domingo, 26 de junho de 2016

O que estás a ouvir neste momento, Palmier?

O vento a passar pelo choupo, as folhas sempre a tilintar, como um guizo de papel, uma ovelha a falr com um carneiro de voz grossa, assuntos lá deles, ela fala e ele responde, sempre a mesma resposta, lacónico, a desconversar, as moscas a zumbir, como num circuito de fórmula 1, mais perto, mais longe, mais perto, mais longe, mais perto, mais longe, passarinhos vários, cada um a produzir a sua música, às vezes as asas a bater quando passam por mim para vir pousar no beiral, um galo fora de horas, um sapo com aquele gorgolejar de garganta, estranhamente perto, um carro em esforço a subir o monte, a reduzir de quarta para terceira, depois para segunda, depois a desaparecer numa qualquer estrada, uma matilha de cães lá longe, os da caça, que provocam a resposta dos outros, que estão mais perto e que não passam de donos-de-casa, um avião muito alto, no céu, uma porta a bater que ecoa vale acima, o badalo de um sino e três foguetes desgarrados que só me chegaram porque estava com muita atenção. Agora chegaram os meus filhos, a falar muito alto, e já não oiço mais  nada.

4 comentários:

  1. Parece-me um sítio muito perigoso. Queres que mande alguém buscar-te?

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    1. Já estou a salvo! Agora vou ali abrir um bocadinho a janela para snifar um pouco de tubos de escape! Já estava em carência! :DDDDDDDDDD

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  2. (Antes que perguntes, essa dor de cabeça é do excesso de oxigénio)

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