sábado, 12 de março de 2016

Manhã de horror

Na verdade tudo começou ontem à tarde, no supermercado, quando, por ver o fim-de-semana demasiado preenchido e sem tempo para cabeleireiro, decidi comprar uma tinta para o cabelo...

Hoje de manhã e enquanto o meu filho estava a estudar matamática com um amigo (derivado de eu já ter atingido o meu índice de Peter) na sala de jantar - e a localização é importante, já que a sala de jantar fica em frente à cozinha... já vão perceber mais à frente - eu retirei-me para os meus aposentos e vá de pintar o meu magnífico cabelo. E pintei, muitíssimo bem. As instruções diziam para esperar vinte minutos, mas eu, que nunca acredito muito nestas coisas, vá de esperar meia hora. Ora, à badalada da meia hora entrei para o duche, liguei a água, que estranhamente estava assim para o morno, mas a meia hora já lá ia e havia que retirar aquilo do cabelo, por isso enxaguei-o, tal como as instruções mandavam, mas ao terceiro minuto a água já não estava morna, estava fria, gelada, estalactites a sair do chuveiro, e eu a alucinar, mas o que raio é isto, e agora o que é que eu faço, o tempo já acabou, eles estão lá dentro, à frente da cozinha, que contém a caldeira, ai minha nossa senhora, Deuses do Olimpo, e agora?!  E agora?! pois que saí do duche, a tinta a escorrer-me para a cara, para os olhos, a pingar para o chão, não podia embrulhar-me na toalha para não a arruinar eternamente, também não podia ir de toalha enrolada à cozinha, para ver o que se passava com a caldeira, já que o meu filho e o amigo estavam ali mesmo, na sala de jantar, e então vesti o roupão, a tinta a escorrer por todo o lado, o roupão a mudar de cor, o tempo a passar e eu a imaginar-me já careca, e lá fui, pé ante pé, para a cozinha, eles a olhar para mim com a interrogação estampada nas suas caras matemáticas, e eu a acenar, com ar de que aquilo era normalíssimo, com pingos de tinta castanha a passarem-me em frente aos olhos, e depois abri o armário, a caldeira lá estava, cheia de sinalefos a piscar, mas eu não tinha os óculos, que estavam no quarto, e para além disso estava a tremer, completamente gelada, derivado de estar em hipotermia, não conseguia perceber nada do que se passava, a ligar e a desligar e a caldeira, mas aquilo começava a funcionar e depois plop, ia-se abaixo, e o tempo a passar, já lá iam alguns quarenta minutos, o que é que eu faço, o que é que eu faço?! a carregar nos botões todos à maluca, dois ao mesmo tempo, e nada, o melhor era voltar para o duche, tinha mesmo de tirar a tinta, caramba, daqui a nada em vez de castanho fica é preto asa de corvo, e assim fiz, ganhei coragem e avancei para todo o processo com o que me pareceram cubos de gelo.

Agora estou aqui a beber um chá fervente, com o cérebro congelado, ainda não fui secar o cabelo, sinto algum receio do resultado. Já vi a caldeira. Com os óculos postos. Só lhe faltava água... 


24 comentários:

  1. Incrível a tua capacidade em quereres piorar aquilo que, por si só, já é péssimo.

    ResponderEliminar
  2. Querida Palmier, por gentileza, queira vir mostrar o resultado das suas mezinhas capilares caseiras.
    Estou em pulgas...
    A aguardar pacientemente,
    Uma sua fã.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Acho que se deu um milagre! Não ficou nada mal! :DDDDDDDDDD

      Eliminar
  3. Mas quando é que passou a ser admissível pintar-se o cabelo em casa? E ninguém me avisa dessas alteração ao regulamento?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olha, na verdade sou uma fora-da-lei! :DDDDDDDDDD

      Eliminar
  4. Eu ainda não recuperei do trauma de uma cena muito semelhante, que vivi, subitamente, no Verão passado :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ahahahahahahahahahahhahahahahahahahhahahahahahhahahahahahhahahahahahahhahahahahahahhahahahahahhahahahahahahhahahahhahahahahhahahahahahahhahahahahhahahahahhahahahahhahahahahah

      Pronto. Não estou só no mundo!

      Eliminar
  5. (por deus... creio que desta vez me urinei mesmo! como ler esta saga sem a gente se mijar a rir?! - literalmente)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Isso, ri... Com as desgraças dos outros... :DDDDDDDDDD

      Eliminar
    2. (desgraças dos outros?!? por causa de ti, estou uma incontinente e a desgraça é tua? :b)

      Eliminar
    3. Ao menos que alguém esteja mais desgraçado do que eu! :DDDDDDDDDD

      Eliminar
    4. tu?! mas tu, até quando os deuses estão contra, te safas! e claro, estás a renovar mais uma tendência, pintar o cabelo em casa... caramba... se eu soubesse que isso era in.....

      Eliminar
    5. Mas até me safar, sofro muito! :DDDDDDDDDD

      Eliminar
  6. Não fazes nada de jeito pah. Nem parece de uma sra xike. . Pintar o cabelo em casa my good. Serão efeitos do cavalo só pode ;)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Vai ser uma corrida aos supermercados, só te digo! :D

      Eliminar
  7. O recesso do sagrado lar serve para muita coisa, Palmier, mas chez mirone jamais servirá para pintar o cabelo. tratsmentos capilares, em dias de especial inspiração, um corte de franja, agora pintar, pah, como diria a Filipa, não contem comigo para essas cenas.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Mi, não dava para ir ao cabeleireiro... temos de ser flexíveis nos nossos dogmas! :DDDDDDDDDD

      Eliminar
  8. Parabéns pelo texto! Pode-se partilhar?

    ResponderEliminar
  9. Primeira aprendizagem: nunca entrar para a banheira para lavar a tinta do cabelo....primeiro tira-se a tinta.....

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Mas de cabeça para baixo - na banheira - não dá jeito nenhum, que vai tudo para a cara...

      Eliminar