sábado, 25 de agosto de 2012

O presente envenenado que Adolfo ofereceu a si próprio

Devo, desde já, avisar que esta é uma história triste, uma história com um final terrivelmente infeliz. Assim, se fores pessoa extremamente cor-de-rosa, deverás parar exactamente aqui, sob pena de graves consequências sobre a tua psique. Mas, como aqui se olha para a vida friamente e sem contemplações, vamos (falo no plural porque me tenho em tanta consideração que julgo constituir um grupo) avançar sem medo. Aqui vai:

Adolfo era um jornalista de enorme sucesso. Pessoa extremamente inteligente, assim uma espécie de Mário Crespo, mas das revistas. Adolfo era muitíssimo feliz já que era casado com uma mulher, a quem chamaremos esposa (porque era assim que Adolfo gostava de se referir à sua mulher) que o adorava. É certo que Adolfo tinha bastante dificuldade em encontrar a sua esposa no meio de tantas pulseiras, colares, óculos, sapatos e vernizes mas, ainda assim, quando se conseguiam encontrar, a relação era bastante satisfatória. Para ajudar outros casais, Adolfo criou um espaço próprio na internet onde, numa espécie de catarse, ajudava gentes infelizes a alcançar a felicidade que, ele próprio, já tinha atingido. Adolfo tornou-se, assim, uma espécie de Oprah Winfrey portuguesa, aumentando, exponencialmente, a sua reputação. No entanto, houve um dia em que Adolfo cometeu um erro. Um erro extremamente grave, crasso, mesmo. Adolfo comprou uns phones. Sim... Mas não foram uns phones quaisquer. Não... Adolfo comprou uns phones Beats by dr. Dre. Wireless (mais detalhes AQUI - deverão ter muito, muito, cuidado ao aceder a este link pois, caso contrário, poderão ser levados a querer comprar uns phones destes e isso é muito perigoso, conforme poderão constatar pelo desenrolar desta tragédia). A partir desse momento, a vida de Adolfo mudou. Adolfo não mais tirou os seus phones das orelhas. Os phones eram tão, mas tão, confortáveis (com as suas almofadas em pele), limpinhos (ficavam como novos com a simples passagem de um toalhete) e inodoros, que Adolfo se esqueceu do mundo exterior. Adolfo ouvia todas as notas de todas as músicas, no entanto, Adolfo deixou de ouvir a sua esposa... e todas as outras pessoas também. À excepção dele próprio, claro, que Adolfo sempre gostou muito de ouvir as suas próprias palavras. Parece que a esposa ainda tentou, sem sucesso, livrá-lo daquela estranha dependência. Fê-lo através de diversos ultimatos (o que é esquisito já que, tratando-se de um ultimato, deveria ter sido, apenas, um) mas, todos os esforços foram em vão... Adolfo não cedia. 
Fontes próximas do casal afirmam que a entrada dos phones naquele agregado familiar fez estremecer tão profunda relação e que se sentia um mau estar crescente no ar. Uma vizinha chegou a confirmar que, durante a noite, ouvia muitas discussões em que a esposa era a única interveniente (o que é natural... já que Adolfo não a ouvia). "Que chegou a pensar que a esposa do senhor não andava bem e que até disse isso à senhora do mini-mercado". Na palavra de alguns populares, "desde que o senhor usava aquela bandolete na cabeça, via-se que aquilo estava por um fio".

Ainda não se sabem detalhes. No entanto, temo informar-vos que Adolfo foi encontrado ontem, sem vida... mas ainda envergando os seus phones...

18 comentários:

  1. Wow !! How very Edgar Allan Poe.. Brrrrr...


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  2. http://sol.sapo.pt/inicio/Opiniao/interior.aspx?content_id=250&opiniao=Opini%E3o

    Adorava ler um post seu sobre este assunto, Palmier! :)

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    1. Oh Regina, eu até escreveria sobre isso... se soubesse quem era essa senhora... Acontece que não sei... :DDD

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  3. As coisas de que tu te lembras!
    Ahahahahahahahahahah
    Eu adoro, mas adoro, a forma como contas histórias!

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    1. Oh pah... é que há coisas que me deixam siderada... :DDD

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  4. O homem e sua esposa (por acaso acho que a regra de etiqueta excluí a palavra esposa, mas ela também diz "o meu homem", estão bem um para o outro, dois labregos com a mania) estão para lá de insuportáveis. Tem graça que eu deixei-lhe lá um comentário a dizer que o post da troca da carta era um erro crasso e que se fosse meu colaborador estaria sentado à minha frente a explicar-se e nada, não publicou. Estou desapontada! Vai daí, olhe, obrigadinha, por me ter deixado desabafar aqui. :)

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  5. O dia a dia em Pompouslane tem destas coisas....

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  6. ahahahahahahah
    quase que é melhor do que o meu momento verdadeiro de ontem.
    por acaso estava a ponderar oferecer uns phones ao David, sendo assim vou mas é estar quietinha!

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    1. Tu não faças uma coisa dessas! Ainda acaba em mortes! :DDD

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  7. O Arrumadinho anda fazer regime, Palmier? Parece um bocado abatido :D:D

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  8. ahahahahah!! muito bom palmier :)
    é que a rapariga é parvinha, mas ele bate os records todos... credo!!

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    1. Não, coitadinho... está só maravilhado consigo próprio... ;D

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