quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Curiosamente…

Muito mais que preconceito de género ou discriminação por ser mulher, hoje em dia o que sinto na pele é, isso sim, a pressão, a quase obrigatoriedade, de aderir a determinadas correntes de pensamento…

38 comentários:

  1. Curiosamente...acontece o mesmo comigo.

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    1. Yap, tenho a sensação que anda a acontecer isso a muita gente. E isso é um problema não apenas para as mulheres mas para as pessoas em geral...

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  2. Houve uma vez que me senti profundamente discriminada.Foi quando numa reunião de pais do colégio da minha filha, a senhora que estava ao meu lado me diz que os alunos das turmas de humanidades eram os mais burros. Só ia para essa área quem não tinha capacidade para mais.
    Senti-me profundamente burra.
    Quanto ao mais, acho todo este sururu acerca da igualdade de género, como agora se diz e discriminação por ser mulher , profundamente exagerado e prova de que as pessoas não têm mais nada importante em que pensar.
    Mas como sabes, e como a senhora salientou, eu sou burra.

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    1. Ana, eu já me senti discriminada por ser mulher. Lembro-me talvez do caso mais gritante, quando acabei o curso - lá está na área das humanidades... - que me chocou imenso porque foi, provavelmente, o meu primeiro impacto com a realidade: tinha as coisas preparadas para fazer um estágio num determinado escritório, acontece que, quando lá cheguei, o "criaturo" que era suposto vir a ser meu patrono, me aconselhou a ser notária - que, isso sim, era coisa para mulheres, que depois querem ter filhos e assim... - e eu lá fiquei, de boca aberta, a ouvir aquilo, sem querer acreditar... e, sendo evidente que estas situações não deviam existir, confesso que não sei o que é mais grave: se a discriminação de género, se, com a bandeira das diversas discriminações em punho, denegrir/desacreditar/rebaixar/caluniar quem não embarca na nova corrente de Pensamento Único......

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    2. Eu não nego que exista discriminação por ser mulher. Ela existe e eu já a senti.
      Apenas acho que se exagera com o "problema" dos livros para rapazes e para raparigas, e com a ideia que os rapazes e raparigas têm que ser iguais e gostar todos do mesmo. A minha filha nunca gostou de brincadeiras de rapazes, o primo exatamente da mesma idade, nunca se importou de brincar com ela às brincadeiras de meninas.
      Pessoalmente acho que o que é condenável é impedir um menino/a de fazer algo porque isso não é coisa de menino/a. Mas acho absurdo impor que todos temos que ser iguais e as raparigas têm que gostar de foguetões e os rapazes de bonecas.
      A continuar assim qualquer dia o governo também vai dizer que livros podem ser lidos.

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    3. Sim, estamos de acordo! O que eu acho é que o problema é mais profundo que isto. Esta questão dos livros é só uma das pontas do iceberg. O problema está na imposição de uma agenda a que, aparentemente, todos temos de aderir...

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    4. Curiosamente vejo muito mais o contrário: constantemente denegrir/desacreditar/rebaixar/ridicularizar/gozar e chamas "histéricas" e "feminazis" às activistas - porque, como se sabe, pedir direitos iguais e linguagem inclusiva é bastante parecido com invadir a polónia e assassinar 6 milhões de pessoas -, usar "capazes" como insulto e catalogá-las como tontas. Mais facilmente se ataca o activismo, porque não se concorda com a forma, do que a discriminação. É impossível a Palmier não reconhecer que assim é.

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    5. Anónima, não estou a falar das "capazes" - que são irrelevantes nesta bola de neve - estou a falar de um movimento político muito mais alargado que nos quer impor uma forma de pensar que não é - e não será - a de muitos de nós.

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    6. Acabei de ler aqui ao lado outro termo simpático para descrever quem tem uma posição diferente da nossa: galinhas. Começa a ser difícil lembrar-me de todos os nomes.

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    7. Queria apenas ilustrar que há uma enorme agressividade e falta de respeito em geral, que acho que é francamente mais preponderante do lado mais conservador. Admito que como diz aqui em baixo a NM, do outro lado haja uma certa condescendência, mas no geral não vejo o mesmo grau de ridicularização e insulto ao opositor, e muito menos o uso de demoninações como as que mencionei.

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    8. Exemplos de palavras mais agressivas há, seguramente, de ambos os lados. Quanto à conclusão, devo dizer que discordo inteiramente. Acho, honestamente, que há um ambiente repressivo para quem pensa de maneira diferente - e friso que não me estou a referir ao universo dos blogs nem ao caso concreto dos livros/capazes/...).

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    9. Em certo sentido, penso que a Palmier aponta o que é, a meu ver, o problema fulcral. A dicotomia relevante não é a que se estabelece entre um extremo e o outro. É, isso sim, a que se estabelece entre quem, estando num extremo, não admite compromisso e quem entende a necessidade e o valor de um debate racional acerca dos assuntos. E isto vai muito para lá da questão da igualdade de género.

      No entanto, concordo com a/o anónima/o: muito frequentemente me tenho deparado com situações em que a posição de quem defende a igualdade de género é distorcida e ridicularizada. A igualdade de género é um conceito que, na sua essência, é simples e praticamente consensual: a maioria das diferenças entre os géneros não justifica diferenças de tratamento, de julgamento, de direitos, de deveres, de oportunidades. Daqui até "querem que os homens e as mulheres sejam iguais" ou "já havia homens e mulheres antes de virem com esta conversa" vai um distância imensa. Incomodam-me as confusões sistemáticas entre "sexo" e "género", entre "igualdade" e "uniformidade", entre outras. A discussão calma, racional e ponderada destas ideias é necessária.

      E, caso não tenha ficado claro, sou absolutamente contra a repressão de ideias, de discurso e da discussão na grande maioria das situações. A liberdade de expressão tem, como quase todas as liberdades, limites, mas esses têm sido levados frequentemente a um extremo inadmissível recentemente.

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    10. Filipe, concordo consigo na ideia de que a igualdade de oportunidades é uma ideia praticamente consensual, acontece que, muitas vezes, e na minha opinião - friso -, vão-se desencantar problemas onde eles simplesmente não existem, predispondo parte da sociedade contra aquilo que aceitariam naturalmente. Ou seja, são contraproducentes.
      De qualquer forma, o ponto deste post não era sobretudo o que refere no primeiro parágrafo, e, sinceramente, acho que nos últimos dois anos, com o clima de guerrilha social que a mim - será só a mim?- me parece evidente, regredimos dez ou quinze... e isso é assustador.

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    11. Eu não diria que se desencantem problemas onde eles não existem. O que acho que acontece é que existem assuntos que têm agora visibilidade e que antes não tinham. Há dez, vinte anos, o debate em torno da igualdade de género centrava-se talvez nas desigualdades em contexto laboral, nos papéis sexistas da mulher e do homem em contexto doméstico, etc. Com o passar dos anos, mesmo não estando estas questões totalmente obsoletas, o advento da Internet veio dar visibilidade a outras coisas. Agora têm uma voz mais audível as pessoas transgénero, as questões relativas a géneros fora do paradigma binário "masculino/feminino", etc.

      Eu acredito que as pessoas que defendem a igualdade de género de forma usualmente apelidada de "histérica" concordariam comigo (e consigo, presumo) quando digo que a desigualdade salarial é um problema mais grave que os livros de actividades. No entanto, estas questiúnculas têm uma visibilidade mediática que a torna susceptíveis ao género de ridicularização e extremismos a que assistimos nas redes sociais e alguns blogues.

      Estou a dar exemplos relativos à igualdade de género mas concordo inteiramente consigo quando diz que a questão é bem mais vasta. Vivemos numa era de extremos; perdeu-se bastante a capacidade de compromisso, de encontrar pontos de equilíbrio razoáveis. Desconfio

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    12. (Carreguei sem querer no botão de publicar. Completando:)

      Desconfio que a internet e as redes sociais potenciem as opiniões simplistas, o preto/branco, os soundbites, e não tanto a exposição aprofundada, os argumentos desenvolvidos, o cinzento. E talvez seja esse o problema.

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    13. Yap. É isso. Acontece que enquanto os "extremistas" dão voz às suas dores da maneira mais audível, os moderados calam-se para evitar confrontos. E esse engolir de sapos, esse silêncio de parte da sociedade dá sempre -sempre- mau resultado.

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  3. E o argumento é:

    Se pensas diferente é porque ainda não atingiste o cerne da questão.

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    1. Porque não estudaste o assunto com a profundidade que ele merece, evidentemente.

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    2. Errr... Mas não é um pouco isso que tem faltado (de ambos os lados)? Tentar perceber o que está realmente a ser dito, e porquê? Se as pessoas (mais uma vez: de ambos os lados) se dessem ao trabalho de ouvir e pensar sobre o que ouvem, talvez até concluíssem que concordam em muito mais do que pensam.

      Exemplo: Ali em cima há uma comentadora, que diz «Pessoalmente acho que o que é condenável é impedir um menino/a de fazer algo porque isso não é coisa de menino/a. Mas acho absurdo impor que todos temos que ser iguais e as raparigas têm que gostar de foguetões e os rapazes de bonecas.» Que é exactamente o que o que a maioria das pessoas que defende a igualdade de género anda a dizer já vai quase para três semanas! Que todos devem poder brincar com o que querem, e que ninguém deve ser dissuadido de (ou pressionado para!) brincar com as coisas «do outro»... Isto é mais ou menos consensual, certo?

      (espero não ter soado condescendente ;))

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    3. Anónima, o ponto deste post não era, de todo, a questão da igualdade de género. É muito mais vasto que isso. É a pressão de concordar, sem questionar, com as posições de uma determinada facção da sociedade. Como se fosse criminoso não o fazer.

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    4. À pessoa das 17:47: Concordo em absoluto. Proponho como desafio encontrar uma crítica à igualdade de género que não seja uma distorção daquilo que a igualdade de género é suposto ser.

      Como diz a Palmier, isso não se esgota na igualdade de género. Há cada vez menos disponibilidade para ouvir, ponderar, reflectir. É triste que a mudança de opinião seja tantas vezes encarada como sinal de fraqueza, quando é provavelmente o maior indicador de maturidade intelectual.

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  4. Eu, também de humanidades, quando engravidei do segundo filho era comercial e viajava muito para o estrangeiro, fui convidada a despedir-me porque ia deixar de poder viajar entretanto...... Só me despedi depois da licença de maternidade e nunca mais fui descriminada, até pelo contrário. O que quero dizer com isto é que sempre haverão exceções para um lado e para o outro. Irrita-me essa questão. Porque teremos de escolher um lado da luta ainda é irrita mais...

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    1. GM, eu acho sinceramente que a doutrinação/imposição vai muito para além da forma como se tratam as questões de género/discriminação de mulheres/minorias whatever.. e, honestamente, acho o caminho assustador...

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  5. Palmier, não lhe vou pedir exemplos concretos porque acredito que, se os quisesse dar, os teria dado. Mas juro que gostava mesmo de perceber em que sentido é que os seus direitos e liberdades são ameaçados pela afirmação de outros direitos e liberdades (os exemplos que deu, das mulheres, das minorias, etc...)

    Fala em Pensamento Único. Eu não vejo as coisas assim. Acho que a expressão «pensamento único» até descreve melhor o que tínhamos, e que o que vai existindo agora é um contraditório que tem vindo a crescer e a ganhar força. Ou seja, coisas que antes se diziam e encontravam uma certa benevolência ou passividade, têm vindo a ser, cada vez mais, alvo de resposta. Sendo pelo debate, não acho que isso seja uma coisa má.

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    1. Anónima, volto a dizer que o ponto não é esse. Não dei exemplos nenhuns - respondi a comentários e falei no post sobre preconceito de género e discriminação porque é isso de que se tem falado nos blogs nos últimos dias.

      O que sinto é que a minha liberdade tem sido limitada por, muitas vezes, me sentir impedida de expressar as minhas opiniões por saber de antemão o tipo de comentários agressivos que vou receber. e isso aqui há uns aninhos não acontecia, pelo menos não com a virulência de hoje em dia (não se trata de debate ou de contraditório, trata-se de ataques despropositados). Não tenho sido limitada pela afirmação dos direitos e liberdades de outros, mas se calhar tem sido limitada pela forma intransigente como muitas vezes esses direitos e/ou liberdades são defendidos. Em detrimento da minha liberdade de expressão.

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    2. Palmier, daquilo que vou lendo de si parece-me uma pessoa que se expressa de forma educada, portanto aquilo que vou dizer provavelmente não se lhe aplica...

      ...mas existe muita coisa que nos habituamos a considerar «normal» dizer e que tem impactos profundos em quem ouve (as bocas machistas, racistas ou homofóbicas, a título de exemplo). Sucede que geralmente esses impactos são invisíveis porque, obviamente, quem ouve essas bocas e está num contexto em que elas são aceites (ou até celebradas!), se cala. Portanto, acho óptimo que cada vez mais pessoas estejam cada vez menos disponíveis para se calar.

      O que não significa que as pessoas não possam mandar essas bocas. Significa é que, provavelmente, não ficam sem resposta. É uma rua de dois sentidos. Se há pessoas que, por vezes, se passam um bocadinho da cabeça? Há pois. Dos dois lados. Faz parte.

      Defender a liberdade de expressão implica defender que tudo deve poder ser dito, não obriga a aceitar ou concordar com tudo o que se diz... certo?

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    3. Em teoria sim. Na prática e depois de pensar duas vezes a conclusão acaba por ser diferente e, muitas das vezes, a opção é mesmo calar. É que, por mais que as pessoas digam que não se ralam com determinados comentários - imagino que haja quem tenha carapaça para isso mas a mim custa-me... - e mesmo que não se concorde com o que é dito e que se tenha uma relativa segurança nas opiniões que se emitem, esse tipo de interacção acaba por ser muito desgastante...

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  6. Como diria aquele grande filósofo do século XX, o predilecto do Tio: "Ontem, hoje e amanhã"!

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  7. Concordo a 100% Palmier, e vou mais longe, acho uma arrogancia tremenda determinadas mulheres virem falar em meu nome, como mulher, se querem falar falam em seu nome de , Maria, Joana, Isabel, etc
    Pois , eu defensora de direitos humanos, nao me identifico com a maior parte das coisas que pregam, acho-as pateticas, politizadas e arrogantes, e pior, acho que ridicularizam o trabalho de antepassadas que tanto lutaram por um mundo melhor.

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  8. Mas claro que se pode ter corrente de pensamento próprio. Só se pode é "discutir" com as pessoas que estão em sintonia com elas :)
    É verdade. Sinto que antes podia ter longas "discussões" de ideias sem me sentir ofendida pelo outro lado da conversa. As tais conversas eram às vezes bem acesas, mas não se partia para a ignorância, que agora é banal. O insulto ou, pelo menos deste não se escapa, o olhar condescendente de "não atingiste ainda o cerne da questão" como se fossemos inferiores por termos opinião diferente.
    É difícil discutir ideias e pensamentos, sobre os quais eventualmente até poderíamos mudar de opinião, quando não há abertura para debate com bom senso.
    Sim é assustador e, pior, castrador.

    Isa

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  9. Desde que alternative facts se tornou tornou uma expressão corriqueira , que a sensação com que fico é que existe o que aconteceu na realidade e o que querem que tenha acontecido e que a,comunicação social, as redes sociais e as alminhas naifs tomam como exacto. Quando mais tarde se apura o rigor dos acontecimentos, já não interessa nada, porque já passou, foi como se leu no face ou no Twitter. É uma autêntica manipulação ao pensamento e à liberdade de expressão. Estamos a colher aquilo que deixámos semear... é triste.

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  10. Estamos a viver uma era "opiniosa"! Muito fruto das redes sociais. Toda a gente quer fazer ouvir a sua opinião, que parece hoje em dia está mais democrática que nunca... na emissão! Na receção, está tirana! Ter opinião sobre algo é, agora, viver sob forte adrenalina.

    Ontem num daqueles grupos do feicecoiso, uma pedia ajuda tecnológica "pois como mulher que sou não percebo nada disto" - irritou-me. Fui ler os comentos e aivalhameosenhorDeus! O mulherio todo, deselegantes... caíram-lhe em cima, forte e muito feio - irritaram-me!

    E eu fiquei calada... irritada com ambas! :DDDDD

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  11. Mais do que ser descriminada por ser mulher, sinto-me descriminada por ser mãe.
    Quando estive desempregada foram incontáveis as vezes que me disseram directamente que não contratam mães.

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  12. eu sei que a conversa descambou para o tema da igualdade de género e tenho um exemplo sobre o tema a dar. em varios foruns identifico-me como feminista. e uma altura perguntaram-me "porque é que as feministas se sentem empoderadas em mostrar os seios ou concentram a sua atençao nos genitais/direitos reprodutores?" ao que respondi "nao me sinto empoderada com essas coisas, simplesmente entre as varias causas pelas quais lutamos os seios e os genitais sao o que vende mais jornais, ninguem vai noticiar quando eu compro uma lata de formula ou um kilo de arroz para uma familia em necessidade, ninguem vai noticiar a quantidade de vezes que vou comprar produtos higiene para casas abrigo, ninguem estava la a noticiar quando um grupo das nossas se juntou para pressionar a policia local a reportar correctamente (e nao como "ai isso foi um desentendimento") um caso de violencia domestica em que a vitima era homem... as vezes nao sei, nao sei quem é que manda nesta agenda, quem a escreve e quem a apoia, mas sim, parece que ha varios assuntos manipulados ou expostos duma unica forma totalmente obtusa, como se nós seres humanos nao tivessemos formas diferentes de ver, pensar, agir e mesmo entender situaçao x ou y

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  13. Mas temos mesmo de escolher um lado,ou alinhar em carneiradas?
    Eu (man)tenho as minha pp opiniões. Quem gosta,gosta, quem não gosta é seguir caminho...

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