sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Porque não houve aqui uma palavra sobre O assunto?

Porque, as coisas são como são e, enquanto se alimentar o bicho da língua venenosa, ele sentirá cada vez mais apetite e quererá cada vez mais. Quererá o arroz da Isabel, o lugar da Isabel, os louros da Isabel, a cabeça da Isabel, a existência da Isabel. Porque, no fundo, ele é insaciável e não há Banco Alimentar que o consiga satisfazer.
É que, enquanto o espelho mágico lhe disser “A Isabel é mais altruísta do que tu!”, o bicho não repousará. O bicho prosseguirá nos seus intentos até que o espelho mágico lhe responda: “tu és o mais altruísta de todos”.

14 comentários:

  1. Acho que o problema nem é tanto o altruísmo da Isabel. É mais o facto de a Isabel se deslocar num automóvel alemão, de ganhar um salário apetecível, enfim de a própria Isabel não ter de se alimentar de arroz e farinha oferecidos. Se a Isabel andasse meio andrajosa, vivesse na Cova do Mouro, ninguém lhe quereria tirar o lugar. Como tal não se passa temos uma cambada de alarves, imbecis, incapazes de compreenderem uma metáfora (infeliz, é certo), que do alto das suas poltronas deixarão de contribuir para o banco alimentar. Isto em defesa dos pobres, claro está!

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    1. Está tudo relacionado… altruísta, altruísta, só podem ser os pobrezinhos…

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    2. Acho que a Isabel tem muita razão, desculpem lá, a Isabel vive acima do nivel de pobreza, mas os portugueses vivem acima das suas possibilidades? vivem! não se habituam a viver com menos? não! Não há sustentabilidade de Portugal.
      Conheço pessoas que comem nestum porque preferem fazê-lo para gastar nos adereços de ostentação (carros de alta cilindrada a emprestimos que não conseguem já pagar, a não ser que cortem nalgum sítio)...os meninos estão em casa dos pais e os pais continuam a educar mal os filhos (conheço tantos casos pessoalmente), a passar dificuldades para dar aos filhos tudo aquilo que eles querem...
      os portugueses têm de ver que têm de mudar. E o pior é que ninguém quer descer do seu banquinho. Choca-me esta proliferação de fashion bloggers centrados em bens de consumo que não podem ter, choca-me a sociedade centrada em merdas que não interessam, os portugueses são sabem prioritarizar nem fazem concessões, tenho pena, mas aceitem a realidade pá!!
      Não creio que a Isabel se esteja a referir só aos pobrezinhos, acho que ela se refere à classe média que desapareceu na prática, vamos lá ver: numa crise os ricos e os pobrezinhos nunca são afectados, uns não já têm nada e outros continuam a ter demais, a classe média é que sofreu o maior empobrecimento desde a ditadura, a classe média que engordou nos 80 com a entrada da união europeia, a classe média que ensinou e criou mal sos seus filhos (os mesmos que não conseguem abdicar daquilo que consideram um dever, mais do que um direito), opá desculpem-me mas os portugueses não podem querer mais paninhos quentes, custa-me ver que não aceitem a verdade e que se escudem numa de : ahhhh ela não sabe porque não é pobrezinha....

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  2. Já comentei noutro blog, que falo o que penso, e não gosto de autos de fé...

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  3. àté já querem a demissão da senhora? mas tá tudo doido? voltámos à ditadura?ninguém pode dizer a verdade e o que pensa nesse país??
    ai Portugal, Portugal...como diz o Palma

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  4. "Na minha família os animais domésticos não eram cães nem gatos nem pássaros; na minha família os animais domésticos eram pobres. Cada uma das minhas tias tinha o seu pobre, pessoal e intransmissível, que vinha a casa dos meus avós uma vez por semana buscar, com um sorriso agradecido, a ração de roupa e comida.

    Os pobres, para além de serem obviamente pobres (de preferência descalços, para poderem ser calçados pelos donos; de preferência rotos, para poderem vestir camisas velhas que se salvavam, desse modo, de um destino natural de esfregões; de preferência doentes a fim de receberem uma embalagem de aspirina), deviam possuir outras características imprescindíveis: irem à missa, baptizarem os filhos, não andarem bêbedos, e sobretudo, manterem-se orgulhosamente fiéis a quem pertenciam. (…)”

    (António Lobo Antunes, retirado daqui http://marioruivo.wordpress.com/)

    Grave não são os bifes, os concertos, as radiografias ou a água que os filhos da senhora gastam (com o seu consentimento, portanto). Grave é o facto deste texto espelhar o modelo de sociedade que esta senhora (ainda que envergonhadamente) preconiza. Grave é que tudo isto não deixa de ser coerente com a caridade (sim, caridade, porque é SÓ disso que se trata) que esta senhora pratica há 20 anos para com quem é pobre e tem obrigação por isso de se conformar, aceitar o arroz e a pobreza e desistir de Querer, de Lutar e se Sonhar.

    Mais grave que todos os disparates que esta senhora disse é o facto de vivermos num país, em que existe ainda tanta gente que não consegue sequer perceber a gravidade desta deste tipo de discurso. 1974. De facto tão perto e tão longe.

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  5. Mas anda tudo doido????? No Português que eu aprendi,o que a Sra. disse é a mais pura verdade!! Dêm a volta que quiserem,mas o essencial está lá: Meninos que não sabem viver sem os brinquedos de última geração,concertos,bairro-alto,carta aos 18 anos,pópó atc.,etc!!!!!

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    1. Pela idade, talvez seja eu uma dessas Meninas que fala, mas só pela idade. Na verdade, não sei de quem fala, talvez dos seus filhos. A educação que os meus pais, de classe média, nos proporcionaram (a mim e aos meus dois irmãos) não se coaduna com esse tipo de mentalidade e olhe que somos, todos, Portugueses. Generalizações são sempre más e perigosas, principalmente, quando não falamos apenas por nós numa qualquer esplanada de café, mas sim, em representação de uma instituição com peso na sociedade da qual depende. É preciso mudar mentalidades? É. Mas tanto é preciso mudar a mentalidade do que vive acima das suas possibilidades, do que não sabe priorizar, como daquele que considera que, nos dias que correm, não existe fome. Acho que quem defende o que a sra. disse está a ler as coisas como gostaria que tivessem sido ditas, apenas e só. Não ponho em causa a sua obra, a sua capacidade de trabalho ou a sua bondade genuína mas que me soou a hipocrisia não o poderei negar. Escolheu mal as palavras e foi demasiado longe quando afirmou que em Portugal não havia miséria, só se for no Portugal dela, e vosso, já que concordam com tudo o que a Sra. proferiu. Já agora, avisem-me onde fica esse país, também estou interessada em ir para lá.

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  6. O melhor post que li sobre este absurdo assunto.

    Isabel

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  7. Repito o que disse algures.
    O povo necesita de facto de heróis e aqui arranjou-se mais um.
    O que a santa isabel disse, tem realmente um fundo de verdade. A malta gosta é do carro com menos de 5 anos, do grande telefone, das férias pagas a crédito e nada de ir para o algarve ou ficar em Lisboa a conhecer todos os recantos. Isso não são férias!
    O que a jacinta marto não pode dizer ou fazer é armar-se em esperta, em mestre escola e a dar liçoes de moral aos pobrezinhos que ela tanto ajuda, com o seu tempo e dinheiro (pois sim...).
    A santa quitéria tem uma agenda politica e isso já se sabe. Não há miseria? LOL!
    Ela que ande mais a pé, ou de metro ou de autocarro, ou então que vá à mouraria, alfama, que ande por ai sem ser de carrinho.
    Não venham com merdas destas conversas que ela foi frontal e mais não sei o quê. A senhora, que nem educar os filhos consegue, já que respeito pelo meio ambiente será quase nulo, precisa que hajam muitos pobrezinhos para poder dizer às amiga enquanto joga gamão.
    Há miséria sim e nem todos os miseráveis gastam em bifes ou bilhetes para a merda do RIR. Há todo o tipo de gente em todo o tipo de classes sociais.
    Quanto a mim, quero que a sasntinha de pau oco, vá pedir arroz à sonae e à jerónimo martins, porque deste lado não leva nada há muito tempo, para aprender a não meter associações de apoio aos animais em tribunal.
    Como era o anuncio? Portugal não é só teu, e isto não é a quinta da imbecil da jonet! Nem dela, nem dos amiguinhos dela!

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