terça-feira, 4 de agosto de 2015

A genética é uma coisa estranhíssima

Durante anos o meu pai tentou que eu me interessasse pela física, a física da escola em primeiro lugar, depois pela física quântica, buracos negros, galáxias, teoria das cordas, velocidade da luz e sei lá mais o quê. Tentou e tentou e tentou, como era possível não me interessar pela física, pelo universo, não me sentia eu envergonhada por ser uma ignorante? E eu tentava, concentrava-me, tomava atenção, mas, passado cinco minutos já estava perdida nos conceitos, sem conseguir perceber rigorosamente nada daquilo que para o meu pai era tão óbvio. Às tantas ele desistiu, desistiu de me querer introduzir àquilo que é verdadeiramente importante e deu-me como inapta para estes assuntos.
Agora está ali a falar com o meu filho, o meu filho que é igual ao meu pai, até fisicamente, nas fotografias só se distinguem pelo facto das do meu pai, em pequeno, serem a preto e branco, e ali está, de sobrancelhas franzidas, a contrapor, que viu no site da NASA não sei quê, e o meu pai insiste que não, que o núcleo da estrela aquece pela pressão no centro, aumenta a temperatura que desencadeia a fusão do hidrogénio em elementos mais pesados, depois é como que numas escadas, sempre a deitar energia sob a forma de partículas até que por fim chega ao ferro e o ferro só pode transmutar se se lhe fornecer energia, se a estrela for pequena, transforma-se numa anã branca... (e pronto, já me perdi na explicação...)



16 comentários:

  1. Fiquei com um sorriso meio parvo e vontade de te dar um abraço.
    Esses são os meus temas de paixão (entre outros, mas foi o que estudei - Física) e digo-te, querida Palmier, que é dificílimo entender certas coisas, porque simplesmente não são intuitivas, fazem parte de mundos muito grandes (ou muito pequenos), onde nós, pessoas, não entramos nem a martelo.
    Adorei o post. Um beijo. (adorava ouvir essa conversa colateral)

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    1. É que nem a martelo pneumático! :D
      Mas o meu filho parece que se interessa pela coisa :))))

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    2. Que engraçado, o meu avô adorava ir a leilões, recuparar tralhas... arrastava o meu querido pai a tudo isso (que gostava de máquinas, legos, tecnologias e computadores), eu, herdei o bichinho das tralhas, mas infelizmente não tive o meu avô para me ensinar e conversar sobre essas ditas coisas, mas que está em mim está. Também adorei o post

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  2. É bom ele interessar-se Palmier. Eu sou de Física/Química Molecular e, muitas vezes, a problemática dos miúdos (e graúdos) não se interessarem pela "coisa" é falta de humildade de quem os ensina. O abstrato só se torna real quando existe alguém com capacidade para transmitir. Aquilo que parece a "outra dimensão " , afinal , anda de braço dado com o real. E é bem verdade. É isso que tem que ser explicado. A ciência não é abstrata ( existem opiniões divergentes), é bem real e tudo encaixa. Tudo faz sentido, é só pensar. Bom, boas férias.

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    1. Acredito... só que nunca consegui atingir... :)

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  3. Pois...

    ...até ias bem, mas começaste a descarrilar...

    :)

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  4. Será que estão a falar chinês? Não percebi nada!!!

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  5. E o que eu invejo relações de pai e filha assim...?

    :)

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  6. Palmy, acho que o Universo se encarrega destas coisas, destas homenagens aos nossos pais em forma de filhos :)
    (eu, fiel seguidora de Arthur C. Clarke, tinha (e tenho) verdadeiro fascinio por todas essas coisas das galáxias, buracos negros, velocidade da luz, outras dimensões, etc, mas não percebo um caracol da coisa …. adorava ter tido quem mo tivesse explicado)
    Adorei o post, né?

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  7. Deixa lá que eu cresci com o "cogito ergo sum", o Kant, o amigo Locke e outros tantos... tadinho do meu paizinho que tantos livros tinha e eu nem um desses li. Foi assim uma tristeza imensa ter percebido que eu não iria herdar a sua biblioteca (melhor, que não queria).

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    1. :D
      O meu deposita todas as esperanças no meu filho :DDDDDDD

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