terça-feira, 27 de outubro de 2015

It’s a bird, it’s a plane. No, it’s António Costa!

Depois olho para o televisor e vejo-os a todos, àqueles que andavam de braços moles e caídos, ombros curvados, pezinhos arrastados e olhinhos baços e chorosos pela derrota nas urnas, a entrarem-me pela casa dentro de queixo erguido e costas direitas, sorrisos de escárnio nos lábios desdenhosos, sentados nas cadeiras dos estúdios de televisão com o à vontade de quem ganhou a guerra, resplandecentes com o brilho da superioridade da vitória, da arrogância do triunfo e da soberba da glória, noto-lhes as borboletas a esvoaçar em volta do estômago,  de quem vê o poder mesmo ali, à mão de semear, como na antecipação da degustação de um prato gourmet, e imagino-os a todos juntinhos, acocorados dentro de um tronco oco de árvore, quais hárpias-de-penacho-real, a contemplar lá de cima a máquina do Estado, convictos que estão que todos nós partilhamos das suas artimanhas, que há um país gritando em uníssono pelos seus nomes, exigindo a salvação, e assim se convencem uns aos outros que são invencíveis, que basta pôr a capa de super-homem aos ombros que logo, logo, sairão a voar pelos céus de Portugal. 

O pior vai ser a queda.


63 comentários:

  1. A queda para já é do Passos Coelho e Paulo Portas.....outra queda a seguir será ou não!!!!!!!.....

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    1. Eu estou convencida que a queda do PS nas próximas eleições vai ser especialmente aparatosa... (mas posso estar enganada, claro que posso...)

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    2. Espero, com todas as minhas forças, que estejas!

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    3. Eu até apostava um salário em como a palmier tem razão (nunca percebi se aquele sorriso de escárnio é por burrice - não perceber o que aí vem -, ou se é não querer saber o que aí vem para o partido porque só lhe interessa a ele chegar ao poder)

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    4. Por acaso acho q o PS (partido), militantes e simpatizantes mudaram bastante de opinião depois do belo discurso do nosso PR...just saying.

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    5. Não tenho essa visão catastrófica do discurso do PR. Os militantes do PS (os que embarcaram nesta anedota) andam desesperadamente à procura de razões que legitimem as suas escolhas. A vitimização é um clássico.

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    6. ate aceito que nao se goste do Costa ou do PS, mas nao entendo como podem defender o governo de Passos e Portas. Sinceramente gostaria muito de perceber como 'e possivel acreditar que eles fizeram um belissimo trabalho. Nao entendo mesmo. Alguem me pode ajudar? (Nao 'e ironia 'e mesmo incompreensao)

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    7. Anónimo, não julgue que gosto particularmente do Passos ou do Portas... só acho que nos últimos quatro anos, caso tivesse sido o PS a governar, o resultado teria sido exactamente o mesmo. É que não tínhamos qualquer hipótese se não a de "obedecer". É isso que me faz confusão que não se entenda (e não é ironia, é mesmo incompreensão :D)

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  2. Também eu Palmier, tenho a mesma opinião. As atitudes do Costa e demais, depois das eleições, aliás, desde que Costa deixou a Câmara e se confrontou com Seguro, deixam muito a desejar. Parecem um bando de indigentes.... os outros, antes de se sentarem, já caíram.

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    1. Por acaso não acho que pareçam um bando de indigentes, e isso é capaz de ser o mais grave... acho que dão ares de magnatas do petróleo, só que com um pequeno problema... não têm petróleo...

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  3. O pior, para todos nós, é que vai ser uma queda estrondosa!!! Daquelas que deixam um belo buraco no chão...

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  4. Querida Palmier,
    como (quase) sempre, não podia concordar mais consigo.
    Acho lastimável os ares de pavão armado, que se dão!
    É confrangedor o afã, ao tentarem tirar da derrota uma vitória. sempre com ar de quem acredita mesmo no que está a fazer.
    tenho vergonha...

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    1. É um caso especialmente grave de vergonha alheia :/

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  5. Doce Palmier,
    "Na antecipação da degustação de um prato gourmet" sei sempre que vou passar fome.
    Um beijo,
    Outro Ente.

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    1. Mas acho que eles não sabem isso (ou não querem saber... ou fingem que não sabem)... :)

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  6. Yep...

    ...como já lá disse pelo meu canto, fome de poder aliado ao instinto de sobrevivência dá nisto...

    Mas tenho que confessar que gosto de ver a arrogância da coligação a ser arrastada pela lama!

    É que hipócritas e mentirosos são todos eles (bem admito que não todos, mas não deve andar longe)! Mas mentir à cara podre é mesmo inaceitável...

    De qualquer das formas, o mais provável é estarmos em eleições daqui a 6 meses, por isso...

    :)

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    1. Pessoalmente tenho sentido mais arrogância da parte dos membros do PS, sobretudo quando (e novamente pessoalmente) não lhes reconheço legitimidade moral para formar este "Governinho".

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    2. Não falo da que se tem sentido mas da que se sentiu, durante quatro anos. Uma postura, diga-se, demasiado neo-liberal e pouco social democrata, e muito menos popular!
      Em relação a isso, se considerar a moral como aquilo que seria em teoria contra a pratica, faz lembrar a história do puto que foi perguntar ao pai a diferença entre a teoria e a prática. Aliás, o "puchline" da história aplica-se na perfeição à situação actual...
      (se não conhecer a história, poderei contar, mas leve já em conta que é um pouco... forte! Bastante brejeira, vá...)

      :)

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    3. Antes de mais, devo dizer que não gosto particularmente do Passos e que lhe encontro muitos defeitos, mas... Acho que governar nas circunstâncias em que ele governou (com erros, naturalmente) não é seguramente pêra doce. E dentro dessas circunstâncias, e apesar da brutalidade de impostos que todos estamos a pagar, acho que acabou por obter um resultado aceitável (daí que tenha ganho as eleições). Presumo que, nessas circunstâncias, acabe por ser necessário ser um pouco "autista". É que, lá está, como dizia o Gaspar nos Conselhos de Ministros aos seus colegas "qual foi a parte de -não há dinheiro- que não percebeu?"

      (Não conheço a história :)

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    4. Há um miúdo que se chega ao pé do pai e lhe pergunta:
      -Pai, qual é a diferença entre a teoria e a prática?
      O pai pensa por uns momentos e depois volta-se para o filho e diz-lhe:
      -Olha, vai perguntar à tua mãe se por um milhão de euros era capaz de ir para a cama com um estranho!
      E o puto lá foi. fez a pergunta à mãe, que ficou surpreendida:
      -Mãe, o pai manda perguntar se por um milhão de euros ias para a cama com um estranho.
      Ela pensou um bocado, matutou e lá respondeu:
      -Bem, não seria uma coisa simples... Mas um milhão de euros é muito dinheiro e se calhar...
      Voltou para o pé do pai e deu-lhe a resposta.
      -Agora vai perguntar à tua irmã a mesma coisa. - disse-lhe o pai.
      A mesma pergunta, também algum tempo a pensar, mas resposta equivalente.
      O puto lá volta com a resposta e o pai volta-se para ele e diz:
      -Aí está a diferença entre a teoria e a prática. Em teoria estamos ricos, com dois milhões de euros, mas na pratica temos duas putas em casa!

      Ora, se vires bem a situação, em teoria deveríamos ter um governo da coligação a ser controlado por uma maioria parlamentar adversa que forçaria negociações a cada passo, o que talvez tivesse o condão de acabar com o neo-liberalismo desenfreado e a subserviência aos grandes actores financeiros por interesses pessoais de alguns dos actores políticos...
      ...na pratica temos duas putas de esquerda que se vendem para chegar onde nunca estiveram com consequências que ainda não se percebem bem...

      (sim, porque há uma mínima, ínfima, quase residual hipótese de isto até correr razoavelmente bem... Eu é que já não acredito no pai natal!)

      :)

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    5. São só duas...
      ...a outra já se vendeu à bué e toda a gente sabia disso!

      (já agora, clarificando, a politica partidária e, para mim, lixo - como diria o Dr. Medina Carreira, os partidos são casa de mulheres de má vida, se bem que eu prefiro chamar os bois pelos nomes e dizer que são bordeis cheios de putas - e portugal, como se prova pelo discurso feito pelo presidente e pelas prováveis atitudes que será forçado a tomar, Portugal só é uma democracia no dia das eleições. No dia a seguir já deixou de o ser! Portanto o facto de eu não dar qualquer valor ao Coelho, ao Portas e à cambada que os acompanha tb não significa que não ache ridículo que o Costa esteja a fazer isto só para salvar a pele e se tornar intocável por 4 anos - porque se não fosse isso, a tradição manter-se-ia e teríamos o governo do Coelho durante ano e meio, mais coisa, menos coisa!)

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    6. (se ela acha que se vai tornar intocável por quatro anos, deve viver numa realidade paralela :D)

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    7. Pelo menos, se for PM, não será "removido" já no próximo congresso, e terá sempre a desculpa, quando as coisas falharem de que a culpa foi dos outros...
      ...e se falharem o BE e o PCP vão praticamente desaparecer do panorama politico!
      Há portanto uma restea (infíma) de esperança que estes dois saibam disto (caramba, eu sei e não sou ninguém) e que, por isso, tenham de fazer as coisas com cabeça, tronco e membros, engolindo muitos sapos pelo caminho!

      A ver vamos, como dizia o ceguinho...

      :)

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    8. Hum... eu cá acho que, se as coisas falharem, como estou convicta de que vão falhar, quem vai passar por um mau bocado é o PS...

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    9. Sim, mas nada de comparável ao bloco (que esteve já quase em vias de se desintegrar e agora sai mesmo de cena) e ao PCP (que apenas sobreviverá enquanto sobreviverem os seus fieis eleitores).

      Ao PS basta reformular-se um pouco, arranjar um gajo que pense um bocadinho e daqui a uns anos até poderá aparecer novamente qual D. Sebastião, sem ser preciso uma manhã de nevoeiro nem nada!

      :)

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  7. Os mercados, esses terríveis, não enganam. Observa as taxas de juro.

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  8. Portugal é um país" exprimental", fosse eu membro da coligação, recusava-me a limpar mais uma vez o resultado das experiências de Costa e companhia limitada, fazia bem a um grande segmento da população portuguesa sentirem o efeito das experiências! É no entanto de lamentar que a outra parte, a que está farta de pagar os desvarios, não tenha capacidade de se mobilizar e impedir mais experiências, podíamos ser um pouco mais como os franceses e ingleses que cada vez que aparece um artista como o srº Costa não aceitam e protestam.

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    1. É sempre mais fácil ir para a rua gritar "tudo para todos"...

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  9. O costa pode n estar bem mas o passo e seus amigos estao impec. Entre um tipo do CSD q enche a boca p falar de tradições qd ele pp n reconhece um filho e esta escolha para secretaria de estado dos assuntos parlamentares e da IGUALDADE uma tipa q estava contra o casamento se pessoas do mesmo sexo. Viva a coerência deste governo de passitos e sus amigos.
    Pronto desculpa lá o desabafo.
    Vou p dento e n incomodo mais :p

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    1. Me, nunca ouvi falar desse caso do tal tipo do CDS (nem quero...), mas na verdade interessa-me pouco a vida pessoal de cada um. No que respeita à escolha dos Ministros, presumo que não tenham sido muitos os que se disponibilizaram para fazer parte de um governo que está à partida condenado, pelo que acho absolutamente irrelevante a escolha seja lá de quem for...

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    2. N queiras. Eu n tenho nada a ver com a vida pessoal de cada um , mas qd vêm a publico falar em tradições, ocorre-me pensar q tb é tradição dar nome a um filho. Tal como achei qd o Passos dizia q os PT pagavam as dividas achei q mal q ele n pagasse as dele.
      Num ponto tens razão, n creio q pessoas decentes do PSD quisessem alinhar neste governo.
      Porem n acho q sejam irrelevantes as escolhas

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    3. Não falei em pessoas "decentes"... o que disse, e parece-me natural, é que não deve haver muita gente disposta a interromper as suas carreiras para ir participar num Governo que não vai existir...

      Me, todos os partidos têm telhados de vidro e todos tomaram opções menos boas, eu não sou uma defensora cega do Passos ou do Portas, aliás, tenho-me como uma pessoa moderada, no entanto acho que não podemos dissociar as medidas tomadas nos últimos quatro anos das circunstâncias que as rodearam. Se tivesse sido o PS a governar as coisas teriam sido praticamente iguais. Pensar o contrário é uma ilusão.

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    4. O pessoas decentes fui eu q meti :)
      Eu detesto o Passos e sp achei q ele n passa de um Jota, sem qq conhecimwnro de politica. Nada tem a ver com outras personalidades do PSD, q embora eu, por norma, n concorde com eles (uma questão de tendência politica) sp reconhecu como pessoas dignas deste meio politico. Mas esta é apenas uma opinião. Foi um desabafo.
      E sim, custa-me q se nomeie uma pessoa p Igualdade q n era capaz de reconhecer um dto basico como o do casamento entre o memso sexo.
      Mas descansa q tb ataco diversos politicos do PS :) A minha má língua chega p todos :p

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    5. :D

      (tenho mais ou menos a mesma (má) ideia do Costa :D)

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  10. Não entendo o problema de legitimidade que fala. O governo passado, a coligação também foi posterior às eleições de forma a haver uma maioria no parlamento.
    Pela lei Portuguesa deve constituir governo, ou ser mandatado para constituir governo, a força politica que represente mais estabilidade no Parlamento. Não a que tem maior número de votos
    Claramente a coligação não representa estabilidade se os outros 3 maiores partidos do Parlamento estão em condições de governarem em coligação
    Na minha humilde opinião, o PR é que esteve mal em todo o processo ao não considerar essa alternativa.

    Também não entendo o medo de um governo de esquerda. Continuariamos a ser uma democracia Parlamentar. Todas as comparações à Coreia do Norte e outros que tais, são por demais absurdas!
    Alguém teve medo que voltasse uma ditadura de direita quando o CDS foi governo ou até mesmo o PSD, partido onde ingressaram muitos dos apoiantes do antigo regime logo após o 25 de Abril?

    Se houver novas eleições, concordo consigo, o PS vai ser penalizado por alguns eleitores.

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    1. A questão da legitimidade passa pelo facto da anterior coligação PSD-CDS integrar o partido mais votado pelos portugueses, coisa que nesta suposta coligação de esquerda não acontece. E quanto ao "medo" de um governo de esquerda, não se trata propriamente de "medo", trata-se de olhar para os programas dos dois partidos mais à esquerda e perceber que os princípios que lhes estão subjacentes não se coadunam com as regras da UE, para além que... puf... não há realmente dinheiro para as boas intenções e quando isso se tornar evidente o BE/PCP não se vão deixar "queimar" por metas de défice e vão puxar o tapete ao PS... porque, pergunto, se não puderem acenar as bandeiras dos direitos de todos a receber mais, o que lhes vai sobrar?

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    2. A resposta não é assim tão trabalhosa e responde-se com uma pergunta:
      Quando foi votar nas ultimas eleições o que estava a escolher? E não me venham dizer que era o deputado x ou y que não acredito, as pessoas foram escolher um PM e puff lá se vai a legitimidade...
      Os portugueses precisam de uma nova constituição asap.

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    3. «Os portugueses precisam de uma nova constituição asap.» (Nem mais!!!!)

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    4. Sendo necessários dois terços dos deputados da AR, temo que não haja qualquer alteração por um longo tempo... :)

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    5. Desculpem lá, se a coligação fosse do PaF com o PS, como de resto o PR sugeriu e o PaF tentou, isso já n chocava ninguém????!!! Ai aí as intenções de voto n eram defraudadas???? Desculpem lá mas n acho isso minimamente coerente.
      Sim, claro. Se a solução n nos agrada, mude-se a constituição!

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    6. Convenhamos que seria substancialmente diferente... Uma cologação PaF-PS, para além de incluir o partido mais votado, representaria 70% do eleitorado. Não há comparação possível.
      A CRP para ser mudada precisa de uma maioria de 2/3, coisa que não se avizinha possível nos próximos tempos, pelo que não vale a pena, sequer, pôr o assunto em cima da mesa.

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    7. Palmy. Estou a tentar ser objectiva. Anda tudo a dizer q as pessoas q votaram nos partidos à esquerda n votaram numa coligação à esquerda e mais n sei o q. Ora, eu tendo votado no PS ficaria lixada com F grande se eles se coligassem ao PaF. Estou apenas a desmontar o argumento q andam a defender, e q n acho coerente. E honestamente (e respeito a tua opinião) mas n compreendo pq razão n é comparável. N vejo onde uma coligação PaF PS seja mais legítima q uma à esquerda, abordando a questão das intenções do eleitorado.

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    8. Me, exactamente pelo que disse acima: porque uma coligação PaF-PS incluiria o partido mais votado e representaria 70% do eleitorado. Aliás, acho uma infantilidade que os partidos estejam a defender coutadas quando, na verdade, deviam estar a pôr-se de acordo nas questões essenciais e a resolver efectivamente os problemas do país.Talvez quando isso acontecer deixemos de andar sucessivamente para trás e para a frente sem nunca chegar a lado nenhum.

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    9. Não consigo partilhar dessa opiniao, precisamente por uns estarem à dta e outros à esquerda (isto considerando q podemos considerar o PS actual como uma verdadeira esq).
      Mas pronto, tb n nos vamos chatear por isso ;)
      Mas sim, um solução q seja boa p o país é q me parece importante.

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    10. Estas "discussões" são mais ou menos como uma conversa entre um Benfiquista e um Sportinguista :D

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  11. É muito interessante como a luta por um salário justo, saúde, educação e habitação condigna para todos, princípios básicos da Social Democracia, seja visto como
    "...acenar as bandeiras dos direitos de todos a receber mais..."

    O que me assusta em Portugal é que um Social Democrata não se reveja nas políticas seguidas por um governo que integra o Partido Social Democrata.
    E mais me assusta que pessoas habituadas a pensar, a questionar aceitem a propaganda que a comunicação social divulgou aquando da campanha eleitoral. Os números apresentados nem são dificeis de desconstruir.
    Portugal não está melhor, nem está igual, está muito pior. E muito desse "muito pior" não se deve só à crise que mas sim a politicas neo-liberais do anterior governo.

    Quanto aos programas eleitorais do BE/PCP volto a insistir na democracia Parlamentar que continuariamos a ser.

    O puxar do tapete, não foi coisa que o o Dr. Paulo Portas, com o seu irrevogável já não tenha feito ao PSD

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    1. Anónimo, é preciso dinheiro para pagar esses tais princípios básicos. E não há. Daí que seja necessário fazer escolhas (quanto a propaganda... vi muita é dos dois lados). Mas, claro, podemos seguir o exemplo da Grécia... até porque resultou muitíssimo bem...

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  12. Dos princípios básicos nunca se deve abrir mão. Mesmo concordando que é preciso fazer escolhas, essas devem ser sempre tomadas de forma a proteger os mais vulneraveis.
    Se não asseguramos uma sociedade justa (eduação, saúde...), especialmente em tempo de crise, corremos o sério perigo de nos tornarmos uma sociedade desigual, em que as franjas da sociedade precisam de caridade para sobreviver.
    Os mais fracos precisarão sempre de protecção, o poder corrompe.

    Não entendi o exemplo da Grécia. Foi uma comparação de um governo de esquerda com o Syriza?
    A situação de Portugal não é a da Grécia logo uma comparação dessas não me faz sentido. Talvez se esclarecer melhor eu possa responder



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    1. Estou aqui um bocado assoberbada de trabalho. Logo à noite volto cá :)

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    2. Ora, voltando ao assunto :)
      Como é óbvio, também eu desejo que todos os cidadãos portugueses tenham um salário justo, saúde, educação e habitação condigna, acontece que o Estado a) não tem meios para tudo, e b) os salários dignos (que permitem, por exemplo, que as pessoas possam ter uma habitação condigna - que só deve ser proporcionada pelo Estado em situações limite) são pagos, na sua maioria, por empresas privadas. Claro que podemos dizer que, tendo em conta os acontecimentos dos últimos quatro anos, podíamos ter taxado (ainda) mais as empresas mas, se o tivéssemos feito, o emprego disponível que (apesar de lentamente) tem crescido, teria diminuído e, com ele, o desemprego. Ora, com mais desemprego teríamos ainda mais situações de injustiça e ainda mais pessoas a cair nessa franja indesejável da pobreza. Daí que ache que a balança tenha de estar muito bem equilibrada e que seja necessário dar margem às empresas para crescerem (e com isso criarem emprego) por forma a reverter a situação. Para além disso, e tendo em conta que os salários mais altos são taxados em cerca de 53% não vejo como deveríamos fazer... taxar mais? fazer com que (ainda mais) pessoas mais bem preparadas e capazes peguem nas suas coisas e se mudem para países que lhes dão melhores condições? É isso com que não concordo na "doutrina" de esquerda... essa ideia de igualdade cega... quem é melhor deve mesmo receber mais, caso contrário havíamos de alinhar por baixo, pois os melhores nunca se esforçariam, porque, lá está, não havia de valer a pena...
      Ora, nos últimos anos (e muito por culpa dos desvarios anteriores - de esquerda e direita) o Estado não teve meios suficientes para acorrer a todas as situações, logo teve de fazer escolhas (admito, como é óbvio que, muitas vezes, não tenha feito as melhores escolhas), mas, pergunto: se nós enquanto sociedade não conseguimos reunir esses meios (não produzimos o suficiente para sustentar este mega.estado social), se estamos nas mãos dos credores (que nos sobem as taxas de juro mal um cabelo fica fora do sítio), o que poderemos fazer? Sair do Euro, como a Grécia ameaçou?

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    3. Palmeir, adorei esta sua resposta.
      No entanto, acho que a mesma tem o problema de olhar para Portugal, mas o problema de fundo raramente é mencionado.
      O problema de fundo é que Portugal faz parte de uma zona economica com bastantes desequilíbrios regionais mas que tem uma moeda única.
      Ora essa moeda única foi criada com uma premissa de fundo, já discutida e agora semi-abandonada, por enquanto, de a Europa se transformar numa federação de estados.
      Tal como em Portugal todo o dinheiro se move das periferias para o centro, sendo a partir dai redistribuído, equilibrando as finanças regionais, na Europa passa-se a mesma coisa. Não é à toa que a Alemanha se encontra numa posição privilegiada em relação aos outros países. Mesmo a França, apesar da sua economia, deve sentir efeitos disto. Ora, não sendo a Europa uma federação, não há absolutamente motivo nenhum para a Alemanha fazer a redistribuição dessa riqueza que lhe chega pela mera transferência de fundos das economias periféricas.
      Portanto, por mais que produzamos, os níveis de divida continuarão a aumentar e a fragilidade face as flutuações das taxas de juro é maior.
      Temos obviamente duas hipoteses:
      Ficar no Euro ou sair dele!
      Sair implica um choque brutal na economia do pais e uma redução de rendimento disponível em mais de 50%, ou seja, tudo praticamente duplicaria de preço o que criaria uma situação insustentável no país e que demoraria anos, senão decadas a resolver.
      A hipotese de ficarmos por outro lado, tem de nos pôr no caminho de uma federação europeia, de um parlamento europeu que sirva para alguma coisa, de um presidente eleito da europa, caso contrario será insustentavel a nossa situação com repetições ciclicas do mesmo problema e do empobrecimento que provoca cada ciclo.
      Isso implica abdicar da nossa soberania!
      Ora o que mais me espanta no meio disto tudo, deste jogo politico estupidificante, é que os partidos mais progressistas, a esquerda, defenda a soberania, quando pela sua própria natureza deviam fazer o contrario, contra os partidos conservadores, que defendem essa integração, sendo que até o mais conservador de todos, o CDS, mudou de ideias!
      Ou seja, aquilo que eu gostava de ver discutido seriamente, sem demagogias bacocas e comentários de opinião de tipos que falam muito mas aquilo tudo espremido não dá sumo, era se devemos abdicar da nossa soberania de maneira a fazer com que o euro funcione como qualquer moeda deve funcionar, fazendo pressão para uma federação europeia que, essa sim, tem o dever absoluto de corrigir as assimetrias regionais nivelando os estados europeus, desde que com isso ganhemos a hipótese de uma Europa realmente democrática, com eleições directas dos altos cargos europeus, ou não o fazemos e vamos tornando, a cada ciclo de crise, inevitável a nossa saída com todo o problema que isso traria ao pais como um todo a nível económico e social?

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    4. Confesso que sei muito pouco sobre os fluxos de dinheiro dentro da União Europeia e sobre as vantagens e desvantagens de uma federação para poder emitir uma qualquer opinião, mas, o que posso dizer é que a sensação que tenho é que Portugal, neste momento, é mais ou menos como aquela dona de casa que nunca teve um emprego que não tomar conta dos filhos e que, descontente com o casamento irreflectido, não tem forma de se divorciar porque, se sair de casa, não tem meios para subsistir... ora, estas situações, bastante comuns, não podem ser resolvidas batendo a porta (como defendem os partidos de esquerda), nem com vénias ao "marido ricalhaço e poderoso" (como todos vimos os partidos de direita fazer). Mas a verdade é que estamos num beco sem saída um bocadinho sem solução... ou todos os países que estão no Euro se põem de acordo ou então os mais fracos não conseguem, como é óbvio, alterar as regras do jogo... e conseguir o acordo do marido ricalhaço não me parece coisa fácil...

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    5. E não é, por certo.
      No entanto é incompreensível que, por exemplo, eu não possa comprar directamente obrigações do tesouro, usufruindo assim das taxas de juro que isso me proporcionaria, além de estar a investir no meu pais.
      Para o fazer tem de ser através de alguma carteira de uma instituição bancária que fica com quase todo o juro, dando-me uma percentagem marginal.
      Ou seja, o estado prefere financiar-se nos mercados internacionais, transferindo os nossos fundos para o mercado financeiro internacional, a dar a hipótese aos seus cidadãos de diminuir a sua dependência externa e ainda tirar algum rendimento disto.
      Nós, cidadãos, merecemos ser taxados, mas não merecemos taxas de juro bastante acima do mercado como recompensa por financiarmos o nosso pais? Porquê? Falta de lembrança? Não acredito! Conveniência de alguém? Pois, se calhar é mais isto! Mas quem? Quem é que no fundo ganha com isto?
      Sem estas questões estarem resolvidas as outras não estarão! Quaisquer resoluções são pensos rápidos fora de prazo para tentar colar uma perna amputada!
      É que não é por nada, mas se o estado se começar a financiar junto dos seus cidadão, o que dirão os mercados internacionais? Pá, temos de ter cuidado, que estes gajos qualquer dia nem precisam de nós para nada. Pelo menos sempre diminuía a nossa divida externa e com isso as transferências, inventáveis, de capitais para as economias do centro. E é uma medida que pode ser tomada já! E porque é que não é?

      :)

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    6. Pois... não faço a mínima ideia... (mas a verdade é que não foram tomadas nem por partidos de direita nem por partidos de esquerda... mas presumo que, como sempre, alguém está a lucrar)

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  13. Tenho estado completamente off das notícias portuguesas. Portanto, alguém me pode explicar se confirma-se um governo de esquerda? Está mesmo decidido?

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    1. Ainda não. Para já parece que o PS continua a negociar com o BE e o PCP... mas já afirmaram que, todos juntos, inviabilizarão o Governo PSD/CDS...

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