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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Necessito urgentemente de ajuda

Aqui há uns tempos, adquiri, convicta, uma linda peça de vestuário. Hoje, a peça saiu do armário mas a minha convicção já não era exactamente a mesma. Sim, senti-me, logo pela manhã, a vacilar. A razão de ser desta repentina ausência de convicção assentou no facto de não saber bem que espécie de peça de vestuário era aquela. Como tal, não sabia bem como a havia de vestir. Sim, para a minha pessoa, aquela era uma peça enigmática, que fez o favor de me transtornar o dia de trabalho. Ora vejamos:



Estaremos nós perante um vestido, ou perante uma saia? Sim, qual dos dois? Saia ou vestido, vestido ou saia? Que me ajudem os entendidos porque eu, eu já desisti de tentar compreendê-la...
Passei a manhã a alterar o posicionamento da peça no meu corpo. Sim... entretive-me numa troca frenetica (delirante mesmo) saia-vestido-saia-vestido-saia-vestido-saia-vestido-saia-vestido... perante o olhar incrédulo dos que me rodeavam. Perguntei a todos, que raio de peça era aquela. Sim, eu vocalizei a minha incerteza... Como as opiniões se dividiam, organizámos uma votação no escritório, no sentido de obter uma resposta cabal a esta trágica dúvida que me assolava. O resultado apontou para um vestido. Assim sendo, e como sou uma grande democrata, adoptei o estilo vestido mas, ainda assim, não estava plenamente convencida.
Quando fui almoçar, sob o estilo vestido-balandrau, tive medo... tive muito medo. Cheguei a ter momentos de puro terror (com suores frios e tudo).  Tive pavor de me cruzar com entendidos da moda, fashionistas mesmo, daqueles em bom, que, com um simples olhar de relance, conseguissem reparar, de imediato, que eu envergava uma saia... mas... que o fazia de forma extremamente peculiar... ou seja, subida (quase) até ao pescoço...

P.S. Atentem na qualidade das fotografias que tirei para vocês! Vejam bem as poses!!! Hããããããã!!!! Só vos apresento coisas de qualidade!!!

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Queria um corte à caniche, se faz favor

Telefonei há bocado para o veterinário, para marcar tosquia de Pequena Cutxi. Acontece que só há vaga para a próxima Quinta-feira (daqui a 8 dias, portanto). Ora, o meu cabeleireiro não tem uma fila de espera tããããããããããããão longa como o de Pequena Cutxi. Logo, deve ser pior... Fiquei aqui a pensar que, tendo em conta a extrema mestria, arte e profissionalismo demonstrados pela cabeleireira de Pequena Cutxi (que leva a esta enorme fila de espera), se calhar, também devo marcar para mim própria... lavagem, corte e brushing... 
Olha... vamos as duas...

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Isto só a mim...

Hoje foi um dia cocó (sobretudo porque perdi a incrível promoção do Pingo Doce). Marido foi de VIP para o Estoril Open e eu e filhos (porque não fomos convidados), fomos de povo, para o Colombo.
Ir para o Colombo sozinha com filhos é uma experiência traumatizante. Não só porque não consigo ver nada, como pelo facto de ambos se encontrarem em estado alucinado. Filha embirrou que tinha de levar uma pulseira no tornozelo (por cima dos collants) e um colar horroroso (que parece uma cobra que acabou de engolir um rato), que ganhou numa rifa. Filhos foram avisados que só iríamos ao Toys'r'Us no fim, na condição de eles se portarem bem e não mencionarem tal palavra uma única vez. Assim lá andei por umas lojas com artigos de gente crescida (de roupa, portanto) e, enquanto eu via as coisas, eles brincavam com o colar horroroso. O colar passou a ser uma cobra e eles tomavam conta da cobra e a cobra andava por cima das mesas, dentro das roupas, por todo o lado... Numa das lojas, filhos foram com a cobra para o provador e lá ficaram a brincar. Quando dei ordem de saída, filhos nada de se virem embora. Voltei a trás e verifico o seguinte: 
O provador tinha uma porta que dava para o armazém (onde os senhores tinham TODAS as peças de roupa da loja). Essa porta, fechada à chave, tinha, como é evidente, uma fechadura. Dentro da fechadura estava a "cobra". A cobra estava presa e não havia meio de sair. A porta estava fechada e não havia meio de a abrir. Os clientes queriam roupas para provar e não havia meio dos senhores da loja acederem a ela. Giro, não é? 
Não! Sobretudo se começarmos a congeminar na indemnização que nos irão pedir por todas as peças de roupa que deixaram de vender...
Depois de uma boa meia hora o senhor da loja lá conseguiu resolver o problema, salvando, inclusivamente , a cobra (bem podia tê-la morto na operação). 
E pronto, foi assim que ameacei que, em vez de filhos, levaria o senhor da loja ao Toys'r'us (para lhe comprar um lego Star Wars), que ele sim, ele é que se portou bem... 



domingo, 29 de abril de 2012

Necessito do vosso apoio psicológico


Peço-vos humildemente que me confirmem se isto é, ou não, normal. É que já estou a duvidar da minha própria sanidade mental...
Consorte tem 94 pantufinhas de hotel guardadas numa gaveta (na fotografia, só podem apreciar 27. Mas eu garanto. Contei-as e são 94. SÃO MESMO 94!). Ora, se ele estreasse um par de pantufinhas novas todos os meses, teria pantufinhas para os próximos oito anos. Acontece que as pantufinhas são trocadas para aí de 6 em 6 meses e depois de muita insistência da minha parte. Assim sendo, consorte é o feliz possuidor de pantufinhas para os próximos 47 anos. Ainda assim, consorte não está satisfeito e continua a trazer pantufinhas para casa.
Eu já o informei que ele chegará a velho submerso em pantufinhas e que essa será, provavelmente, a causa da sua morte. Também já o avisei que não tolero mais pantufinhas no nosso lar. Hoje disse-lhe mesmo que tinha de escolher entre mim e as pantufinhas. Escolheu as pantufinhas, evidentemente.
Aguardo os vossos comentários de apoio ou, caso contrário, ofereçer-vos-ei pares (indeterminados) de pantufinhas como forma de retaliação.


sábado, 28 de abril de 2012

Palmier possuída pelo Demo

Preâmbulo: A vossa Palmier utiliza, normalmente, dois telemóveis. Um é pessoal (de uma rede), o outro da empresa (de outra rede). O telemóvel pessoal de Palmier é um iPhone (Palmier, que nem é uma pessoas dada a gadjets, gosta do seu iPhone). O telemóvel da empresa encontra-se estragado, mas só poderá ser trocado em Julho. Acontece que Palmier prime a tecla do atender, mas não consegue, efectivamente, atender as importantes chamadas que lhe dirigem. O telemóvel fica a tocar, a tocar e Palmier a primir a primir e... nada acontece (para além dos olhares de reprovação de quem está à volta e que não percebe por que raio é que Palmier deixa o seu telefone tocar histericamente). Palmier, pensou, então, num plano alternativo. Palmier pensou que colocaria o SimCard da empresa no seu actual iPhone (desbloqueando-o da rede a que está vinculado) e que, com os pontos que já tem acumulados, compraria um iPhone novo para o seu número pessoal. Congeminado o plano, Palmier dirigiu-se, no fim-de-semana passado, a uma loja da sua rede pessoal, para efectivar o desbloqueio e compra dos respectivos equipamentos. Por razões que compreenderão mais à frente, a compra/desbloqueio da semana passada não se efectuou, pelo que hoje me dirigi à loja do Chiado onde, pela segunda vez na vida, pedi o livro de reclamações. Eis o teor da reclamação:  


No Domingo passado, dirigi-me à V/ loja do Oeiras Parque para comprar um novo iPhone e para desbloquear o que tenho actualmente (que me foi oferecido no Natal de 2010 por uma amiga, Sra. D. XXXX XXXX XXX, também ela V/ cliente). Na V/ loja do Oeiras Parque não me foi levantado qualquer tipo de problema. Fui informada que teria de pagar um valor próximo dos XXX€ ( já não sei precisar o valor exacto) para proceder ao desbloqueio e, só não efectuei a compra e referido desbloqueio do equipamento, porque a V/ loja estava sem sistema (em actualização, segundo me disseram). Hoje dirigi-me à V/ loja do Chiado, onde fui atendida pela V/ funcionária, a Sra. D. XXXXXXX XXXX que, para me desbloquear o referido aparelho, me exigiu a factura de compra do mesmo (que não tenho porque me foi oferecido, coisa que lhe expliquei desde início), emitida há um ano e 4 meses atrás porque, de outra forma, não podia garantir que o equipamento não fosse ROUBADO!

Ora eu sou V/ cliente há 18 anos, nunca deixei de pagar uma factura, proponho-me comprar um equipamento novo, desbloqueando um antigo e, numa das V/ lojas isso não acarreta qualquer tipo de problema, noutra é impossível, porque há o sério risco desta V/ cliente ser uma perigosa criminosa a operar na carreira 28 dos eléctricos de Lisboa, onde se dedica, entre outras coisas, ao furto de iPhones!
Francamente... TMN here I go!

Mais acrescento que a V/ funcionária XXXXX XXXXX me disse que, para me entregar o livro de reclamações, eu teria de tirar uma senha, coisa que fiz, tendo aguardado cerca de 20 minutos pela entrega (que deve ser pronta!) do  referido livro!
Acrescento, ainda, que esta terrível meliante já adquiriu o equipamento que pretendia, na loja ao lado (Fnac) onde foi muitíssimo bem atendida!


De seguida, fui à loja das Amoreiras, onde me desbloquearam a porcaria do telefone em três tempos (não tendo os funcionários desta loja sentido a premente necessidade de me apelidar de ladra), sem levantarem qualquer tipo de problema. Certo é que fiquei o resto do dia a espumar...





quinta-feira, 26 de abril de 2012

Não quero que fiquem prejudicados

Pois que agora, para eu andar satisfeita e não perder o fio condutor dos acontecimentos da realeza, o senhor rasga as páginas das revistas que entende serem do meu interesse, para me oferecer (vide exemplo em anexo).
Assim, caso comprem uma revista à qual falte uma página, saberão que a mesma está em meu poder e deverão contactar-me para para efeitos de devolução.
É só! Muito agradecida






domingo, 22 de abril de 2012

Se Maomé não vai à montanha...

Como é do vosso conhecimento, há uns dias atrás, fui expulsa sem misericórdia do Palácio de Belém, não me tendo sido dada oportunidade de entabular a profunda conversa equestre que tinha em mente.
Posso hoje dizer que Deus escreve direito por linhas tortas...
Estava eu em casa de uma amiga, com amiga, seu marido e uns amigos de amiga (que vi umas duas ou três vezes na vida e que cataloguei no primeiro minuto como pessoas extremamente afectadas), todos tranquilamente à conversa e, eis senão quando, oiço ao longe um som que me é bastante familiar.
Fiquei imediatamente num alvoroço interior a tentar perceber se era efectivamente aquilo que estava a pensar. Concentrei-me no som e constatei que sim, que era. O som aumentava e vinha direito a nós toc, toC, tOC, TOC, TOC... Espreitei pela janela e (milagre!) vislumbrei o Regimento de Cavalaria da GNR a passar lá em baixo. Oh pah!
Pois que nem pensei duas vezes ao ver ali a oportunidade de vos provar a minha coragem. Arrisquei assim toda a minha credibilidade e perante o olhar incrédulo dos meus anfitriões e seus amigos (extremamente afectados) que, face à minha atitude, ficaram petrificados nos seus lugares, lancei-me num voo picado na direcção da janela, entreabrindo-a. Deitei-me no chão, camuflada com as portadas, rindo-me freneticamente e... o que se seguiu, podem apreciar neste pequeno vídeo que fiz, pensando única e exclusivamente em vocês.
Devem ter em consideração que, enquanto o filmava, a amiga-anfitriã me puxava por uma perna pedindo-me pelo amor da santa que parasse. Ainda assim, e apesar do desespero de amiga, não parei. A minha cabeça só pensava no vosso bem estar e na importância vital que estas imagens teriam nas vossas vidas. 
Claro que depois disto, a conversa já não voltou ao normal. Amiga e amigos (extremamente afectados) de amiga olhavam-me de forma estranha e cochichavam pelos cantos palavras sussurradas que não consegui decifrar. 
É certo que este programa de Domingo não se voltará a repetir... é certo que me tornarei, muito em breve, numa sem-progama e não voltarei a ser convidada por esta amiga (muito menos pelos amigos de amiga) e, provavelmente por mais ninguém (que estas coisas sabem-se todas) mas, o importante, é que valeu a pena. Por vocês, meus queridos pom-pons, tudo vale a pena! 


P.S. No entanto, sinto-me bastante calma porque sei que vocês me acolherão nas vossas casas, me levarão a passear (aos centros comerciais) nos vossos carros  porque, estarão absolutamente conscientes que, afinal, a culpa de eu me tornar numa sem-amigos é unica e exclusivamente vossa!

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Foi uma discussão conjugal!

Tive de usar de toda a minha argúcia para deslindar o segredo. Pois o que se passou, foi o seguinte:
Filha e amiguinho estavam a brincar aos pais e às mães (hum... parece-me que tenho de ter uma conversa séria com estas crianças) e... tiveram uma discussão!
Sim mãe (disse-me filha) estávamos a discutir!
Mas discutiam sobre o quê? Pergunto eu assim como quem não quer a coisa...
- Então... O Tomás queria que a trotinete fosse o carro da família e eu não! Eu achava que o triciclo é que devia ser o carro da família! Senão, onde é que púnhamos as cadeirinhas dos bebés? E, depois, discutimos. Quando tu chegaste, estávamos a fazer as pazes...

Ahhh... então está bem... vou só ali tomar um Lexotan e volto já...

sexta-feira, 13 de abril de 2012

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Eu quero satisfazer-vos. A sério que sim...

Na minha ânsia de gravar o solicitado relincho, fechei-me subrepticiamente no quarto. Acontece que empregada já veio por duas vezes bater à porta a perguntar se está tudo bem comigo...
Peço mil desculpas mas terei de tentar noutra oportunidade...

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Já sei... Vou assim!


É perfeito! Desta forma, vou arranjadinha mas sem intimidar e, ao mesmo tempo, posso alimentar o casal!

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Eu, Cleópatra, me confesso

Sinto que não posso continuar a enganar-vos. Não seria correcto da minha parte. Tendo em conta a profunda amizade que nos une, tenho de vos revelar as minhas origens. Sim, devo ser a personagem mais fascinante que vocês quase conhecem (apesar de, para vossa infelicidade, não me conhecerem pessoalmente).
Vou dar-vos uma pequena pista, para que possam chegar lá por vocês mesmos. Então é assim (expressão maravilhosa esta):
Papai é faraó. 
Ou seja...
Eu serei...
... A próxima Faraó(na), raínha do Egipto (no seguimento da minha bisavó em 45º grau - Cleópatra, Primeira). 
Como prova desta minha afirmação, mostro-vos a nossa pirâmide. É pequena porque gostamos de nos manter discretos e prezamos o nosso anonimato, (não somos, por exemplo, como a família Romanov que passa a vida a aparecer com putativos sobrinhos, netos e bisnetos com sede de protagonismo), é branca por fora (só para disfarçar - evidentemente que, por dentro, é de ouro maciço) e tem uma só câmara porque os tempos não estão para ostentações.
Pequena cadela cutxi-cutxi foi adquirida para esfinge (infelizmente ainda está pouco treinada nestas artes de se manter imóvel e temos de a sovar amiúde e chamá-la de cão-esfinge-mau com voz severa para que ela se aperceba das suas responsabilidades).
Pronto... sei que nutrirão agora um respeito muito mais profundo e um certo temor reverencial pela nossa nobre família e que sempre que acederem aqui ao papiro farão, de imediato, a devida vénia e lerão as extraordinárias prosas que aqui vos deixo virados de lado (numa verdadeira tentativa de read like an egiptian).
Mas atenção, podem continuar a tratar-me por Palmier que eu, magnânima, vos perdoo a imprecisão...


quinta-feira, 5 de abril de 2012

Em profunda comunhão com a Natureza



P.S. Atentem no meu novo colete Quechua de malha polar, adquirido para me proteger da severa intempérie algarvia.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

A sério...

Isto está bom é para chá e scones...


P.S. Olho, no entanto, para o lado positivo. Assim, não necessito de filtro para o chá...

Apesar de andar a resistir,

E de me andar a enganar ao dizer a mim própria (com alguma insistência) que não fiz assim tão mal a mala (ao escolher t-shirts, fatos de banho e protectores solares para usar no decorrer destas férias) e acrescentando permanentemente que o tempo vai melhorar (vai, vai, vai!), vou-me render às evidências e terei de ir, pela segunda Páscoa consecutiva, à Dechatlon de Portimão, comprar polares Quechua derivado ao frio que se faz sentir.

terça-feira, 3 de abril de 2012

O meu próprio gnomo de Amélie Poulant

Todos nós temos um gnomo de Amélie Poulant nas nossas vidas. 



Eu também tenho o meu.
Vou, então, relatar a história do meu próprio gnomo de Amélie Poulant. O meu gnomo não é um simples gnomo. O meu gnomo é constituído por vários elementos. O meu gnomo é uma família. Uma família numerosa. Uma família de apelido Aparecida.
Ora, a família Aparecida tem por hábito solicitar a papai alojamento para quinze dias de férias em cada ano civil. Papai, homem generoso, abre as portas de sua casa a família Aparecida (apesar de eu já lhe ter pedido por diversas vezes e de joelhos, para as fechar). Família Aparecida apresenta-se e veraneia-se ininterruptamente durante os dias acordados. No fim das férias e como forma de agradecimento, a família Aparecida oferece a papai uma moldura com a fotografia de todos os seus elementos. Não sabemos por que razão a família Aparecida tem por hábito presentear-nos com as suas próprias fotografias. No entanto, sabemos que o faz. E, por isso, já estamos preparados para esse acontecimento anual. Já aventámos várias hipóteses para tal facto. Desde um orgulho desmedido na sua própria imagem, à teoria da evolução (desta forma dispomos de fotografias dos filhos de família Aparecida, desde o nascimento até à idade adulta, podendo assim observar condignamente o desenvolvimento do Homo Sapiens). 
Acontece que a moldura com a respectiva fotografia é oferecida a papai e este, não a conseguindo deitar fora (ou incinerar - digo eu...), atira-a para um sítio qualquer onde não tenha (obviamente) de a ver. O problema é que esses sítios são, normalmente, aqueles em que nós (os outros) mexemos. Assim, acontece amiúde abrir uma gaveta e saltar de lá o nosso próprio gnomo de Amélie Poulant - A família Aparecida. É certo que o nosso gnomo não é viajado e não aparece em fotografias em Londres, Paris ou Roma. O nosso gnomo é mais modesto e faz-se fotografar sempre aqui pelas redondezas. No entanto, isso não faz dele menos gnomo.
Hoje, por exemplo, já me cruzei com o gnomo por duas vezes:
1- Ao abrir uma gaveta em busca dos Ninjagos de filho, zás, sou agredida pela imagem de família Aparecida na praia. Elemento mais velho deitado delicadamente sobre o areal mas com um certo jeito de paquiderme. Os elementos mais novos mostram os seus dotes de hipismo, ao cavalgarem o paquiderme.



2 -  Poucos minutos depois, ao abrir a gaveta dos brinquedos a solicitação de filha, pumba, sinto novo impacto. Família Aparecida espojada na relva, em jeitos mais clássico-desportivos. Uma pose que revela um enorme à vontade. Diria mesmo que um contacto profissional com a natureza de casa de papai: 


E digo-vos, há mais, muito mais. Eles estão por todo o lado. São anos e anos de férias. São fotografias e fotografias, molduras e molduras, filhas pequenas, filhas médias, filhas grandes.
Acontece que hoje já tive a minha dose de gnomo e recuso-me, agora, a abrir qualquer gaveta ou armário (sinto medo, muito medo). Nem que seja para tirar uma colher da gaveta dos talheres... Antes comer a sopa à mão, a ter novo encontro imediato com o meu próprio gnomo...

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Trauma

Ontem o dia foi dedicado à Isla Mágica (uma linda feira popular, portanto). Razão de ser da ida a Sevilha. Programa idílico pensado para as crianças. Assim sendo, andámos em todos os divertimentos.
Fogooooooooooo páhhhhhhhh, caraças, caraças, porra, caraças, fogo, porra, porra, porra... devia estar mas é maluca quando vacilei e disse que sim à montanha russa (mesmo que estejamos a falar da mais pequena...). Numa destas não me voltam a apanhar. Enquanto tiver o poder de decisão, isso é garantidinho.
Fiquei, no entanto, com um grande temor... Vi um senhor idoso numa cadeira de rodas que era arrastado de divertimento em divertimento pela sua própria família... Estou em crer que que assisti a um caso de assassínio grupal e que os homicidas o premeditaram com todos os detalhes e requintes de malvadez. Primeiro levaram o velhinho para o carrossel (para parecer uma coisa inocente), depois para os cavalinhos ou Lamas ou lá o que era, depois para o comboio fantasma e depois (sempre em crescendo) a montanha russa, o sobe e desce (que eleva as pessoas a mais de 50 metros de altura, para depois as largar em queda livre) e depois... depois não quis ver mais, porque já me estava a imaginar num tribunal sevilhano, onde compareceria, vestida de preto, como principal testemunha do assassinato do velhinho, aparecendo inúmeras vezes na televisão tendo em conta a coragem e teor das minhas palavras proferidas contra o gang do paraplégico, dando entrevistas para a Caras, Lux e mesmo para a Hola, aproveitando a minha influência em Espanha para visitar a Sara Norte, sendo eleita pelos serviços secretos espanhóis como especialista em terrorismo de feiras  populares e posteriormente, recrutada pela própria princesa Letizia para acompanhar as visitas de Estado a parques temáticos (como podem constatar, quando começo a confabular, tenho muitas dificuldades em parar)...
Bem... Voltando à montanha russa da Isla Mágica e depois dos gritos de terror que inadvertidamente brotaram da minha traqueia (e da faringe, e da laringe e mesmo dos alvéolos) enquanto percorríamos aquele percurso (por duas vezes, senhores, duas vezes! Porque aquilo não para! Quando a pessoa pensa que se viu livre do terror, tipo... ok, é agora, chegou ao fim, vai parar! Erro crasso! Aquela merda arranca outra vez a todo o vapor levando-nos de pernas para o ar pelos carris a chiar por todos os lados por uma segunda vez!), temo, agora, repreender filhos sobre qualquer assunto que seja, pois vislumbro terríveis e obscuras represálias sobre a minha pessoas a terem lugar nas feiras populares do futuro...