segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Se calhar é sempre assim e eu é que não estava atenta

Mas faz-me confusão a entrada em cena desta nova maioria da Assembleia de República, quase como se estivessem a ocupar a casa de uma velha tia acabada de morrer e deitassem pela janela fora a mobília toda, arrancassem os cortinados, rasgassem as fotografias de família e as telas penduradas nas paredes, sem cuidar de ver se aquele canapé de veludo amarelo, se estofado com um outro tecido, não ficava bem bonito, ou se aquela pintura, com uma moldura diferente, não é afinal uma boa pintura, numa urgência de destruir para construir tudo de novo, sem que, nesse processo, se aproveite nada do que já existe.

(é que, se calhar, os exames do quarto ano fazem mais pela igualdade do ensino que a falta deles. É que, mais do que pressionar os pobres alunos, coitadinhos, que têm de cansar suas belas cabeças a estudar, os exames pressionam as escolas e os professores por forma a garantir um nível de ensino e exigência mais uniforme... mas parece que avaliar é coisa de tia velha. E morta. E enterrada.)



101 comentários:

  1. Mas parece que não que é mais importante manter as diferenças, que aos desfavorecidos (social, economica, geográfica ou outro ...mente), não se pode desejar que tenham os conhecimentos e ferramentas que os que não o são têm.
    Por falar em garantir a igualdade de ferramentas... E aquilo dos Magalhães, hein?, isso sim foi útil ... Resta saber para quem.

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    1. Olha... chama-se a isso "alinhar por baixo"... :/

      É que a minha opinião é que os exames garantiam essa igualdade. Que a todos os alunos eram dadas as mesmas matérias. Agora assim...

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    2. Mas mesmo assim ainda existia injustiça quando se pedia a um aluno que teve um bom professor, que se interessava e não meteu baixa 9 meses seguidos porque "who cares?" e fizesse um exame em relação ao aluno que teve um bom professor ou, no mínimo, 1 professor presente.
      Podemos falar daqueles professores que vão a concurso e sabem perfeitamente que a seguir vão meter baixa porque já é o seu modus operandi? Podemos? Ou desses não vale a pena falar?

      O problema é que já se nivela por baixo quando diz respeito à empregabilidade dos professores, quando falamos da colocação, dos beneficios/progressão na carreira, etc.

      Eu por cá tive sorte na professora que calhou ao meu filho (muita sorte). Já aos alunos que tiveram uma vizinha minha como professora tiveram tanto azar que ela já se candidatou à vaga sabendo que ia meter baixa durante toda a gravidez (apesar de não ser gravidez de risco) e depois vai usufruir de todos os meses a que tem direito.
      E eu cá acho muito que usufrua dos meses a que tem direito (a parte de meter baixa sem gravidez de risco é outra história) mas o que me mete mesmo fastio é a despreocupação dela face aos alunos que ainda nem sabiam quando ou se ela ia retomar aulas, alunos esses que passam umas boas semanas sem aulas graças a ela.

      E isto é o quê?!

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    3. Isso é falta de organização das escolas (ou do Ministério da Educação, não faço ideia) que não providenciou um professor substituto. Seria uma péssima situação independentemente de existirem ou não exames.

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  2. A tia velha era ruim. Não deixa saudades. Quanto aos exames, eu que sou de esquerda, mas de esquerda, esquerda.Comuna, pronto, acho que os exames do quarto ano se deviam manter e que os miúdos deviam ser avaliados em condições, antes da passagem para o segundo ciclo. O nível dos miúdos que chegavam ao secundário foi durante anos muito baixo. A política da não retenção não é uma boa política. Mas isto sou eu que não percebo nada da poda.

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    1. Ahahahhahahhahahhahahahhahahhahahahahhahahhahahahhahahahhahahhahahhahahhahaha
      Gosto disso; "Comuna, pronto" :DDDDDDDDDDDDDDD

      É que um bom primeiro ciclo é, de facto, fundamental...

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    2. (e eu também não percebo nada da poda... mas tenho a minha opinião enquanto mãe de um filho que fez o exame e de uma filha que, pelos vistos, não o fará...)

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    3. Ai, se eu fosse o miúdo estava furiosa :)

      Eu falo na qualidade de mãe de um agora caloiro que na altura dele fez a prova de aferição . Um escândalo também. Ai e a pressão e coitadinhos dos miúdos. A escola é uma coisa séria e eu acho mesmo que os facilitismo não ajudam nada, muito pelo contrário. Se fazer um exame na escola é uma pressão, quando chegarem ao mercado de trabalho não sabem lidar com nada de nada.

      Pois, comuna pronto, que uma pessoa só pode dizer isto assim em tom de desabafo que isso sim, é uma pressão, ser orgulhosamente camarada. Oxalá isto não lhe espante alguns leitores da ala mais à direita da mais à direita.

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    4. É engraçado que, na altura, ele estava numa escola diferente (um erro de casting, daqueles erros de mãe de primeira viagem) daquela em que ambos estão agora, uma escola muito reputada que, vim a perceber depois do exame que, em termo de ensino, era péssima, e o comentário dele ao fim do exame foi "oh mãe... se não tivesse sido aquilo que tivemos de estudar para o exame, acho que não tinha conseguido entrar para a actual escola...", porque a verdade é quer tiveram três anos de brincadeira e um ano (4º ano) de estudo a sério...

      Aqui cabem todos, ninguém espanta ninguém :)))

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    5. Para o anónimo " comuna pronto": O anónimo é comuna e algarvio, não?
      É que eu lembro-me de dizer que uma pessoa era ruim mas depois que fui para Lisboa deixei de ouvir esse adjectivo aplicado às pessoas. Acertei?

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    6. Maman, quanta honra... :)
      As minhas raízes são do Minho, mais propriamente da zona de Braga, onde não posso assumir esta faceta de comuna pronto, claro está, que então é que era o belo e o bonito. É que nunca mais era convidada para os casamentos religiosos. Mas na verdade usamos esta palava na familia e curiosamente quando nos referimos a uma tia avó que eu tive e que era muito má, diziam. Ruim, portanto. Daí a analogia com o texto da Palmier :)

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    7. A Maman tem razão. Eu estou emprestada ao Algarve há três anos e já digo ruim a torto e a dreto.

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    8. Máqjêtos já estares falande algarvio dos Algarves?! :D

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    1. :)

      (ao menos havia de se ter discutido a medida... e consultado a malta envolvida.. e o Ministro da Educação... ou será que isto agora é tudo assim, à papo-seco...?)

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  4. Mirone eu sou do tempo em que não havia exames no 4o ano nem no nono e nunca fui uma aluna brilhante, cheguei ao secundário e mantive-me uma aluna mediana, fui para a Universidade e tive excelentes notas, pós-graduação também com excelentes notas, trabalho numa Universidade na Holanda e sou competente!
    Não percebo o escândalo de acabarem com esses exames, mas no meu tempo chumbava-se quando era preciso chumbar!

    Mas tudo são opiniões, por exemplo o sistema de ensino aqui é mesmo muito diferente mas muito eficaz.

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    1. Agora também. Aliás, há alunos a ficarem retidos para não estragar as médias...

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    2. Hum... é raríssimo...
      (pelo que ouvi dizer, é uma carga de trabalhos chumbar -parece que reter é a expressão politicamente correcta...- um aluno...)

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    3. Sim, sei que agora evita-se ao máximo chumbar mesmo que mereçam!
      Acho exames desnecessários até porque se os professores forem bons profissionais serão sempre exigentes e se tiverem de chumbar alunos, chumbem!

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    4. Esse "se" é que é o busílis da questão... :/

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    5. Mas palmy, então ai o problema reside em ese poder chumbar qd n estão preparados, n no exame.
      Se um aluno for p a segunda classe qd não está preparado não creio q seja o exame da quarta classe q o vá ajudar.

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    6. Oh pah... e então? Espera-se que chegue ao 12º ano?! :D

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    7. Não, chumba-se! Não acho mal que retirem os exames, mas têm de ser justos com todos os alunos! Se merecem passar passam, se não ficam retidos...

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    8. Chumba-se o aluno uma vez, se à segunda vez chumbar outra vez vai-se ver se o motivo está no aluno ou no professor.
      Se o problema for do professor faz-se como na Suiça,despe-se o professor pois um professor incompetente não merece um lugar no sistema de ensino.

      O verdadeiro problema do ensino português está na mediocridade de quem ensina e de quem gere quem ensina.

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    9. E essa mediocridade vê-se em exames internacionais que, quando Portugal participa, é uma vergonha geral.

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  5. Mais do que pressionar os alunos, o que deveria ser garantido era que a matéria estaria toda dada e aprendida quando chega o final do ano.
    O problema a que se assiste é que a responsabilidade da aprendizagem acaba por transitar para os pais e para os alunos, quando a mesma deveria ser do professor e da escola. Mas isso implicaria dispôr de ferramentas que não existem, de competências a vários níveis que não são facultadas às escolas.

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    1. E então...? Em vez de se facultar as ditas ferramentas às escolas, resolve-se o problema acabando com os exames...?!

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    2. Depende do objectivo dos exames. Se os exames não servem para ir melhorando o sistema há razões para mantê-los?

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    3. Não percebo esse argumento... em vez de garantir que as escolas são capazes de transmitir um determinado conjunto de conhecimentos aos alunos, opta-se por acabar com os exames (não resolvendo também o problema da falta de ferramentas)? Assim numa espécie de "se fecharmos os olhos com muita força faz de conta que o problema não está lá"?

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    4. Bom, os exames foram feitos e sabemos que há problemas. Mas manter exames, sem alterar nada não é precisamente fingir que se anda a fazer alguma coisa? E não há outra forma de controlar qualidade do ensino que não através de exames? A avaliação não deveria ser continua? Porquê esperar 4 anos, quando tudo poderá estar comprometido?

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    5. SN, porque tem de haver uma avaliação feita por alguém externo à escola. Caso contrário os alunos podem ter cem por cento a tudo e esses cem serem equivalentes a vinte por cento. Se o professor fizer testes do segundo ano aos alunos do quarto, as notas que eles vão ter não reflectem os conhecimentos que deviam efectivamente ter adquirido. Conforme disse acima em resposta à alguém, o meu filho andava num colégio ultra reputado que se revelou uma nódoa quando os meninos foram a exame... se o primeiro ciclo dele tivesse sido mais exigente (como está a ser o da minha filha) não tinha de ter andado a correr atrás do prejuízo no quinto e sexto ano...

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    6. Bom, mas os exames externos à escola também são manipulados! Em ano de eleições os do 1º ciclo foram infinitamente mais fáceis do que os do ano anterior! E por aquilo que vou observando as crianças são treinadas para os exames. Para o tipo de perguntas, para as "rasteiras"... Admito que possa ser muito útil para nós que podemos pagar por um colégio seleccionar em função de resultados de exames considerando que os nossos filhos ficam melhor preparados. Eu tenho as minhas dúvidas. Sérias dúvidas.

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    7. SN, concordo contigo no que respeita ao conteúdo dos exames (à parte parva das rasteiras), mas se em vez de eliminarmos os exames alterássemos os conteúdos... era capaz de ser melhor...

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    8. A questão base é que por norma os exames e seus resultados também não nos dizem muito em relação à real capacidade dos alunos (falando de questões pedagógicas e da psicologia dentro da pedagogia). A maioria das crianças tem um pior resultado em exame do que numa avaliação sem formalismos. Daí que escolas como a Escola da Ponte muitas vezes revelem excelentes resultados quando falamos de aprendizagem real e consolidação de conhecimento (coisa que muitas vezes não acontece com meninos que tenham muito boas notas - decoram para o exame e depois "foi-se").

      Em relação aos colégios, já há estudos que comprovam que a maioria dos alunos nos colégios tem bons resultados nos Exames Nacionais quando advém de colégios privados mas unicamente porque são treinados para os exames. Ou seja, eles não aprendem propriamente, eles decoram, aprendem a fintar as perguntas e a saber o que dizer...mas não aprendem a matéria.
      Por isso é que também há muitos Prof. universitários a afirmar que eles são muito bons nos exames nacionais mas depois como alunos de Ens. Superior tendem a ser uma nódoa. Não sabem sê-lo, não tem sentido critico, capacidade para inventar, para pensar "fora da caixa", etc etc etc.(é procurar os estudos no rcaap que por lá não faltam estudos cientificos a comprovar isto).

      Segundo a pedagogia este tipo de exames são desnecessários, segundo a maioria dos investigadores da área, a forma como o sistema de ensino está feito e construído não é certo. De uma forma geral já se depreendeu que a forma de ensino actual não é eficaz, nem é boa. De forma mais particular, Portugal tem medidas que são arcaicas em termos de ensino, coisas do século passado mesmo. Nem sequer somos capazes de reproduzir ou tentam imitar os bons (quando tentamos vamos aos "menos maus" e não aos excelentes).
      Os melhores sistemas de ensino são muito diferentes dos nossos e este tipo de exames são completamente ausentes das suas práticas, assim como o são turmas enormes, professores rotativos, professores incompetentes, etc etc etc...imitem os bons, não os mais fracos e o nosso sistema de ensino melhora.

      O exame em si não faz nada. Se o exame em si levasse a uma verdadeira investigação e responsabilização aí poderia ser diferente. Imaginemos a escola A, tem 15 alunos que reprovam, 2 ou 3 com notas boas e tudo o resto com notas somente medianas. E que tal ir investigar porque é que as crianças reprovaram? E se chegasse à conclusão que foi pela forma como a escola é gerida: rua com quem a gere. Se fosse o professor incompetente? Rua com o professor... e assim adiante.

      É assim que funcionam os países onde o ensino tem primazia e não as supostas regalias intocáveis de alguns nichos profissionais.

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    9. Imagino que, de facto, haja muito a fazer para melhorar o ensino, tanto que me parece que quem cai no Ministério da Educação (para além da pressão das Fenprofs e similares) não deve saber para onde se há-de virar, já para não falar do esforço que deve ser lutar contra aquela máquina hercúlea... Para ajudar à festa cada partido que entra no governo decide alterar tudo de cima a baixo. Acho que enquanto assim for, havemos de continuar a andar eternamente em círculos sem chegar a lado nenhum... é triste.

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  6. Era bom que se fizesse alguma coisa com os resultados dos exames do 4º ano. Infelizmente só estavam a servir para elaborar rankings.

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    1. Será que quem entendeu acabar com os ditos exames olhou sequer para esses resultados?!

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    2. Todos olharam. Ninguém fez nada. De qualquer modo, concordo com a tua opinião, apesar de não concordar com exames de 4º ano.

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    3. (ainda assim os rankings acabavam de alguma forma por também classificar os professores... estou em crer que, aqueles que têm brio hão-de ter feito o melhor possível... agora... bem agora é indiferente ter ou não ter brio... não há forma sequer do averiguar)

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    4. Sim, classifica. O professor do meu filho teve uns resultados espectaculares nos rankings. Despachava matéria na sala (se uns têm dificuldade em concluir os curricula, este conseguia a proeza de dar conteúdos do ano seguinte) e as crianças que fossem para casa estudar, fins de semana incluídos. E houve pais que acharam espectacular, eu achei um horror.

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    5. SN, admito que no teu caso pessoal as coisas não tenham corrido bem (não será seguramente o único), mas não se pode legislar com base em casos individuais...

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    6. Conheço mtos professores (do ensino básico na maioria), pessoas próximas de mim. Eles teriam mto a dizer sobre isso dos rankings...n me leves a mal, mas há mta manipulação. Não digo q isso tenha começado com os exames. Não começou, de longe. Já mto antes disso professores eram proibidos, vá, digamos q a decisão de chumbar um aluno (e não falo do ensino básico) não estava inteiramente nas mãos deles. Posso dizer-te q uma das minhas cunhadas deixou de leccionar pq se cansou dessas burocracias e dessas decisões de secretaria, entre outras burocracias claro.

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    7. Exactamente por isso é que defendo os exames...

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    8. Talvez n seja a melhor pessoa p opinar sobre isso. Não passei por eles. Teoricamente, n concordo com os exames, mas acredito q na prática a coisa possa ser diferente ;)

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  7. Em calhando algum deles tem o filho no quarto ano, e teve que ser assim às pressas..:DDDD
    Agora a sério. Isso que dizes é verdade, a minha ia fazer este ano, e eu estava confortável com isso. Mas ouvi relatos um bocado complicados... As crianças iam fazer os exames a escolas que não conheciam, e onde não viam uma cara familiar, alguns com os nervos vomitavam e não faziam nada de jeito...nos colégios vão fora ou fazem lá no próprio colégio?
    É que nunca existirá "igualdade" pura. Basta uma criança estar no seu ambiente de todos os dias e já está em vantagem perante outra que nem sabe onde é a casa de banho.

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    1. Mas Xaxia... em vez de acabarem com os exames, nesse aspecto particular, bastaria que se reorganizasse a forma de os fazer (imagino que seja complicado, mas não deve ser propriamente impossível...)

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    2. Fui rápida a aprovar o comentário, não fui? :DDDDDDDDDDDDDDDDDDD

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    3. A melhorar a olhos vistos. Vejo que levas em linha de conta os meus conselhos!

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  8. Eu, que até vou percebendo da poda, acho de uma estupidez tremenda acabarem com os exames. Se os alunos forem preparados ao longo dos 4 anos, e não só no último, se o exame for visto como uma coisa normal e se, antes do exame, houver, por exemplo, uma visita à escola onde se realiza o exame, os argumentos atrás referidos são logo refutados.

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  9. Traumatizante é a cultura de facilitismo do nosso ensino. A mim traumatiza-me mais que os alunos cheguem ao 5º ano sem saber ler, escrever e contar.....

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    1. Às vezes chegam assim à faculdade...

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    2. Na maioria das vezes (trabalho numa).

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    3. Pois... também tinha essa ideia... :/

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    4. Sou a comuna pronto. Era disto que falava. Esta coisa de não reter os miúdos porque dá mais trabalho e chatices, de não reter por causa das estatísticas, de não reter porque traumatiza a criança ou porque o pai não larga a porta com ameaças resultou numa geração de miúdos que não sabem coisas básicas. Se calhar os professores do ensino superior tiveram eles que se adaptar a esta realidade. Eu trabalho com uma miúda que ainda não chegou aos trinta anos e que teve de googlar fotografias do homem de neandertal para saber do que eu estava a falar. Tem uma licenciatura, é um facto, mas desconhece coisas que eu considero serem básicas. Houve uma política de facilitismo nos último anos que não preparou os miúdos convenientemente. Lembro-me de um episódio em que o meu filho apresentou um trabalho sobre a fome no corno de África e nenhum colega sabia do que se tratava. Corno?? Eram na altura alunos do 10°ano. Chegam às faculdades sem saber ler nem escrever, é mesmo caso para dizer.

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  10. Olha Palmier, penso como tu, e sinceramente espero, que a sede de poder do sr costa, e as promessas feitas, não nos levem a mais um falso estado de plenitude, dum agora é que é, e não acabemos num fundaréu desgraçado.
    Quanto ao ensino, vou-me ficar por dizer que sou uma velha senhora que passou pelos 2lados,e posso garantir, que deste lado os alunos saem muitíssimo mal preparados a todos os níveis. Falam de tudo sem nada saberem de coisa nenhuma, são dispersados por alegorias, é-lhes incutido o espírito competitivo e não de equipa. Acho mal acabarem os exames,a vida é um constante exame e eles não vão chegar preparados para ela. Mas, decerto, daqui a uns anos teremos uns ´óptimos sapateiros com o diploma universitário pendurado na parede.

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    1. Pois eu cá não tenho esperança nenhuma neste novo estado de plenitude... acho que nos vais sair (a todos) bem caro... :/

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  11. A mim faz-me muita mais confusão é o facto dos professores acharem que não podem ser avaliados.. Eu trabalho no privado e o meu desempenho é constantemente avaliado.. E não só aceito como defendo este tipo de política.
    Só por serem professores acham-se uma classe intocável que não se presta a este tipo de procedimentos. Se não gostavam dos módulos da avaliação era melhorar, agora deixar de haver um filtro para separar o trigo do joio não faz nenhum sentido. As pessoas precisam de estímulos e de metas para evoluir.. Conheço muita acéfala que tirou o curso a ferros e que leccionam pois tirar um curso para leccionar até ao 6º ano (no privado então..) digamos que não é das coisas mais complicadas na vida. Como também apanhei muito asno ao longo da minha vida académica que gostava que alguém o tivesse evitado..
    Portanto a conclusão que chego é que só os professores medíocres é que devem estar preocupados com avaliações pois como o ditado diz, Quem não deve, não teme..

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    1. Na verdade não sei muito sobre as reivindicações dos professores neste campo (se calhar existem factores que, por não serem do meu conhecimento, não me estão a entrar na equação), mas, numa análise simplista, estaria totalmente de acordo com o que dizes. Os bons professores devem ficar orgulhosos de pôr uma turma inteira a ter bons resultados. Penso eu "de que"... :)

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    2. Também numa perspectiva simplista, sempre fui totalmente de acordo com esta opinião.
      Ana

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  12. Quando fiz exame da 4ª classe, levava umas meias brancas, que eu sabia iam ficar sujas nos artelhos, aqueles ossos embirravam com a sola dos sapatos e não conseguia evitar o mau aspeto de umas meias brancas com dois borrões pretos de cada lado. Fui para o exame preocupada com as minhas meias. Levava um vestido novo, era importante, para ir mais apresentável. Com o vestido não me preocupei porque sabia que não o ia sujar. Era uma escola pública daquelas com arcos no pátio que ainda hoje acho lindas. Na frente da minha escola ficava a escola dos rapazes exatamente igual .
    O exame fazia-se na escola dos meninos. Achei que entrar na escola dos meninos para fazer exame em conjunto me conferia um estatuto de igualdade. O pensamento talvez não fosse tão elaborado mas o sentimento era esse.
    Não me lembro do exame, não me preocupava tanto como as minhas meias brancas.
    Sujei as meias nos artelhos, cheguei a casa frustrada por não ter conseguido evitá-lo.

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  13. E isto é só o principio...

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  14. Outra com os cotovelos em sangue! Hahahahahahahah

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    1. Há pessoas que têm mau perder e depois há as que têm mau ganhar... Como se pode ver pelo comentário...

      (É que uma coisa é não concordar, outra, muito diferente, é ter inveja... e eu ia ter inveja exactamente de quê...?)

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    2. Oh pq assim já n podes ir fazer o exame da quarta classe q tanto desejavas hehehe
      Sim, há comentadores mto parvos.
      Eu n concordo com o q dizes, mas é uma opinião, tal como a minha.

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    3. Ahahhahahhahahahhahhahahahhahahahhahhahahahhaha
      Oh pá... queria tanto fazer o exame e agora tiraram-me esta oportunidade :DDDDDDDDD

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    4. Fogooooo... é que ia tirar um g'anda notão! :DDDDDDDDDDDDDD

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    5. Deves. Ias, ias. Aposto q com tamanha excitação ainda te dava algum ataque, ou...sei lá, de ti tudo se espera :p

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  15. É a política da terra queimada. É sempre assim.
    Na questão dos exames, porém, concordo que não existam. Não me fizeram falta. Aos dez anos é-se demasiado pequeno para esse tipo de avaliação. Pensa que pode não ser a tua experiência, mas há pais e escolas que colocam uma pressão miserável em cima das crianças a propósito desses exames.

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    1. Cuca, também não me fizeram falta a mim, mas convenhamos que a escola de agora é bem diferente da escola de há uns aninhos (poucos, como é óbvio :D) atrás... claro que há stress envolvido, claro que há escolas que exageram e pais que extrapolam, mas a verdade é que também há escolas que, se não forem "estimuladas", simplesmente não ensinam... e pondo as duas coisas no prato da balança...

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    2. Palmier, mas assim os exames são uma espécie de bengala. Para os professores, pais e alunos. Dá mais trabalho e demora tempo, mas precisamos de uma cultura de auto-responsabilização, que a perspectiva do anterior ministro não promovia, e que não também não vejo reflectida nos comentários pró-exames. E só por cá é que os exames são vistos como sinal de exigência. Na realidade, são apenas uma das várias formas de avaliar, e quase nunca a melhor.

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    3. hilc, o problema é que, infelizmente, a nossa cultura não é, de facto, de auto-responsabilização...

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    4. (e não me refiro apenas às escolas...)

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  16. Se a Velha Senhora regressasse, dava-lhe um fanico ao ver a ordem substituída pelo caos institucional.
    Antigamente, ter a 4ª Classe era condição fundamental para quase tudo na vida, porque equivalia a saber ler e escrever ( quanto mais não fosse, o próprio nome).
    Esta medida lembra-me o pós-25, em que quem se andou a esfalfar para ter notas e atingir médias ficou no mesmo patamar que quem andou no laréu o ano inteiro, porque nivelaram por baixo e a média para ingresso na faculdade era 9,5. Um ano e tal depois de tanto iletrado estar a caminho do canudo, inventaram N medidas injustas ( serviço cívico, numerus clausus... por aí) para travar a invasão, a tomada de assalto ao ensino superior. Foram muito tarde, penso eu de que, até porque os resultados estão à vista.

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  17. Palmy, tenho cá para mim que isto foi favorzinho que o Costa fez ao seu delfim, o novo Ministro da Educação, para não correr o risco de as relações com o Mário Nogueira começarem já em desvantagem. É uma táctica para amaciar desde já o sempre estridente (ia escrever esganiçado, mas vai mesmo estridente) Mario Nogueira. E como dizia alguém ali em cima, isto é só o princípio.

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    1. Acho que o pobre Delfim não foi sequer tido nem achado! :D

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  18. Palmier,
    Tenho um filho que para o ano faria o exame do 4º ano e que já no ínicio deste me começou a falar no assunto. Desdramatizei o assunto, disse que não era mais do que um teste, igual a tantos outros que ele já fez e que irá fazer e nos quais tem sempre excelentes resultados. Expliquei-lhe que se mantiver um comportamento de estudo e dedicação na aula e que se continuar a "trabalhar" como até aqui, não terá qualquer dificuldade em fazer "mais um teste", mas isto é conversa de mãe que não quer que ele sinta qualquer tipo de medo ou ansiedade sobre o tal exame, mas não quer dizer que concorde com ele.
    No dia em que for um exame a nivelar o que quer que seja na educação estamos mal. Na verdade, já estamos pior do que mal. O que faz com que os conheimentos sejam apreendidos e, acima de tudo, consolidados, não são exames de 4º ano.
    Num país onde as turmas são cada vez maiores, apesar da quantidade de professores no desemprego, onde os programas de ensino e os conteúdos programáticos são desajustados (ter um filho no 3º ano que já me fala em algoritmos de multiplicação e divisão parece-me demais, mas isso sou eu que até discordo de trabalhos de casa como regra) e onde as aulas começam sem que estejam os professores colocados (sobre a colocação deles nem vou falar agora), os exames do 4º ano como medida de nivelação e hierarquização da qualidade das escolas parece-me...errado. O principio de sermos avaliados no que fazemos é mais do que correcto, não pode é ser aplicado "às 3 pancadas". Criem-se os alicerces antes de se tentar pôr o telhado. :)

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    1. Então, em vez de abolir os exames, talvez tivesse sido mais prudente fazer uma avaliação da situação... medidas avulsas só porque sim, parece-me que só tendem a baralhar mais o que já está baralhado...

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    2. E a criação deste exame não terá sido também uma medida avulsa, assim a modos que a dar a sensação de mudança?

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    3. Admito que possa ter sido, mas convenhamos que foi bem mais debatida do que a sua eliminação.

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    4. Verdade. Ainda assim, da mesma forma que acho que a criação dos ditos exames não tenha contribuido em nada para a melhoria da qualidade do ensino, não creio que a abolição dos mesmos a vá piorar.
      Cá estaremos para ver o que acontece :)

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    5. Vá, tb n estamos a ser justos. Creio que desde a implementação dos exames quem era contra se manifestou e argumentou e analisou.. (E mais coisas acabadas em ou) pelo que dizer q eliminar foi às 3 pancadas tb n será propriamente justo...

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    6. Bem, Me... só soubemos no dia em que foi eliminado... se isto não é precipitação...

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    7. Hum? Não percebi palmy.
      O que quis dizer é que as pessoas q estão agora no governo e que decidiram eliminar os exames serão as mesmas (julgo eu) q sempre discordaram do exame. Pelo que creio que já há mto q tivessem pensado nisso, n sendo por isso, necessariamente, uma decisão às 3 pancadas.

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  19. Me, My Shit and I, o termo "às 3 pancadas" não foi para a abolição dos mesmos, mas para a implementação do dito exame. Talvez não esteja também a ser muito justa, mas se tivesse sido melhor estruturado não teria sido feito como foi.

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    1. Sim, sim. A palmy é que referiu q o eliminar dos mm foi assim uma decisão mto rápida e eu estava precisamente a defender q não.
      Concordo. Para mim tb foi mais às 3 pancadas a implementação do que a abolição :)

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  20. Cara Anónima das 9:55, pois eu sou de Direita, mas de Direita mesmo, e concordo a 100% consigo! Estes facilitismos não ajudam nada nem ninguém.

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    1. Esquerda e Direita de mãos dadas, só no blog da Palmier! :D

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    2. Ahahaha estamos imbuídos desta onda de coligações improváveis, dá nisto, comunas pronto de bem com direitas mesmo. E alguns dos notáveis às voltas nas tumbas

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  21. Já venho tarde, mas também não concordo nada com a eliminação do exame. O meu filho fez o ano passado e não ficou traumatizado por isso e não tenho conhecimento de nenhum menino da mesma turma que tenha ficado. É uma pressão, claro que é, mas isso é a vida, vai ser a vida. Claro que é uma pressão adequada à idade. Começaram a trabalhar para o exame no 3º ano, eles esforçaram-se, a professora esforçou-se e os pais também e isso, claro, dá trabalho, muito trabalho... Mas o resultado foi muito compensador, foi a melhor turma do colégio, as notas foram muito boas e os miúdos viram o esforço recompensado e perceberam onde é que se posicionavam em termos gerais, pois na escola eram avaliados em relação à turma e o exame é a nível nacional. Para eles foi um grande orgulho. Sem dramas. Como o que é hoje amanhã já não é, espero sinceramente qiue quando chegar a vez do mais pequeno já hajam novamente exames, se há coisa que não tolero é o facilitismo com a desculpa do trauma.

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