quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Brincadeiras à parte

Aqui onde estou há muitas famílias árabes. Marido, mulher, filhos (muitos) e outras pessoas que orbitam em volta da família, mas que não consigo perceber qual a relação familiar com o núcleo principal. Com o pouco que há para fazer, vou-me entretendo a observar e, digo-vos... se, em ambiente de cidade, já nos vamos habituando a ver as mulheres árabes com os seus lenços e abayas (esta aprendi com a Sexinho), em ambiente de praia a coisa atinge proporções verdadeiramente aflitivas. Se as pequeninas ainda podem ir para a piscina de fato-de-banho, as pré-adolescentes já têm de andar cobertas com o equivalente ao nosso fato de surf (aqueles de manga curta e pelos joelhos), mas em largueirão, e as adultas (as mais modernas! Porque as mais ortodoxas - que também as há - nem se aproximam da piscina) com um fato preto de lycra (equivalente aos fatos de pesca submarina, mas em largo) que lhes cobre desde o cabelo até aos pés, ficando apenas a carinha de fora. Os meninos andam na maior... de calções em matchy-matchy com os respectivos pais...
Ora eu não sei como é que elas se sentem no meio de pessoas de biquini, mas presumo que o choque que é para mim ver famílias inteiras a tomar banho vestidas integralmente de preto, deve ser para elas verem as ocidentais todas descascadas e em biquini...  

A verdade é que está cultura é poderosamente hegemónica e capaz de lançar um enorme manto castrador à sua volta... é que se ontem não hesitei em apresentar-me  na piscina de biquini, hoje estou de fato-de-banho... 

44 comentários:

  1. E amanhã de fato de surf...e se as férias durarem muito nem te aproximas da piscina.
    Estou a brincar Palmier, compreendo perfeitamente o teu sentimento.

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  2. Brincadeiras à parte. Se nos países deles sou obrigada a usar lenço e/ou abay e se respeito a crença e a cultura. Pois que no ocidente nos respeitem. A mim aflige-me ver as mulheres assim na praia e na piscina mesmo quando sei que é por vontade prórpia. Pois que se aflijam por me ver em bikini...

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    1. Isso é o lado racional a falar... também penso da mesma maneira. A verdade é que ontem, com o biquini, momentos houve em que me parecia que estava com um mega-decote e uma ultra mini-saia numa festa de vestido comprido... por isso digo que é uma cultura poderosa.

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    2. Fazem-nos sentir expostas... acho que é isso...

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    3. Percebes agora isto?
      http://www.osexoeaidade.com/search?q=guaxinim

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  3. e logo à noite estás de burka :\
    é uma cultura à parte que para nós (ocidentais) será difícil de perceber!

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  4. Em Portugal nunca passei por essa experiência. Mas há uns anos atrás, em viagem pela Jordânia e Síria, eram absolutamente assassinos os olhares que recebia quando estava na rua (de saia e t-shirt de alças). E incomodava-me muito mais a expressão e o olhar das mulheres do que dos homens, que olhavam para mim como se fosse uma p**a por andar assim vestida (e para elas era mesmo...)

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    1. Mas nos países muçulmanos já vamos preparadas psicologicamente para isso... agora na Europa... eles conseguem, mesmo em menor número, irradiar esse sentimento...

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  5. Esses largos chamam-se burquinis
    :DD
    (verdade)

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  6. Ahhhh ha uns anos atras entrei numa piscina na Austria, era Inverno, estava tudo nu, dos 8 meses aos 80, claro que quem sentiu mal fomos nos...

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    1. Ahahahahhahahahahahahahahahahahahahahahaahhahahahahahahahaahahahhahahahahh
      A situação é igual mas no extremo oposto! :DDDDD

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    2. Mas nós somos receptivos. Falo por mim, ficaria cheia de vontade de experimentar. E não os olharia com desprezo, mas sim achando-os até bastante descontraídos.

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  7. Tem piada que já me senti deslocada num almoço com turcos, tanto eu como a minha cunhada, por sermos as únicas com a cabeça descoberta. Ninguém os imaginaria tão tradicionalistas em relação à religião,,,

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  8. Eu detesto essa cultura. Mas é que detesto mesmo, seja por vontade própria ou não, a verdade é que limitam a mulher em muitas das suas liberdades.
    Seria incapaz de viver numa das arábias, é que nem numa das "ocidentalizadas", irrita-me profundamente eu ter de usar abaya lá e eles estarem-se nas tintas para os costumes ocidentais, irrita-me a perseguição aos católicos, irrita-me o ar de sujo dos homens, irrita-me o ar lascivo com que me olham, ainda que esteja de saia comprida e t-shirt XXL, enfim, acho que deu para perceber a ideia...

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    1. A verdade é que, ao contrário dos povos ocidentais, a sensação que tenho, é que exteriormente, são impermiáveis às outras culturas...

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    2. Mas, pela experiência que tenho , não são. Só são apra o que lhe interessa. Muitos deles em casa têm e bebem alcóol. Isto para só dar um exemplo... porque sei estórias que não lembram a ninguém. São muito cumpridores em relação aos preceitos impostos às mulheres e gostam muito de dar lições de moral aos ocidentais... mas dentro de portas...ui... Palmier...

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    3. Sim... por isso é que disse "exteriormente"... porque das coisas que tenho ouvido, dentro de casa e entre elas, também impera a ocidentalização... ;)

      (e era impermeáveis... :)

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    4. Ai Picante, como entendo. É triste admiti-lo, porque nunca me senti como racista ou mentecapta em relação a nenhuma cultura, mas um homem que casa com uma mulher, formada em Direito, e obriga-a a ficar no carro e a ser servida pelos empregados quando vai ao restaurante, ou a não se aproximar das janelas DENTRO da sua própria casa, ou a PERMANECER na cozinha o dia todo, mesmo que não esteja a cozinhar, para mim só tem uma reacção: nojo. Ah, e este "miúdo" tem 23 anos. E é indiano. Muçulmano da Índia.

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    5. Por vezes basta sentirem-se à vontade com alguém de fora para mostrarem como são. O meu pai tinha um amigo árabe que quando estava sozinho com ele comia carne de porco e enfrascava bebidas alcoólicas que não era brincadeira. Depois dizia-lhe para não contar nada à familia dele. Lembro-me que o meu pai o começou a achar um tanto hipócrita por causa disso mas só soube disso muitos anos mais tarde.
      A mulher andava de burka mesmo quando só estávamos raparigas/mulheres num quarto. Não sei se era por eu e a minha mãe sermos ocidentais mas nunca a vi sem a dita e quando íamos a casa deles tínhamos o hábito de vestir as coisinhas mais largonas e mais tapadas que tivéssemos. Pensando nisso agora, elas nunca fizeram o esforço de as retirar quando vinham à nossa casa. Lá está, sempre nós a adaptar-mo-nos a eles.

      Ps: O país em questão era na Suiça mas nem assim.

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  9. Vivi em londres perto de uma comunidade muculmana e quando cheguei aqui fiquei chocada. Tenho alguns conhecidos muculmanos e colegas de trabalho. Ja tive tanta briga. As diferencas sao msm enormes. Por ex . No trabalho os meus coleggas asiaticos acham que eu tenho menos valor so porque sou mulher. Gostava de dizer que respeito a cultura deles ms nao è verdade. Desprezo os. A maioria *(nao todos) sao prepotentes e as mulheres ... traram nos mulheres europeas como se fossemos impuras. Eu ja me fartei de tentar entender agora è posiçao de defesa e ataque. So quem ve e vive isto de perto sabe como è

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    1. Conforme disse à MI, mais abaixo, acredito que uma vivência mais próxima crie mecanismos mais agressivos para lidar com esta estranha realidade...

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  10. E as mulheres muçulmanas que sofram de "calores" como eu? Deve ser um martírio com os burquinis ao sol. É por isso que as mulheres mais velhas nem para a piscina vão.

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    1. Palmier, não são nada coitadas, carambas!
      É uma posição que elas defendem com unhas e dentes e não te esqueças que uma árabe aquilo que mais quer é manter a pele branca e imaculada!

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    2. Coitadas era para a caloraça que devem passar! É que aquilo deve fazer efeito estufa!

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    3. É sauna. Talvez por isso digam que elas são bem jeitosas :) ao calor que passam devem assar a gordura toda e depois só sobra a pele.

      (Já agora, elas não têm aquele tom de pele "azeitona" )

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  11. Eu por acaso tenho a ideia de que esses homens são uns rebarbados. Quando vêm uma mulher em biquini até devem salivar. Ou pior.

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    1. Não sei quais são os olhares piores... se os deles, se os delas...

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    2. Para mim sempre foram elas.
      Quando na Arábia Saudita um árabe colega do MQT foi proibido, repito, proibido pela mulher, sim pela mulher, que o agarrou por um braço, repito, que o agarrou por um braço, para que ele não cumprimentasse o MQT que estava ao meu lado e eu, ó impura, estava de abaya mas cara a descoberto…afinal quem manda em quem?
      da minha experiência lá, in loco, mandam elas muito mais do que eles, que para elas são uns cordeirinhos mansos.
      Mas isto é a minha experiência na Arábia Saudita (tenho tanta, mas tanta, TANTA, pena que todos sejam medidos pela mesma bitola…que quando dizemos Árabe pensemos Arábia Saudita e não, India, Paquistão, Irão, Afeganistão, etc, porque é daí sim que vem o perigo, não de onde a propaganda nos diz vir. Os únicos olhares libidinosos, gulosos e despudorados que senti quando em terras do Reino da Arábia Saudita foram sempre dos indianos, filipinos e paquistaneses, nunca por nunca de um árabe para quem uma mulher é uma rainha (são filhos de mulheres e são as mulheres que lhes dão os filhos, não há bem mais precioso).
      Esta porcaria desta conversa, cristãos vs muçulmanos (o que eu queria mesmo é que separassem os muçulmanos por países) dava pano para mangas mas não m´apetece...

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    3. Percebo... há sempre gente boa e má em todos os lados... o que eu imagino dos outros comentários neste post, nomeadamente dos árabes que vivem na Europa, é que, quando saem dos seus países, e para evitar serem "contagiados" por outras culturas e modos de vida, devem endurecer ainda mais as regras por que se regem... e dá o resultado que dá...

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    4. Exactamente!
      Mas é que é isso mesmo!
      (opah tu és tão esperta caté tenho medo que te roubem; vou-te fazer um seguro!)

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  12. É um dos aspectos que me faz ter vontade de voltar para Portugal, onde nunca tinha visto ninguém de lenço quanto mais de burka!!!
    Por aqui, é o prato do dia. O que nos vale é não ter praia aqui ao lado (fica a 1hora) e o tempo ser cócó porque nos poucos dias de calor faz-me uma aflição ver aquelas mulheres todas tapadas e de preto! E o cheiro, Deus? :/
    Ainda assim, nesta situação toda, o que me surpreendeu verdadeiramente foi exactamente o pensamento das mulheres árabes em relação às ocidentais. Mesmo na "capital da Europa", essas mulheres acham-se no direito de fazer pervalecer a sua cultura à força. E recebemos, as ocidentais, olhares assassinos constantemente. Aliás, há até o líder dum partido famoso aqui a dizer "se os naturais do país estão mal, que se mudem. Este país é nosso". E é assustador perceber que sim, que qualquer dia o país é mesmo deles. Aquele maluco da Suécia, ou Finlândia, ou lá de onde era, tinha "alguma razão de ser" - apesar de, obviamente, ter usado todos os meios errados. Mas no seu manifesto realçava que daqui a 50 anos, a Europa será maioritariamente árabe. E isso sim é assustador. Porque nós podemos ser flexíveis com eles. Mas eles não são flexíveis connosco. Nem aqui, em minoria. Quanto mais em maioria.
    Até tenho vergonha de o admitir, mas passei a sentir-me racista, desde que mudei para cá.

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    1. Sim... acredito que uma experiência mais perto e mais permanente possa dar origem a esse tipo de reacção. Não será por acaso que cristãos e muçulmanos se confrontam há séculos...

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  13. Mi sou o anonimo de 13:33 voce vive em londres? Concordo com TUDO aquilo que disse ... efim ...alguem que me entende

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  14. Eu já atrofiei nas ferias do ano passado, quando tive em Viena no mm hotel um jovem q andava toda tapada. A tomar o pequeno almoço so usava uma das mãos p o talher pq a outra ia levantando o véu para meter a comida na boca...o q aquilo me fazia confusão!! Numa piscina, acho q ia p o quarto e n ia mais lá :)

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