entram pelo vale aos encontrões, vêm a rolar pelos montes acima e só param em Mafra. Sente-se o som a passar, a rebolar com fúria por aqui fora, a rugir como se fossem carros potentíssimos numa auto-estrada voadora. Também oiço os cães a ladrar aos trovões, excitadíssimos com o medo, ladram para todos os lados sem perceber de onde vem o perigo.  E aqui, no meio do campo, com os trovões a passar e os cães a ladrar com medo, percebo bem por que razão se construíam tantas igrejas.

15 comentários:

  1. Estranho: não vejo nenhuma!

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    1. Não estava a dizer "aqui", estava a dizer no geral. Que, no campo, sem contacto com outras pessoas, ou sem acesso ao conhecimento, uma trovoada transforma-se num fenómeno sobrenatural...

      (ainda assim, aqui onde estou, consigo ver o zimbório do Convento de Mafra)

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    2. Ná ná ná! Disse aqui! Aqui mesmo! No meio do campo!
      Escusa de querer dar a volta ao texto que disse Aqui! Aqui mesmo no meio do campo!

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    3. (eu) aqui no meio do campo... percebo a razão.

      Eu, não as igrejas...

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  2. Palmier, sou original duma pequena aldeia. A minha mãe sempre nos ensinou a temer e respeitar a trovoada. Lembro-me de me fechar num quarto interior, sem janelas, com as minhas irmãs, a rezar; tínhamos uma Nossa Senhora daquelas verdes que brilham no escuro. Mas o que nos perturbava mais era que a nossa mãe dizia sempre "olhem Jesus a ralhar!" e lá ficávamos nós a rezar muito, aterrorizadas, e a pensar se teríamos feito algo de errado que desagradasse a Jesus...
    Antigamente era fácil assustar os miúdos. Hoje é tudo tão diferente, não é?

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    1. Na cidade quase não se dá por elas... no campo, e aqui onde estou, que os trovões fazem eco, é muito fácil ter medo :)

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    2. Ter medo... não assustar, claro. E isso faz toda a diferença :)

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    3. Pois é, o céu é imenso... :) Sinto falta disso. Curiosamente eu só deixei de ter medo por causa das aulas de físico química, quando aprendi que multiplicando os segundos decorridos entre o raio e o trovão pela velocidade do som obteria a distância do fenómeno; nessa altura ia eu ter com a minha mãe a avisar "calma! ainda está a x km!!" lololol

      Mas sobre o medo... no campo as crianças são amedrontadas com meia dúzia de personagens e eventos que devem fazer as da cidade rebolar a rir! Lembro-me da história do homem que à noite se transformava em besta, e havia sempre alguém que já o tinha visto lol depois eram as coisas estranhas que aconteciam à noite, claro, nos cemitérios, nos cruzamentos, etc... e mais os sapos de boca cosida e as histórias de possessões que afectavam sempre um familiar dum amigo ou amigo de amigo...

      Resumindo: sou tão feliz na cidade!!! =) ahahah

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  3. Nõ eram trovões. Eram os pums do Mateus através dos alitifalantes do El Corte Inglês!

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