sexta-feira, 5 de abril de 2013

Depois de um abraço sentido

Filho: Como é que tu és tão boa mãe?
Moi: Achas? Ainda bem... ás vezes tenho medo de não ser...
Filho: Não te preocupes... as outras mães também são muito chatas...

Ah... assim sendo, estou muito mais tranquila...

Reparem bem nos nossos progressos!

Pequena Cutxi também já está a aprender a andar na minha anca!

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Eu acho que isto me vai dar um post tão grande que devia parti-lo em quatro e apresentar uma parte todos os dias a partir das 14h00...


Agora a sério... oh pah, oh pah... já não aguento mais o país empreendedor. Uma pessoa acorda e a primeira coisa que deve pensar é: E então, como é que vamos empreender hoje? E um alemão que nos ouvisse até podia pensar que nós éramos um povo dedicado à criação de empresas de maquinaria pesada, aeroespacial, metalúrgica, metalomecânica... mas... não! A nossa ideia de empreendedorismo passa por handy-craft. Somos o país do handy-craft. Handy-Craft é o novo desígnio nacional. Mas, reparem, não é um handy-craft qualquer, é um handy-craft tradicional. É um handy-craft que passa por fazer uma bolsinha ou forrar uma agenda com um tecido fofinho, um handy-craft que passa por estampar t-shirts que importamos da China com uns suspeitos cês interligados, um handy-craft que passa por enfiar missangas em fios de nylon e... tcharan(!)... Handy-Craft culinário!
Sim… nada melhor do que empreender por entre tachos e panelas. Uma pessoa acorda de manhã e nem precisa de tomar banho! Pode ir logo empreender para a cozinha, fazer biscoitos artesanais em caixas de design. Os biscoitos que a avó Maria fazia lá na terra, naquele cantinho escuro do curral e que... ah... lembram-se… eram tão bons! Coisa gourmet, portanto! Somos todos empresários, Chefs de cozinha, juntamos um bocadinho de carne de porco ao chocolate e reinventamos antigas receitas para proporcionar prazeres intensos de tradição ancestral e apelar assim às origens. É esta a forma que encontrámos para asseguramos experiências uns aos outros. Ah... e as experiências? Que boas que são as experiências. Ficam-nos para a vida. Nunca mais olvidaremos o dia em que trincámos aquela fatia de pão-de-ló e, lá de dentro, nos saiu aquele recheio de foie-gras de ganso. 
Oh pah… a sério... se querem experiências, regresso às origens e handy-craft eu tenho uma ideia muito melhor. Vou abrir uma loja com galinhas, cabras e ovelhas e vocês vão lá, apanham os ovos directamente da capoeira, podemos chamar-lhe "Ovos em Sua Caca" (para ser mais gourmet) e fazem vocês, com as vossas próprias mãozinhas, os vossos próprios biscoitinhos, com a receita da vossa própria avozinha, ordenham as cabras e produzem os vossos próprios queijinhos, tosquiam as ovelhas e fazem as vossas próprias camisolas, moem a farinha e depois vão à floresta apanhar uns galhos para cozerem o vosso próprio pãozinho. E pronto, aqui temos uma bela ideia super, super, super, empreendedora. Isto sim, isto seria uma ideia nova, uma ideia original, uma forma de proporcionar verdadeiras experiências. Isto sim seria handy-craft, isto sim seria trazer até vocês o sabor intenso da tradição. É claro que isto vos iria sair um bocado caro porque, lá está, estamos a falar de produtos gourmet e de experiências raras, renascidas de um passado remoto. Mas garanto-vos, iam adorar! Era sucesso garantido! Ia aparecer nas revistas como o exemplo a seguir. Seria catapultada para a fama, passaria a ser o vosso modelo. Eu, a cidadã citadina, que deixou tudo para trás para conseguir trazer até vós os melhores sabores de antigamente!
Ou então, tenho uma ideia ainda mais revolucionária… um verdadeiro regresso às origens… compro uma caverna e vocês vão lá passar uma semana. Caçamos mamutes, fazemos fogo com paus e pedras e aproveitamos o pouco tempo livre que nos restar para fazermos um work-shop de pinturas rupestres...

Alinham?

Little C e as peças de família

Little C a tentar escolher com qual das amorosas rocas de prata prefere brincar hoje. É claro que as nossas rocas são peças de família passadas de geração em geração e que não foram recuperadas porque, lá está, preferimos deixá-las assim, com a patine que vem do nosso tetra-avô Afonso. Afonso Henriques, claro! Mas descansem que ela adora o verdete! Faz-lhe lindamente aos dentes.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Esta, contaram-me ontem...

Antes de mais, e para que se possam situar, têm obrigatoriamente de ler ISTO.

Ok. Agora que já leram e estão devidamente contextualizados, podem seguir para bingo.

Um belo dia o meu pai convidou para irem a sua casa um grupo de colegas e respectivas mulheres sendo que, com parte deles, fazia bastante cerimónia. À hora combinada o grupo apresentou-se em sua casa, os homens engravatados, as senhoras de saltos altos e casacos de peles, colares de pérolas rentinhos ao pescoço e cabelos armados com laca, muito formais. Entraram, sentaram-se, elas muito direitas, com as suas saias travadas muito esticadas, joelhos muito juntos e as pernas em ângulo de 45º face ao chão, as mãozinhas de unhas pintadas de nacré a agarrar as carteiras de alça curta que mantinham no regaço, olhando em volta disfarçadamente. Eles mais à vontade, afinal eram colegas, mas ainda assim sem muito para dizer, a tentar encontrar o assunto certo para o serão. E foi neste momento que bateram à porta. Pum, pum, pum. O meu pai foi abrir e lá fora apresentava-se a namorada do seu amigo. Entra, entra… disse o meu pai. A namorada entrou e deparou-se com aquela interessante plateia, mesmo, mesmo, a pedir um espectáculo. Sim… uma assistência assim não pode ser desperdiçada. Assim sendo, avançou segura para o meio da sala pegando, pelo caminho, numa enorme pena de pavão que se encontrava numa jarra e subiu para a mesa de centro onde iniciou uma dança. Não era uma dança qualquer. Era uma dança erótica. Uma dança que foi aquecendo e que não cedia aos  “então… então…” proferidos docemente pelo meu pai. Uma dança erótica que rapidamente se transformou num streap-tease. Um nu integral. Uma dança que consistia num menear de ancas e num roçar provocativo da pena de pavão nas caras dos colegas do meu pai. As senhoras já descompostas, cabelo acachapado na nuca, cabeças coladas aos sofás como se estivessem a ser vítimas de uma oculta força propulsora, acompanhavam com os olhinhos esbugalhados aquele singular acontecimento, sem saberem se tinha sido encomendado para o efeito ou se era efectivamente espontâneo. A dança durou, durou, até que a actuação findou tal como tinha começado. Sem aviso prévio. A namorada do amigo, sentido que o espectáculo estava completo e que já tinha trazido toda a alegria necessária àquela casa, vestiu-se e foi-se embora. Apesar do enorme elefante que ali deixou na sala, a conversa continuou como se nada se tivesse passado, como se aquele momento mais não tivesse sido que uma alucinação colectiva. No entanto acredito que, ainda hoje, tantos anos passados sobre este acontecimento, aquelas senhoras acordem a altas horas da madrugada com terrores nocturnos a recordar o dia em que os maridos as levaram àquela casa... a casa de streap-tease disfarçada de morada familiar…   

Não... não julguem...

Não julguem que lá porque sou uma sem-exaustor condenada a alimentar-me eternamente a enlatados, que o meu jantar de ontem não teve imenso estilo!
"Salsichas em Sua Lata com Lama de Batata e Salada de Folhagem Verde em molho instagramizado"
(Mais uma maravilhosa receita do vosso Chef Palmier)

terça-feira, 2 de abril de 2013

O que é isto, hã?! Quem é que me quer assim tanto mal?! Quem pretende arruinar a minha reputação?! Quem ousou colocar um Smiley no meu blog?!

Foi sabotagem! Juro pelos Blogo-Deuses!

और आप?इसके अलावा समोसे पसंद है?

Ontem depois de um agreste dia de trabalho e quando recolhia à minha habitação, mal abri a porta do prédio, fui violentamente agredida no meu blogo-nariz por um hediondo cheiro a caril. Pensei de imediato de mim para mim que aqueles vizinhos não tinham salvação, vejam-me lá isto… se à entrada do prédio está este cheiro, imagino lá dentro… nas casinhas deles. Que grande horror! Esta gente (pensei assim mesmo, com desprezo, levantei o meu pequeno nariz arrebitado e olhei de lado com uma cara de superioridade nunca antes vista) não tem mesmo noção. Que nojo (pensei mesmo assim, com estas palavras: “que nojo!”)! Prendi a respiração e avancei veloz até à minha porta. Aí chegada e já praticamente a sufocar, rodei rapidamente a chave na fechadura, abri a porta e… pás! Fui chicoteada por uma gigantesca nuvém de um espesso CHEIROOOOO A CAAAAAAAARIL. A sério pessoas! Era da minha casa! Da minha própria casa! Voltei a fechar a porta e respirei fundo. As ideias rodopiavam na minha cabeça, comecei a pensar em hindu e, como tal, não percebia os meus próprios pensamentos. Como é que aquilo era possível? Depois de uns minutos de habituação a esta nova realidade, ganhei coragem e voltei a abrir a porta. Os meus filhos apareceram a correr, coitadinhos... pareciam felizes, as minhas pequenas chamuças. Saltaram para o meu pescoço e eu senti o odor do pó amarelo nos seus sedosos cabelos. Pobres criaturas… estavam praticamente gaseadas e a adquirir uma tonalidade amarelo-esverdeada. Agarrei-me às paredes a tentar contrariar as vertigens que insitiam em querer atirar-me ao chão. Apesar das dificuldades, consegui chegar até à cozinha para perguntar” o que era aquilo?!”, como?! Como é que o Inferno tinha entrado desta forma insidiosa em minha casa?!”
“Foi o exaustor!”, explicaram-me, “avariou!”…
Hoje, por causa das coisas, determinei que o jantar fosse constituído apenas e só por uma lata de salsichas…

Pergunta de resposta fácil

Afinal de contas, quem é a verdadeira blogo-fashionista, quem é?

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Este fim-de-semana, para além de carraças, trouxe-nos outras coisas…

Tudo começou com a preparação da ida.
Em que carro vamos? Pensava eu que, esta, era uma pergunta meramente retórica pois, como toda a gente sabe, o homem desloca-se sempre em viatura melhor e mais potente que a da mulher e é sempre essa a viatura utilizada para cobrir grandes distâncias. Mas… tcharan!... a estrada era má, logo… a viatura a utilizar deveria ser, evidentemente, a minha. Não interessava minimamente que a luz da revisão estivesse acesa há mais de duas semanas. Não… isso não interessava mesmo nada. Interessava apenas que o meu carro fosse mais “alto”. E não! Não é um jipe, não é um SUV… é, apenas, um carro ligeiramente mais alto, logo o mais adequado para cruzar montes, vales e riachos (e ficar cheio de lama, e imundo - esta parte ele não disse, claro!). Mas… mas… e se se avaria? Avariar?! Claro (?!) que não se avaria… está decidido, vamos no teu!
Posto isto, lá fomos. Eu de co-piloto segurando firmemente dois mapas nas minhas mãos. Um enviado por e-mail (o que deveríamos seguir e que nos levaria directamente à casa, por via terrestre), outro que imprimi do site do local (muito mais simples e, portanto, o eleito por este vosso maravilhoso co-piloto). Claro que nos perdemos. Claro que o meu GPS está desactualizado, claro que não havia rede em lado nenhum, claro que parámos em mil localidades perguntando aos habitantes o caminho, claro que eles não sabiam, claro que nos davam indicações contraditórias, claro que já era de noite, claro que estava a chover, claro que filhos choravam pedindo-nos para regressar a casa, claro que comeram um pacote de bolachas e sujaram o carro todo de migalhas (perdão Tio Pipoco… já providenciei a lavagem), claro que se batiam, claro que eu gritava enquanto continuava agarrada ao mapa, porque é do conhecimento comum que as mulheres têm um sentido de orientação muito mais apurado. Quando, finalmente, acertámos com a estrada eu fui debitando com toda a segurança e um brilhozinho de vitória nos olhos, as últimas orientações eis que chego à última indicação e deparo-me com… isto:
É claro que ninguém nos ia buscar de barco, claro que nada disso estava combinado… claro que estávamos, apenas e só, na margem errada da barragem…
P.S.  E quanto àquilo do carro não se avariar, é por demais evidente que, hoje de manhã, a luz do óleo acendeu…

domingo, 31 de março de 2013

Por que sei que sentem falta que, também eu, vos deixe aqui umas receitas de chef Michelin

Hoje decidi brindar-vos com uma receita maravilhosa
 "Palmier em Forno de Lenha"

Por que é que o campo das outras é melhor que o meu?

É que não consigo perceber... fiz uma blogo-ronda e deparei-me com crianças vestidas de pequenas czarinas a passear pelo campo. Saias tufadas e merceditas no meio da erva alta. Imagens belas e românticas de como deveria ser uma verdadeira interacção do Homem com a Natureza.
Já nós... fomos totalmente armadilhados. Calças, meias por cima das calças, botas por cima das meias e voltámos... tcharan!... com carraças! Não. Não estou a falar de pequena Cutxi, estou mesmo a falar de filhos! Ontem deparei-me com duas (DUAS!) carraças. Uma por cada filho. A sério pessoas... entrei em transe. Esquadrinhei cada milímetro quadrado do corpo de ambos. Mudei a roupa toda, fechei a usada hermeticamente, peguei numa caçadeira e sentei-me hirta e vigilante numa cadeira de madeira desconfortável para não correr o risco de adormecer e ser atacada por uma carraça mais aventureira. Quando filhos foram para a cama, disse-lhes para me chamarem no caso de sentirem alguma comichão. Levaram à letra. Chamaram-me durante toda a noite. Toda! Eu já não acreditava... sabia que não era nada, mas era mais forte que eu... mãeeeeeeee, tenho uma comichão no braço, mãeeeeeeee, tenho uma comichão no pé, mãeeeeeeeee tenho uma comichão no pescoço, na barriga, na cabeça, na perna, no ombro... a sério pessoas... não preguei olho. Por um lado tinha de vigiar o potencial ataque de um exército de carraças, por outro tinha de verificar as comichões...
A sério... foi com um verdadeiro alívio que abandonei a Natureza. Agora que já aqui estou na cidade (nunca o cheiro a escapes me soube tão bem) e com fundados receios de ter uma praga de carraças em casa, guardei as malas na arrecadação para posterior desinfecção.
E, depois de toda esta azáfama, depois de chegar totalmente arrasada do meu fim-de-semana de relax campestre, sentei-me aqui no sofá (sempre com um olho alerta para qualquer ponto escuro em movimento que possa entrar no meu campo de visão) a sentir a injustiça e a perguntar-me: 
- Porquê?! Por que é que o campo delas é muito melhor que o meu?

Ah... que Primavera tão agradável...

:))

sexta-feira, 29 de março de 2013

Hoje deu-me para isto!

Estive quase para vestir um vestido da Sfera mas, depois, decidi-me antes por esta bonita camisola que tinha colocado ao acaso na mala e que, surprise(!), encolheu de tal maneira que estaria maravilhosa caso eu tivesse doze anos. Como nunca trago roupa a mais, tenho finalmente a desculpa perfeita para andar a mostrar o umbigo! Yeahhhh!
P.S. Só é pena não haver testemunhas...

O que vês da tua janela, Palmier?

Afinal, pensando melhor, talvez não me importe assim tanto de estar isolada do mundo...

Tio Pipoco, sei que vai ficar solidário com o sofrimento alheio...

Consorte: Sabes que música é esta?
Moi (mesmo satisfeita com a minha própria sapiência. Desta vez tenho certezas. Desta é que vai ser! Ah-ah! Desta não me escapa! Vou mesmo acertar! ):
- É a música do 2001, Odisseia no Espaço!
Consorte, fecha os olhos, deita as mãos à cabeça, reabre-os lentamente enquanto abana a cabeça da esquerda para a direita e baixando os braços num gesto de derrota, profere num murmúrio acompanhado de um esgar de dor:
- Also Sprach Zarathustra...

quinta-feira, 28 de março de 2013